Cultura e Entretenimento

Mecanismo de Antikythera - Milagre tecnológico de 2000 anos

O artefato mais sofisticado da antiguidade que sobreviveu, seria o primeiro computador analógico?

Encontrado no fundo do mar a bordo de um antigo navio Grego, sua complexidade gerou décadas de estudos por vários grupos de pesquisa ao redor do mundo para decifrar aquilo que se descobriu ser o primeiro computador analógico da história, cuja tecnologia pensava-se ser impossível de existir em uma época tão remota do Antigo Mundo, provavelmente em meados do século 2 A.C.!

História e Descoberta

Era um momento de fortes tempestades entre os anos de 65 e 80 A.C., quando um um navio de 65 metros cheio de luxuosos artefatos de artesão da Antiga Grécia encontrou seu trágico fim na costa de uma pequena ilha grega, chamada de Anticítera. O navio estava em destino para o vultuoso mercado romano, e considerando as evidências de moedas de prata encontradas em seu interior, provavelmente começou sua jornada em Pérgamo ou Éfeso, onde hoje fica localizado o oeste da Turquia, parando em um porto livre de impostos para comercializar no centro de Delos, na Grécia, com o intuito de conseguir outras mercadorias. Na rota final para o porto de Roma e seu principal mercado, a tempestade pegou os tripulantes da embarcação desprevenidos.

Quase 2000 anos depois, em 1900, uma segunda tempestade na região atingiu outra embarcação, dessa vez de um grupo de mergulhadores em busca por esponjas marinhas (organismos do grupo porífero bastante comum nos mares). Para se protegerem da tormenta, os mergulhadores correram para se abrigar em uma pequena ilha próxima: sim, em Anticítera. Quando a tempestade se acalmou, eles foram dar continuidade ao serviço de coleta de esponjas e resolveram começar ali nas proximidades da ilha. Durante os mergulhos, acabaram se deparando com o nosso antigo navio naufragado, cheio de tesouros da antiguidade. Isso os surpreendeu e pouco tempo depois eles foram bem depressa informar a descoberta ao governo grego.

Meses após o achado, os mergulhadores retornaram, auxiliados e supervisionados pelo governo da Grécia, entre os anos de 1900 e 1901, para a recuperação dos tesouros escondidos na antiga embarcação. Durante mais de 9 meses eles recuperaram uma grande quantidade de belos objetos gregos - bronzes raros, espetaculares cristais, vasos de cerâmica e jóias - em uma operação que praticamente marcava a primeira grande escavação arqueológica marinha da história. Mas entre as diversas maravilhas arqueológicas, algo chamou bastante atenção: um objeto originalmente feito sob uma base de bronze, e esculpido com partes de mármore e cristal.

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Os restos do artefato foram resgatados em 1901, juntamente com várias estátuas e outros objetos, por mergulhadores, à profundidade de aproximadamente 43 metros na costa da ilha grega de Anticítera, entre a ilha de Citera e a de Creta. Datado de 87 a.C., em 17 de maio de 1902, o arqueólogo Spyridon Stais notou que uma das peças de pedra possuía uma roda de engrenagem. Quando o aparelho foi resgatado estava muito corroído e incrustado. Depois de quase dois mil anos, parecia uma pedra esverdeada. Visto que de início as estátuas eram o motivo de todo o entusiasmo, o artefato misterioso não recebeu muita atenção.

Em 1902, outros fragmentos do misterioso mecanismo foram encontrados entre peças de bronze do navio naufragado, no Museu Nacional de Arqueologia de Atenas, algo que veio ajudar bastante nas tentativas de completá-lo e elucidá-lo. Nas décadas que se seguiram à descoberta, o Mecanismo de Anticítera, como ficou conhecido, deixou todos de boca aberta à medida que sua estrutura foi sendo decifrada.

O mecanismo foi examinado em 1902, e estava em vários pedaços. Havia rodas denteadas de diferentes tamanhos com dentes triangulares cortados de forma precisa. O artefato parecia um relógio, mas isso era pouco provável porque se acreditava que relógios mecânicos só passaram a ser usados amplamente muito mais tarde.

