A controversa conversão do Império Romano ao Cristianismo pelo Imperador Constantino

Por 300 anos, os seguidores de Jesus foram forçados a negar suas crenças, torturados e mortos. Até aparecer um tal Constantino

Toda professora de catecismo adorava contar a seguinte historinha: na véspera de uma batalha decisiva contra seu maior rival, o general romano Constantino viu no céu uma cruz flamejante com os dizeres latinos In hoc signo vinces – algo como “Com este símbolo vencerás”. Não deu outra: Constantino mandou pintar a cruz nos escudos de seus soldados, derrotou de goleada seu inimigo Maxêncio e virou imperador. Como sinal de gratidão, no ano 312 da nossa era, ele declarou que os cristãos não seriam mais perseguidos em seu império e se converteu à fé em Jesus, abrindo caminho para que o cristianismo se tornasse a religião dominante do Ocidente. A lenda é bonitinha, mas será que tem algum apoio na realidade?

Como dizem as lendas, ele entendeu isso como um sinal do Deus cristão pedindo que ele se convertesse. Constantino acreditava que ele seria premiado com poder incomum, o apoio de uma divindade e o maior reino do mundo se ele seguisse adiante com a visão.

Segundo a tradição, na noite anterior à batalha sonhou com uma cruz, e nela estava escrito em latim:“In hoc signo vinces””.

De manhã, um pouco antes da batalha, mandou que pintassem uma cruz nos escudos dos soldados e conseguiu uma vitória esmagadora sobre o inimigo. Esta narrativa tradicional não é hoje considerada um fato histórico, tratando-se antes da fusão de duas narrativas de fatos diversos encontrados na biografia de Constantino pelo bispo Eusébio de Cesareia.

Por incrível que pareça, o fato é que não foram apenas as frias motivações políticas que levaram Constantino a favorecer os cristãos. Por um lado, é claro que não dá para provar que a visão da cruz flamejante aconteceu mesmo (na verdade, os relatos mais antigos falam das duas primeiras letras gregas do nome de Cristo, parecidas com o P e o X maiús-culos do nosso alfabeto, e não de uma cruz). Por outro, numa época em que religiões ligadas a um deus único estavam em ascensão, a fé de Constantino no Deus cristão não seria incomum.

Pelo decreto do cristianismo Constantino, tornou-se a religião oficial de Roma em 324. No entanto, ele realmente se tornou um verdadeiro cristão, ou estava apenas buscando o apoio de bispos poderosos para fins políticos?

A religião que mais crescia naquela época no mundo antigo era o Cristianismo, mesmo em meio a tantas perseguições dos mais cruéis imperadores romanos! Será que Constantino não percebeu isso? Ele não iria querer ter todos debaixo dos seus pés e ter maior exército do mundo?

Observando que a religião cristã se alastrava rapidamente, como Constantino iria usar isto em seu favor?

Astutamente Constantino percebeu que haviam brechas doutrinárias, por causa das inúmeras dúvidas que novos cristãos tinham, e a grande quantidade de debates sobre vários temas além de discordâncias entre si, e assim viu poderia controlar não por meio da força, mas por meio do engano.

MINORIA PODEROSA

Por volta do ano 300, apesar das perseguições esporádicas, mas sangrentas, os cristãos tinham virado uma minoria relativamente rica e influente no Império Romano. Entre 5 e 10% dos cidadãos da área era adeptos do cristianismo, e a religião tinha se infiltrado na nobreza, no funcionalismo público e no Exército. Há indícios de que membros da família de Constantino eram cristãos. Ao mesmo tempo, cultos monoteístas (ou seja, a um só deus) estavam cativando outras pessoas. Entre os mais populares estavam a veneração ao deus persa Mitra ou à sua versão ocidentalizada, o Sol Invicto. Veio então a morte do imperador Constâncio Cloro, pai de Constantino, e a guerra civil de sucessão. Constantino foi vencendo todos os rivais, um após outro, até assumir o controle absoluto dos territórios romanos no ano 324.

O novo governante naturalmente atribuiu o triunfo ao favorecimento divino, e é possível que, por seu ambiente familiar e cultural, tivesse identificado essa divindade com o Deus do cristianismo. Isso porque a liberdade religiosa proclamada por ele foi imediatamente seguida por doações generosas às igrejas cristãs e intervenções pessoais do imperador para resolver debates teológicos entre elas. Constantino queria a unidade do império e a unidade da fé – é impossível determinar onde, para ele, começava uma coisa e acabava outra.

O falso vira-casaca

Ninguém nunca disse que a história é justa, mas uma das maiores injustiças dela foi legar o apelidado de “o Apóstata” (ou seja, o vira-casaca) a Flávio Cláudio Juliano, sobrinho de Constantino que assumiu o poder imperial no ano 360. Juliano, o Apóstata, como ficou conhecido, tentou restaurar o paganismo como religião dominante no Império Romano, mas nunca foi cristão de verdade para merecer o título de vira-casaca.

