
A lenda do Monstro do Lago Ness
Real ou imaginário, o monstro do Lago Ness faz parte do imaginário popular e da cultura da Escócia
Foi em 1933 que o monstro conquistou sua primeira aparição na televisão. O jornal Inverness Courier se empenhou em uma reportagem que continha o primeiro registro do animal e contava a experiência de um casal de hoteleiros que tinham avistado o monstro nadando na superfície do lago.

O primeiro encontro original e testemunhado por várias pessoas aparece descrito na obra literária Vida de São Columba, um missionário irlandês que viveu entre 521 e 597 D.C e que se mudou para Escócia.[2] Columbano descreve como salvou um picto que nadava no Rio Ness das garras do monstro em 565 D.C enquanto ele trazia um barco para o Santo e os seus seguidores atravessarem o rio e com o enorme poder da sua voz o monstro terá sido repelido pelo Santo.
Apesar da longevidade da lenda, nunca houve provas da existência de Nessie, mesmo após expedições que varreram o fundo do lado com sonares e o cercaram com câmeras. Várias teorias tentam expliicar as aparições: uma delas supõe que a criatura seria um Plessiosauro (um réptil marinho, extinto há milhares de anos). Para outros seria um Esturjão, peixe que pode chegar a mais de 5 metros de comprimento e 2 toneladas. Há até quem acredite que há um Tubarão da Groenlândia, que chega a medir mais de 6 metros de comprimento, perdido no lago.
A famosa fotografia da silhueta do que seria Nessie, tirada em 1934 por R.K. Wilson, intrigou todo o mundo e se tornou a sensação do momento. Mas, logo, o fotógrafo decepcionou os caçadores do monstro ao se envolver em uma polêmica e admitir a falsidade da imagem.

Mas segundo Neil Gemmell, pesquisador da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, a resposta é outra. Sua equipe coletou e analisou amostras da água do lago em busca de restos de DNA, e relatou os resultados em uma entrevista à BBC. Nenhum de DNA de Plessiosauro (ou qualquer outro réptil), esturjões ou tubarões foi encontrado. Na verdade, o que encontraram foi muito DNA de enguias, que são comuns no lago.
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Segundo Gemmell, ‘a grande quantidade de material não nos permite descartar a possibilidade de que hajam enguias gigantes no Lago Ness. Portanto, não podemos descartar a possibilidade de que os que as pessoas vêem e acreditam ser o Monstro do Lago Ness seja uma enguia gigante”. Ou então uma grande quantidade de enguias pequenas.
Outras explicações para os registos visuais sugerem que as testemunhas tenham confundido o monstro com os esturjões que abundam no lago e que, graças à sua estranha aparência, possam ter causado confusão. Há ainda quem relacione os registos visuais com libertação de gases da falha tectónica que modela o lago, que podem chegar à superfície sobre a forma de bolhas.

Em Julho de 2003, uma equipe da BBC realizou uma investigação exaustiva na zona, com o fim de determinar de vez a existência ou não do monstro. O lago foi percorrido de uma ponta à outra por mergulhadores e cerca de 600 sonares sem qualquer resultado. A BBC concluiu que o monstro não existe, mas nem isto desalentou os defensores de Nessie.
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Com ou sem monstro, o lago continua sendo uma atração turística. E segundo Chris Taylor, da VisitScotland (organização que promove o turismo no país), a pesquisa não irá prejudicar o mistério, e o turismo, da região: “os resultados irão fornecer uma nova perspectiva sobre o ecossistema, mas questões ainda permanecerão em aberto e os visitantes, sem dúvida, continuarão sendo atraídos ao lago para procurar as respostas por conta própria”.
O mistério do monstro de Loch Ness, que continua vivo e insolúvel, é uma lenda que alimenta uma indústria turística que envolve valores muito elevados. Jocosamente, os habitantes da região afirmam que Nessie existe, mas só surge depois do "terceiro whisky"...


















