Cultura e Entretenimento

As misteriosas fábricas subterrâneas nazistas

Em 1943, os nazistas começaram a construir uma cidade embaixo da terra para 20 mil pessoas. .

O Projeto Riese, era uma instalação alemã conhecida como "O Gigante" desenvolvida em uma construção subterrânea secreta realizada pelo Terceiro Reich, entre 1943 e 1945, próxima à mina Wenceslau. A mina fica a 50 quilômetros de Breslau, uma pequena vila ao norte de Ludwikowice, na Polônia. Acredita-se que a enigmática e misteriosa arma nazista, a super "Die Glocke", em português: o sino, tenha sido construída lá.

Os enigmas em torno do complexo subterrâneo vêm desde a 2ª Guerra, porque ele é parte de algo bem maior, o chamado Projeto Riese (“gigantesco” em alemão). Trata-se de uma série de grandes bunkers interconetctados que, juntos, formariam uma verdadeira cidade debaixo da terra, com 35 km2 de área (quase dez vezes a do bairro de Copacabana, no Rio), e capacidade para 20 mil pessoas.

O lugar abrigaria fábricas de bombas, que poderiam ser construídas lá embaixo a salvo dos bombardeios inimigos. E também receberia o equipamento necessário para a construção da bomba atômica nazista - aquela que, para a sorte do planeta, Hitler não conseguiu tirar do papel.

Entrada de um dos sete complexos do Projeto Riese. Estima-se que apenas 10% da cidade subterrânea tenha sido explorada até hoje.

Esta ai outra coisa que os aliados tomaram nota ao final da guerra, as fábricas subterrâneas nazistas foram um exemplo para a construção de bases pós-guerra tanto nos Estados Unidos quanto na URSS. O que talvez você não saiba é que várias destas fábricas subterrâneas nazistas permanecem fechadas até hoje e ninguém sabe o que está escondido la dentro.

Imagina um pais sendo literalmente terraplanado por bombardeios diários e sistemáticos, cidade por cidade. Imagina um enxame de mais de 1000 bombardeiros e 600 caças vindo todos os dias despejar a sua carga mortal, tanto de dia como de noite. Esse era o cenário em 1944 na Alemanha nazista.

Assim desse jeito a única saída era levar todas as fábricas para o mundo subterrâneo, único lugar onde as bombas não podiam chegar. Na urgência qualquer lugar era bom desde que protegido por rocha e pedra encima e assim foram usadas minas abandonadas, cavernas e também trechos de túneis ferroviários. Outros complexos foram diretamente escavados na rocha das montanhas do sul da Alemanha e da Áustria.

Este motor de foguete V2 ainda está em Mittelwerk

Estamos falando que estas fábricas subterrâneas nazistas tinham quilômetros de túneis ocupados por linhas de produção das mais diversas armas, inclusive dos foguetes V2. Só na fábrica Mittelwerk onde eram fabricadas as V2 existiam mais de 11 quilômetros de túneis e trabalhavam milhares de prisioneiros como escravos. Mas, esta fábrica de Mittelwerk foi capturada intacta, com outros complexos isto não ocorreu assim e inclusive até faz pouco tempo estavam sendo descobertas novas fábricas subterrâneas nazistas que tinham permanecido fechadas por 70 anos. Como no caso do complexo subterrâneo descoberto por Andreas Sulzer embaixo da tranquila cidade de St Georgen an der Gusen. Lá estavam as fábricas subterrâneas nazistas que tentavam produzir armas nucleares, ou assim pelo menos se pensa, a raiz da radiação que os túneis ainda fechados emitem.

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Os trabalhos de escavação da entrada deste complexo ainda estão sendo realizados, toneladas de pedra de granito e terra selaram os túneis. Mas, há outro mistério relacionado a essa fábrica que somente foi encontrada graças a um diário de um médico local. Dentro dos túneis podem estar ainda os corpos de pelo menos 40 mil prisioneiros do campo de concentração que existia perto do local. Estes prisioneiros, se presume, foram enterrados vivos ou executados por gases ou explosivos porque “sabiam de mais”. Quase todos estes prisioneiros eram técnicos e tinham sido selecionados em outros campos por essa razão para trabalhar no mais avançado laboratório subterrâneo nazista. É também esta a razão pela qual não existem testemunhas do que acontecia nesse local e por isso a fábrica ficou em segredo por tanto tempo. O campo de prisioneiros local tinha registrados 90 mil prisioneiros, mas quando os aliados chegaram apenas metade deles ainda estava lá, dos outros nunca se soube o que aconteceu com eles…

Outro misterioso complexo subterrâneo nazista foi achado ao final da guerra na republica Tcheca, no morro de Radobýl ao norte de Praga. Lá existiam três minas chamadas Rei Ricardo e numeradas do 1 ao 3. As duas primeiras eram fábricas de tanques e de componentes eletrônicos da firma Osram. Quando os russos chegaram as exploraram e levaram tudo que puderam de volta para a Rússia, inclusive os técnicos. A Ricardo I continua aberta, a Ricardo II é usada para guardar materiais perigosos, mas a Ricardo III continua fechada desde a segunda guerra mundial e o mistério é maior ainda porque não se sabe se os russos entraram lá e depois a fecharam, o que seria improvável, ou se foram os nazistas que esconderam lá algo que era de muito valor e que não podia cair nas mãos dos russos.

