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Mito ou realidade: pessoas idosas têm “cheiro de velho”?

"Cheirando a velho", o odor corporal que começa aos 30

Os odores corporais mudam com o passar dos anos. Mas eles não são necessariamente desagradáveis. Não tem como escapar: após os 60 anos, uma série de alterações na estrutura e no funcionamento da pele faz mesmo nosso cheiro mudar. Pessoas com o olfato apurado chegam a notar um aroma específico em indivíduos mais velhos.

Mesmo sem usar aqueles perfumes que fazem sucesso entre os mais velhos, idosos podem, sim, ser identificados pelo cheiro. Em artigo publicado no periódico PLoS One, uma equipe de pesquisadores dos Estados Unidos explica que nosso odor corporal passa por mudanças químicas conforme envelhecemos.

“Mudanças similares foram verificadas em diversas espécies de animais e, acredita-se, facilitam o reconhecimento da idade de um indivíduo baseado em seus odores”, relatam os cientistas.

Para verificar se o fenômeno ocorria entre humanos, eles coletaram amostras de odor de três grupos diferentes: jovens (de 20 a 30 anos), adultos de meia-idade (de 45 a 55 anos) e idosos (de 75 a 95 anos). Feito isso, convidaram 41 voluntários jovens para analisar e distinguir os materiais.

As amostras colhidas de idosos foram classificadas como “menos intensas e menos desagradáveis do que aquelas de doadores jovens e de meia-idade”. “Os participantes foram capazes de classificar corretamente os odores corporais de doadores idosos, mas não os dos outros grupos”, apontam os pesquisadores.

Quem convive com idosos, já percebeu que, à medida que vão ficando mais velhos, eles exalam um odor bastante característico (e não, necessariamente, ruim). Embora esse cheiro seja reconhecido em muitas culturas, médicos e pesquisadores ainda não conseguiram explicar exatamente quais são suas causas.

Até agora, o que os cientistas sabem é que, de maneira geral, os odores corporais humanos são produto de uma interação complexa entre as glândulas da pele, secreções e atividades bacterianas que sofrem mudanças ao longo do tempo.

No caso dos idosos, o cheiro pode ser produto de um mix de alterações químicas, desaceleração do metabolismo, ingestão de medicamentos constante e estilo de vida.

Alterações químicas

Em 2000, um grupo de pesquisadores japoneses descobriu que a concentração de uma substância química chamada 2-nonenal (encontrada no suor e na pele) aumenta à medida que envelhecemos. Curiosamente, o 2-nonenal também está presente na cerveja.
Os cientistas analisaram o teor da substância na camisa de 22 pessoas, entre 26 e 75 anos. Nos indivíduos com mais de 40 anos, a concentração de 2-nonenal no tecido era duas vezes maior do que no dos mais jovens.
Nos mais velhos, a concentração triplicava.

O que eles especulam é que esse crescimento pode estar relacionado às mudanças do metabolismo ou de alterações na quantidade de algum outro produto químico nas secreções da pele.

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A diferença do suor é que o 2-nonelal não é solúvel na água.

Mas, ele não sai com o banho? Os lipídeos não são solúveis na água. Daí, esse odor desagradável não é tão simples de ser eliminado. É essa sua diferença do suor que não passa de um caldo aquoso de substâncias e de bactérias com vontade de dissolvê-las. Um pouco de água e sabão, elimina o suor com facilidade.
Como se fosse uma película de ficção-científica, só há uma maneira, até agora, de deter a ação do 2-nonelal - neutralizando-o. A maneira mais barata e natural de conseguir essa proeza é usar um extrato de caqui que pode ser feito em sua casa. Lave as mãos, os frutos e tudo que usará. Descasque os caquis, cuidando para separar bem a casca da polpa. Pegue um copo e uma peneira e comece a espremer as cascas dentro dela. Após alguns segundos, perceberá a liberação de um pouco de extrato oleoso. Na Europa, lançaram um produto feito com micro-organismos do fundo do mar com a mesma capacidade do extrato de caqui, é denominado "Prima-Derm". No Japão, a companhia Mirai Clinical vende extrato de caqui na forma de sabonetes e de desodorantes.

O uso constante de medicamentos e as alterações no metabolismo também podem ser um dos motivos.

“Algumas doenças crônicas, como a insuficiência renal, faz com que o indivíduo exale um cheiro característico por conta do excesso de amônia no corpo, por exemplo. Em muitos casos, não é preciso nem desenvolver uma doença. O próprio processo de envelhecimento faz com que os órgãos operem com reserva funcional, causando muitas mudanças no metabolismo”.

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A perda de nossa capacidade olfativa nos impede de notar esse odor.

Se está perguntando o que faz a natureza para nos avisar desse mal odor, a resposta é desanimadora. À medida que envelhecemos, perdemos capacidade olfativa. Pouco a pouco deixamos de sentir o odor de alguém próximo e também a fragrância de uma rosa do jardim.
Concretamente, à partir dos 70 anos a perda do olfato é tão notável que quase somos tão imunes ao mal odor como as crianças menores de 8 anos, que não se alteram ao entrar no banho ou com as ventosidades de seus amigos. Cientistas franceses explicam essa mudança com a idade pela perda de fibras olfativas e a morte de neurônios encarregados de processar os odores, dois processos naturais do envelhecimento. Não se chateie, à partir de agora, se seus parentes idosos se excedam com perfumes ou colônias. Eles não percebem o exagero.