O que acontece é que, com o predomínio recém-conseguido dos cristãos, Juliano e os demais membros juniores da família imperial receberam uma ferrenha educação religiosa para se adaptar aos novos tempos, mas o futuro imperador odiava tudo aquilo e preferia mesmo estudar os filósofos e poetas pagãos da Grécia antiga, como Homero e Platão. Ao subir ao poder, reverteu boa parte das reformas religiosas de Constantino, mas o cristianismo já tinha se tornado tão poderoso que, com sua morte sem herdeiros numa guerra contra os persas, o paganismo deixou de vez de ser uma força política em Roma.

Estimativas sobre o número de cristãos mortos pelos romanos variam de 10 mil a 100 mil mártires executados do ano 30 ao ano 313.

'Conversão' de Constantino

Uma das supostas bacias hidrográficas da história é a "conversão" do imperador Constantino ao cristianismo em, aproximadamente, 312 dC. Os historiadores ficaram maravilhados com essa idéia.

Os imperadores eram historicamente hostis ou indiferentes ao cristianismo. Como poderia um imperador subscrever uma fé que envolvia o culto a Jesus Cristo - um criminoso judeu executado? Essa fé também era popular entre escravos e soldados, dificilmente as ordens respeitáveis ​​da sociedade.

A história da conversão de Constantino adquiriu uma qualidade milagrosa, que não surpreende do ponto de vista dos cristãos contemporâneos. Acabavam de emergir da chamada "Grande Perseguição", sob o imperador Diocleciano, no final do terceiro século.

O momento da conversão de Constantino foi vinculado por dois narradores cristãos a uma campanha militar contra um rival político, Maxêncio. A conversão foi o resultado de uma visão ou de um sonho em que Cristo o instruiu a lutar sob os padrões cristãos, e sua vitória aparentemente garantiu Constantino em sua fé em um novo deus.

A "conversão" de Constantino coloca problemas para o historiador. Embora ele tenha declarado imediatamente que os cristãos e os pagãos deviam adorar livremente e restaurado propriedades confiscadas durante perseguições e outros privilégios perdidos para os cristãos, essas medidas não marcaram uma mudança completa para um estilo de governo cristão.

Muitas de suas ações pareciam resolutamente pagãs. Constantino fundou uma nova cidade com o seu nome: Constantinopla. Escritores cristãos criaram a idéia de que essa seria uma "nova Roma", uma capital cristã adequada para um império recém-cristão.

Por que Constantino esperou até que ele morresse para ser batizado?
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A conversão de Constantino no leito de morte foi um ato de pragmatista moral?

"Constantino era cristão o suficiente para esperar até que seu leito de morte fosse batizado. Ele sabia que um governante tinha que fazer coisas que eram contra os ensinamentos cristãos, então ele esperou até que não tivesse mais que fazer essas coisas. Essa pode ser a coisa que Eu o respeito muito mais. "
Kirk Johnson

Mas eles tiveram que encontrar maneiras de explicar o fato embaraçoso de que, nessa nova cidade supostamente cristã, Constantino erigia templos e estátuas pagãs.

Como devemos caracterizar as convicções religiosas de Constantino? Os relatos divergentes, mas relacionados, de sua conversão milagrosa sugerem alguma experiência espiritual básica que ele interpretou como relacionada ao cristianismo.

Seu entendimento do cristianismo era, no estágio de sua conversão, pouco sofisticado. Ele pode não ter entendido as implicações da conversão para uma religião que esperava que seus membros se dediquem exclusivamente a ela.

No entanto, o que certamente foi estabelecido no início do século IV foi o fenômeno de um imperador adotando e favorecendo um culto em particular. O que havia de diferente na "conversão" de Constantino era apenas o culto particular ao qual ele se voltou - o culto de Cristo - onde imperadores anteriores haviam buscado o apoio de deuses e heróis pagãos, de Jove a Hércules.

CONCLUSÃO
Muitos Cristãos até hoje não sabem ao certo porquê ainda existe tanta discordância e confusão dentro do Cristianismo, não sabem o motivo da Reforma Protestante, não sabem realmente a história do Cristianismo, não investigam as fontes e são verdadeiros analfabetos críticos, não sabem analisar a história tal como ela é, apenas repetem o que aprenderam de supostas autoridades que incluem no seus currículos: papas, sacerdotes, pastores, etc... que são homicidas, assassinos, imorais, corruptos.