Junto com todas essas peças importantes estava um mecanismo de aparência moderna embrulhado nos restos de uma caixa de madeira, o mecanismo de Antikythera, um artefato que levou 60 anos para ser decifrado. Era um dispositivo para prever o movimento do sol, da lua e dos planetas.

Em 1958 o mecanismo foi analisado por Derek J. de Solla Price, um físico que mudou de ramo e tornou-se professor de História nallniversidade de Yale. Ele chegou a acreditar que o aparelho era capaz de indicar eventos astronômicos passados ou futuros, como a próxima lua cheia. Percebeu que as inscrições no mostrador se referiam a divisões do calendário - dias, meses e signos do zodíaco. Supôs que deveria haver ponteiros que girassem para indicar as posições dos corpos celestes em períodos diferentes. O professor Price deduziu que a roda denteada maior representava o movimento do Sol e que uma volta correspondia a um ano solar, equivalente a 19 anos terrestres. Se outra engrenagem, conectada à primeira, representava o movimento da Lua, daí a proporção entre o número

Os pesquisadores propuseram um novo modelo teórico para o mecanismo de Antikythera, um dispositivo de 2.000 anos usado pelos gregos, para mapear o universo.

O dispositivo, descoberto na costa da ilha grega de Antikythera, já foi composto por mais de 30 engrenagens de bronze interligadas que previam as fases da lua, eclipses, datas das Olimpíadas e o movimento dos planetas e estrelas. O projeto refletia um antigo entendimento grego do universo, com a Terra em seu centro.

O mecanismo era semelhante em tamanho a um relógio de lareira e já foi alojado em uma caixa de madeira. Sua face circular, semelhante a um relógio, ostentava ponteiros giratórios e adornados com joias que representavam o movimento de objetos planetários. Os usuários giravam as mãos com um botão ou alça na lateral.

É um dos mais antigos antepassados do computador a ser encontrado. Pesquisadores britânicos conseguiram agora entender o mecanismo deste objeto enigmático, chamado "máquina de Anticítera" (nome da ilha grega perto da qual foi encontrado), que os gregos usavam há mais de dois mil anos para medir os movimentos dos astros. O objeto foi recuperado do mar em 1901, mas só agora foi possível entender o mecanismo, graças ao uso de raios X a três dimensões de alta definição.

Tony Freeth, professor honorário do University College de Londres, é um dos elementos da equipa: "Está em tantas peças agora, que entender o conjunto é como fazer um puzzle em três dimensões muito difícil. Está dividida em 82 fragmentos, é preciso pegar em cada um deles e tentar perceber como a máquina funcionava", explica.

Este artefacto contém cerca de 30 mecanismos de bronze, usados para calcular coisas como as fases da lua, os eclipses ou outros fenómenos celestiais.

"Conseguimos recriar o que acreditamos ser a aparência correta desta máquina. É uma representação fantástica do cosmos, com os planetas em diferentes anéis, tudo no mesmo objeto", diz Tony Freeth.

O aparelho também previa a data exata dos Jogos Pan-Helênicos: quatro festivais separados que se realizavam periodicamente na Grécia Antiga: Jogos Olímpicos, ou de Olímpia, Jogos Píticos, Jogos Ístmicos e Jogos Nemeus.

O curioso é que embora os Jogos de Olímpia tivessem mais prestígio, os Jogos Ístmicos, em Corinto, apareciam em letras maiores.

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Os investigadores já tinham notado que os nomes dos meses que apareciam em outra engrenagem da máquina eram coríntios.

As evidências sugeriam que o criador da máquina era um coríntio que vivia na colônia mais rica governada pela cidade: Siracusa.

Siracusa era lar do mais brilhante dos matemáticos e engenheiros gregos: Arquimedes.

Trata-se, talvez, do cientista mais importante da Antiguidade clássica, que determinou a distância da Terra à Lua, descobriu como calcular o volume de uma esfera, o número fundamental π (Pi) e havia garantido que moveria o mundo com apenas uma alavanca.

"Só um matemático brilhante como Arquimedes poderia ter desenhado a máquina de Anticítera", opina Freeth.

"É um pouco intimidador saber que, logo antes da queda de sua grande civilização, os gregos antigos tinham chegado tão perto de nossa era, não apenas em pensamento, mas na tecnologia científica", disse Derek J. de Solla Price.