
Como criar seu próprio Santo Sudário
A imagem do Sudário não só pode ser reproduzida, como de fato já foi reproduzida um sem-número de vezes.
Para quem não conhece, o Sudário de Turim é um pedaço retangular de pano onde se pode ver a imagem tênue de um homem magro, cabeludo e barbudo, frente e verso. Um dado curioso é que a imagem aparece mais bem-definida quando vista em negativo fotográfico do que em sua coloração original. Alguns devotos católicos acreditam que se trata da mortalha que envolveu Jesus após a crucificação, mas a Igreja Católica, enquanto instituição, não tem opinião oficial a respeito. O consenso científico é que se trata de uma pintura, realizada por um artista anônimo, por volta de 1350.
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O cientista italiano Luigi Garlaschelli afirma ter reproduzido o Sudário de Turim, pedaço de tecido de linho que muitos cristãos acreditam ser o tecido usado no enterro de Jesus. De acordo com o cientista, sua experiência prova que o tecido não passa de uma peça falsa produzida na época medieval.
A peça de tecido mostra a parte da frente e de trás de um homem com cabelos longos e braços cruzados, e quase todo o tecido é marcado com o que acredita-se ser marcas de sangue de ferimentos nos pulsos, pés e na lateral do corpo.O Sudário mede mais de quatro metros de altura.
O tecido foi datado com testes de carbono-14 em 1988, que mostraram que ele foi produzido entre 1260 a 1390. Entretanto, até o momento, cientistas não conseguiam provar como a imagem tinha sido deixada no linho.
Garlaschelli e sua equipe fizeram uma reprodução em tamanho real do Sudário utilizando materiais e técnicas disponíveis na época medieval. A experiência foi feita colocando o linho sobre o rosto de uma pessoa – que usava uma máscara, e depois esfregando o tecido com um pigmento com traços de ácido.
É real ou falso? |
Depois disso, o pigmento foi envelhecido artificialmente ao aquecer o tecido e ao lavá-lo, o que deixou a superfície ainda pigmentada, mas com uma imagem imprecisa, similar à do Sudário. Garlaschelli acredita que o pigmento do tecido original ficou mais suave com o passar do tempo.
Depois disso, a reprodução do Sudário recebeu a aplicação de marcas de sangue e de queimaduras, além de marcas de água, para ficar com o efeito final.
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Muitos cristãos que acreditam na autenticidade do Sudário contestaram os resultados dos testes feitos em 1988, afirmando que o tecido havia sido contaminado pelas restaurações realizadas nele por muitos séculos. “Se eles não acreditam no teste de carbono feito por alguns dos melhores laboratórios em todo o mundo, não irão acreditar em mim”, afirma Garlaschelli.
O cientista recebeu financiamento de uma associação de ateus e agnósticos, mas afirma que isso não teve efeito sobre os resultados da experiência: “Isto foi feito cientificamente. Se a igreja quiser financiar um trabalho semelhante no futuro, estou à disposição”, diz o pesquisador.
A Igreja Católica não afirma mais, como já sustentou no passado, que o Sudário é autêntico, mas diz que ele serve como um lembrete da vida e morte de Cristo. A peça fica guardada em uma catedral em Turim, na Itália, e é raramente exibida.

De quando em quando cientistas realizam baterias de testes para descobri a procedência do Santo Sudário, um tecido de linho com 4,5 metros de comprimento e 1,1 metros de largura, que teria, segundo a igreja, coberto o corpo de Cristo após a crucificação. A grande “pista” seria a marca impressa no tecido, que mostra uma figura similar a imagem que se construiu de Jesus, com inclusive ferimentos equivalente ao que o Cristo teria vivido em seu calvário. Historicamente, no entanto, os testes e procedimentos científicos jamais comprovaram a origem, a idade ou mesmo a equivalência dos ferimentos marcados, estabelecendo assim uma das mais longevas polêmicas da modernidade. Recentemente mais uma bateria de testes foi realizada – e novamente os resultados sugerem que o pano não é sagrado, e que as marcas no tecido não correspondem a ferimentos humanos.
De fato, a primeira investigação documentada sobre o Sudário – realizada pelo bispo local de Lirey, Henri de Poitiers, ainda no século 14 – concluiu que se tratava de uma pintura.

Há quem alegue que é impossível recriar a imagem do Sudário por meios técnicos ou artísticos, logo ela deve ser sobrenatural ou um produto de “impressão vaporográfica” (sangue, suor, urina, etc., vazando de um cadáver e marcando o pano). A explicação “vaporográfica” teve alguma voga cerca de 100 anos atrás, mas ninguém a leva mais a sério hoje em dia.
A verdade é que a imagem do Sudário não só pode ser reproduzida, como de fato já foi reproduzida um sem-número de vezes, e com diferentes técnicas. O que se pode dizer é que nenhuma técnica artística e manual jamais reproduzirá a imagem do Sudário exatamente e em todos os seus detalhes, mas até aí nenhuma técnica manual jamais reproduzirá nenhuma obra de arte – seja a Mona Lisa ou os rabiscos do meu sobrinho – com 100% de fidelidade, ainda mais quando se começam a levar em conta características físico-químicas peculiares, adquiridas e fixadas por vicissitudes ao longo da história particular de cada objeto.
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Controvérsia
Em campos opostos encontram-se os crentes que explicam o tecido como a mortalha de Jesus e os céticos que o consideram uma falsificação do século XIV.[38] Ambos os campos utilizaram diversos tipos de argumentação científica para provar as suas teorias. Segue-se um resumo dos argumentos a favor e contra.
Cientistas, pessoas crentes, historiadores e escritores divergem com respeito ao local, à data e à maneira como esta imagem foi criada. De um ponto de vista religioso, em 1958 o papa Pio II aprovou a associação da imagem e a celebração anual em sua homenagem na "terça-feira do Sudário" com a devoção à face sagrada de Jesus dentro da fé Católica Apostólica Romana. Alguns acreditam que a imagem gravada nas fibras do Sudário se produziu no momento do sepultamento do corpo de Jesus Cristo ou pouco antes do que se acredita como a sua ressurreição. Céticos, entretanto alegam que o sudário consiste em uma falsificação medieval. A acusação de falsificação é tão antiga como o próprio sudário e foi lançada até pelos arcebispos de Troyes contemporâneos da sua descoberta. Um deles, Pierre d’Arcis, escreveu mesmo ao papa detalhando os pormenores da impostura que considerava ser uma forma ardilosa de roubar dinheiro de peregrinos piedosos.[24] Outros atribuem a formação da imagem às reações químicas e outros processos naturais.









Comparação do Sudário de Turim original (esquerda) com a réplica moderna
O sudário que se afirma mostrar o rosto de Jesus (esqueda)
e a réplica mostrando o rosto de um estudante.