Bem aqui foram publicadas algumas das influências de Constantino para controlar o Cristianismo através do engano, que com bastante sucesso conseguiu corromper os fundamentos do Cristianismo do amor e da adoração à Deus transformando o Cristianismo nazareno-judaico em Romano pagão-antisemita

O maior embuste da história da igreja

A chamada Doação de Constantino é um documento do século VIII ou IX. Trata-se de uma carta espúria do imperador Constantino o Grande, dirigida ao bispo de Roma Silvestre I (314-335). Consta de duas partes. A primeira, ou Confessio narra a sua instrução na fé, o seu baptismo e a sua cura da lepra por parte de Silvestre, além de uma confissão de fé. Na segunda parte, ou Donatio, Constantino confere ao bispo de Roma ou papa, como sucessor de São Pedro, privilégios imperiais, e aos principais clérigos, prerrogativas senatoriais. Segundo este documento, o papa “possui a primazia sobre os quatro Patriarcas de Antioquia, Alexandria, Constantinopla e Jerusalém, e também sobre todos os bispos do mundo”.

O que a queda de Constantinopla em 1453 tem a ver com a exposição de uma famosa falsificação?

Por meio século antes de os turcos tomarem a cidade, capital do império romano oriental, estudiosos da igreja viajavam frequentemente entre Constantinopla e Itália. Temendo invasão turca, os estudiosos trouxeram mais de 230 manuscritos antigos de volta à Itália, resgatando os textos do esquecimento e alimentando o Renascimento com "novas" idéias.

Legitimidade do documento

A estada de São Pedro e o seu martírio em Roma foram comprovados por escavações ordenadas por Pio XII em meados do século XX. O primado de Pedro também é entendido como certeza bíblica (Mt 16,16-19; Lc 22,31s; Jo 21,15-17).

Os Estados Pontifícios foram fundados em 756 d.C., quando Pepino o Breve atendeu ao pedido de ajuda do papa e combateu os lombardos, que no século VIII ameaçavam invadir Roma e territórios próximos. O Papa Estêvão II recorreu ao povo franco, que era governado não pelo rei, mas pelo mordomo do palácio real, Pepino.

Pepino teria reconhecido ao Papa o título de "Soberano do Patrimônio de São Pedro". Isto – como já dito - teria ocorrido em 756 d.C., como expressão de estima dos cristãos ao Papa e não como efeito de trapaças e guerras de conquista.

O polêmico "poder temporal dos papas" é relacionado a que muitos povos da Europa Ocidental tinham cristãos monarcas, que se sentiam na obrigação de formar a "Cidade de Deus", preconizada por Santo Agostinho. Infelizmente a união do Estado com a Igreja nem sempre foi benéfica. Muitos quiseram dominar a mesma segundo seus interesses. Existiam as investiduras leigas, onde o senhor feudal nos séculos VIII e XI nomeava o bispo de seu feudo, por exemplo. Finalmente o Papa Gregório VII conseguiu remover esta prática maléfica, pois nem todos os ordenados eram cristãos preparados para tal vocação. No século X, uma família de Roma – Teofilacto, Marócia mãe, Marócia filha e sua irmã Teodora, tentaram dominar o Papado. A Inquisição também é um forte exemplo, pois nunca foi um tribunal meramente eclesiástico, porque o Estado agia sobre a Igreja, manipulando muitos casos famosos, como a condenação de Joana d'Arc, orquestrada pelos ingleses.

De todas as formas, tanto a historicidade quanto a posição da Igreja são de negar a veracidade de tal documento

Lorenzo Valla e o estudo do documento

Lorenzo Valla apresentou uma série de documentos que comprovaria a falsidade do tempo em que o documento da doação teria sido feita.

Naquela época era impossível se valer de algum recurso tecnológico que pudesse calcular exatamente a datação do documento. Foi então que Lorenzo examinou o conteúdo do texto, observando os erros linguísticos existentes e as expressões empregadas em sua construção. Por meio de seus estudos, detectou a presença de helenismos e barbarismo que não correspondiam ao uso da língua latina naqueles tempos do império de Constantino.

Além dessas questões formais, o estudioso percebeu que a natureza do documento, elaborado com um único testemunho, não correspondia ao hábito da época. Ao mesmo tempo, ele apontou como incongruente o uso do termo “sátrapa” (expressão de natureza oriental) para fazer referência aos membros do Senado Romano e a menção de Constantinopla como uma cidade cristã em um tempo em que ela, assim como outras regiões dadas como de dominação romana, estava longe de assumir tal posição.

O trabalho de Valla, ao longo do tempo, não significou apenas uma tentativa de se desestabilizar a autoridade do clero. Para os historiadores, sua forma de questionar o documento exigiu a reunião de informações que envolviam as transformações da língua ao longo dos tempos e a necessidade de se estabelecer uma relação de identidade entre o documento e a época em que ele teria sido produzido. Desse modo, a invalidação da Doação de Constantino serviu de grande contributo no estudo do passado.

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