Rei Ricardo na Republica Tcheca

Escravos
A construção do complexo ficou a cargo de prisioneiros judeus. Eles vinham de Gross-Rosen, um campo de concentração próximo. A composição das rochas das montanhas Sowie, bem dura, permitia salões e túneis amplos. Por outro lado, dificultava o trabalho de escavação.
A expectativa de vida de um trabalhador de Osówka girava em torno de quatro meses. Estima-se que 13 mil judeus tenham trabalhado nas obras, e que 5 mil tenham morrido.

Muito se sabe sobre os dias de trabalho no projeto científico mais importante da Alemanha nazista: a fábrica subterrânea de mísseis Mittelrwerke (Fábrica Central). Lá se produzia o artefato bélico mais espetacular do planeta: o V2, foguete de 14 toneladas, capaz de chegar a 80 km de altitude e que causou pesados danos a Londres na Segunda Guerra.

O primeiro objeto a ir além da atmosfera terrestre era a menina dos olhos de Hitler. Tanto que, assim que a "bela adormecida" — apelido da antiga fábrica do V2 — foi bombardeada pelos aliados, o Führer não mediu esforços para transferi-la para baixo da terra, em 1943.

Mittelwerk, podemos ver como era camuflada a entrada da fábrica

Como no caso do complexo austríaco, aqui se pensa que os nazistas tinham um centro de pesquisa nuclear, inclusive se diz que os nazistas estavam tentando produzir água pesada para uso em armas nucleares, mas é tudo especulação. Outras teorias indicam que podem estar enterrados ali tesouros roubados da Rússia ou até ouro nazista. Mesmo tendo tentado entrar ao complexo Ricardo III, todas as tentativas falharam porque os túneis colapsaram sendo obstruídos por toneladas de rocha. Abrir estes túneis é possível porem extremamente caro.

Se pensa que como estes exemplos, existam outros complexos subterrâneos escondidos e fechados até hoje. Estas fábricas subterrâneas nazistas estão cheias de mistérios e rodeadas de morte.

"Não deem atenção ao custo humano", disse o responsável pela obra, Hans Kammler. Mais de 20 mil prisioneiros morreram na fábrica – contra 7 mil baixas causadas pelo V2 na Inglaterra. A decisão de usar mão de obra escrava na construção como forma de reduzir custos foi aprovada por Wernher von Braun, criador e supervisor dos mísseis V2.

Técnico americano inspeciona um Me262, primeiro caça a jato, dentro de uma fábrica subterrânea nazista

Outro tesouro que caçam por ali é uma espécie de Eldorado moderno: o lendário “trem do ouro nazista”. Seria um trem de 150 metros recheado de pedras preciosas, tapeçarias, obras de arte e, claro, ouro, roubado das vítimas do Holocausto. Não há evidência alguma de que tal trem exista. Menos ainda de que esteja oculto em túneis jamais descobertos. Mesmo assim, não faltam expedições em busca dele. A última aconteceu em 2016 e contou até com o apoio do governo polonês. E deu em água.

Soldado americano fotografado do lado de um foguete V2 quase terminado em Mittelwerk

Outro pedaço do Projeto Riese é um complexo de túneis construídos bem debaixo do castelo Ksiaz, um palácio esplendoroso situado a 30 km da entrada de Osówka. Dois andares de galerias foram escavados debaixo do castelo, a mais de 60 metros de profundidade. Durante a guerra, o castelo Ksiaz estava sendo reformado para se tornar a residência de Adolf Hitler. O quarto que viria a ser do líder austríaco teria, inclusive, um elevador com acesso direto aos túneis. Isso reforça outra teoria sobre o propósito do Projeto Riese: O de que ele pudesse abrigar todo o comando nazista se fosse preciso.

Rei Ricardo II, aqui tem lixo radiativo estocado

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Seria o bunker de todos os bunkers. Pelo ritmo da construção, acredita-se que, se a guerra durasse mais dois anos, o Projeto Riese estaria funcionando a todo vapor, mas provavelmente as estruturas básicas poderiam começar a ser usadas bem antes disso. Em seu livro de memórias, o arquiteto Albert Speer diz que a preocupação do alto comando nazista com a própria sobrevivência chegava a “níveis insanos”, o que levava ã criação de cada vez mais bunkers.

É o caso do de Obersalzberg, outro complexo subterrâneo nazista aberto para visitação, só que perto da fronteira com a Áustria. Ele também nunca foi usado, mas fica perto de uma residência que Hitler ocupou de fato, pelo menos por algumas temporadas: a bela “Casa de Kehlstein” (mais conhecida pelo apelido que as tropas aliadas deram para o imóvel: “Ninho da Água”). “Ninho” porque está fincada no topo do monte Khelstein. Hitler, porém, não gostava muito do lugar, por ter medo de altura. De qualquer forma, já havia lá um bunker para ele, dado o “insano” senso de autopreservação. Diante de tudo isso, chega a ser irônico que Hitler tenha morrido num bunker modesto, no centro de Berlim.