Cultura e Entretenimento

Expressões Populares

Descubra os Significados e suas Origens

O objetivo principal da linguagem é a comunicação, mas é a forma como a usamos que pode dar intensidade, beleza, humor, poesia e brilho ao que queremos dizer. Existem algumas expressões populares que fazem parte de nosso dia a dia e que a gente nem imagina como surgiram e, muitas vezes, nem o que significam.

São aquelas que têm um dublo sentido, um significado oculto por trás das palavras e que se referem a coisas que só quem nasceu aqui (ou onde os ditados tiveram origem) entendem.

Fazer vaquinha

Como todo bom brasileiro, essa é uma das expressões populares que mais devem fazer parte da sua vida. Mas, esse não é um ditado atual.

A expressão foi criada pela torcida do Vasco, na década de 1920, quando os torcedores arrecadava dinheiro para distribuir entre os jogadores, caso vencessem o jogo com um placar histórico.

Quando a arrecadação era boa, diziam que conseguiram “fazer uma vaca”, ou seja, juntar um valor de vinte e cinco mil-réis, que era o prêmio máximo da época. Com o passar do tempo, a expressão “fazer uma vaquinha” começou a ser utilizada sempre que um grupo de amigos se unia para organizar uma festa ou comprar algo.

Quebrar um galho

A expressão quer dizer resolver ou ajudar a resolver um problema. Também pode significar fazer um favor para alguém ou improvisar. Um quebra-galho pode ser uma pessoa, uma coisa ou uma maneira para resolver situações complicadas.

Pelo dinamismo presente no idioma, torna-se difícil ter certeza da origem de algumas expressões. Para a expressão “quebrar um galho” é perfeitamente possível pensarmos sobre galhos que obstruem um caminho, por exemplo, e quebrá-los facilitaria avançar por uma estrada. Mas, não é exatamente isso que a história nos diz. Uma das possíveis origens dessa expressão, indica que o “galho” é um rio que compõe uma bacia hidrográfica, e “quebrar o galho” seria como criar um atalho para chegar ao rio principal. A outra, em referência às religiões de matriz africana, traz a figura do Exu Quebra-Galho, que seria o responsável por separar e unir casais.

Quebra-galho

Pessoa ou recurso que permite a resolução rápida e improvisada de um problema ou de uma situação difícil.

Exemplo: Arte Além de vender materiais básicos de construção, a loja funciona como um quebra-galho para os moradores do entorno.

Ser uma mão na rodaDa expressão, acredita-se que, antigamente, como os meios de transporte contavam com tração animal e as estradas não possuíam pavimentação, quando atolavam, nada melhor do que uma “mão na roda” para resolver o problema.

Ajuda importante, de muita utilidade. Exemplo: “O aplicativo é uma mão na roda para quem precisa estudar em casa”.

Tirar água do joelho

Essa é uma expressão com uma origem incerta, e a gente entende, desde que o mundo é mundo, que as pessoas têm necessidades fisiológicas. Mas há algumas explicações, a primeira afirma que se trata apenas de um eufemismo, uma expressão para amenizar o ato de urinar. Outra, que vem do fim do século XIX, refere-se à criação de mictórios no Rio de Janeiro, que, dependendo da perspectiva, davam a impressão de que a pessoa estava “tirando água do joelho”, e vamos combinar, se pensarmos na expressão literalmente, é bem engraçado.

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Amigo da onça

O Amigo da Onça era um personagem de cartoons e histórias em quadrinhos criado por Péricles de Andrade Maranhão e publicado em um cartoon pela primeira vez na revista O Cruzeiro em 23 de outubro de 1943. A charge circulou de 1943 a 1961 e se tratava sobre uma pessoa que sempre dava um jeito de levar vantagem sobre as outras, colocando seus amigos em situações embaraçosas.

Sempre levando vantagem sobre os outros e colocando seus amigos em situações embaraçosas, o Amigo da Onça é a inspiração para a expressão utilizada até hoje.

Paredes têm ouvidos

Esse dito também encontrado em outros idiomas, como alemão, francês e chinês, remonta a um antigo provérbio persa que diz “As paredes têm ratos, e ratos têm ouvidos”.

Um registro similar é encontrado no clássico medieval The Canterbury Tales, em que o autor, Geoffrey Saucer, descreve que “aquele campo tinha olhos, e a madeira tinha ouvidos”.

Outra versão conta que a rainha Catarina de Médicis, esposa católica de Henrique II (rei da França) e perseguidora implacável dos huguenotes, protestantes franceses, fez furos nas paredes do palácio real para poder ouvir as pessoas das quais suspeitava.

Chá de cadeira

A origem da expressão “chá de cadeira” data da época da independência do Brasil. Foi um dos grandes e nada sutis diferenciais e distanciamentos inseridos entre os fidalgos e seus súditos. Falar com o Senhor Fulano, ou Senhor Beltrano, por mais que não houvesse nenhum contratempo, era uma missão que poderia levar horas na sala de espera. Nesse momento, servia-se chá para passar o tempo, que começou a ser chamado de chá de cadeira.

Tirar o cavalinho da chuva

A origem dessa expressão é de antes do século XIX, quando o meio de transporte mais comum ainda era o cavalo. Nessa época, quando a pessoa chegava à casa de outra, já era possível saber se a intenção era fazer uma visita rápida, ou se a conversa se estenderia um pouco mais. Se o visitante estivesse pensando em sair logo, deixaria o cavalo na frente da casa. Caso fosse demorar, colocaria o animal em um lugar abrigado do sol ou da chuva. O que poderia acontecer era de o anfitrião apreciar a visita e não querer que o visitante o deixasse tão cedo, assim sugerindo que ele “tirasse o cavalinho da chuva”, pois demoraria mais. A expressão se popularizou e hoje é utilizada amplamente.

Chutar o balde

A expressão chutar o balde tem duas origens estudadas e possíveis, uma delas refere-se ao enforcamento, quando os carrascos chutavam o balde ou outro objeto a fim de “tirar o chão” do condenado e deixá-lo suspenso. A outra, é sobre o descontentamento das vacas no momento da ordenha, quando elas chutavam o balde.

Falar pelos cotovelos

A origem, talvez, nos remeta à imagem acima. Geralmente uma pessoa que costuma falar bastante e com desenvoltura, também gesticula de forma ampla, dando a impressão de que além de falar com a boca, e se expressando com as mãos, também fala pelos cotovelos (que para piorar são dois!).

Lágrima de crocodilo

A expressão "lágrima de crocodilo" é usada geralmente para simbolizar um choro fingido ou hipócrita. Ela surgiu devido ao fato do animal derramar lágrimas enquanto come sua vítima, pois o ato de mastigar faz com que ele pressione suas glândulas lacrimais.

Outra situação em que o crocodilo chora é quando ele fica muito tempo fora da água, fazendo com que suas glândulas fabriquem secreção lacrimal para lubrificar os olhos.

Estar com a faca e o queijo na mão

Ter ou estar com a faca e o queijo na mão significa ter consigo todas as ferramentas e os elementos necessários para resolver uma situação. O que fica faltando, nesse caso, é uma atitude do indivíduo com relação a isso.

Bater as botas

A possível origem da expressão “bater as botas” pode ser uma referência à guerra do Paraguai, quando, ao serem atingidos, os combatentes caíam, batendo com uma bota na outra. Ou também pode indicar a falta de intimidade com as roupas e os armamentos que pode ter ocorrido durante a invasão dos holandeses ao Brasil, fato que colocava os lutadores locais em uma posição vulnerável, visto que “batiam as botas” e se tornavam alvos fáceis para serem abatidos.

Mala sem alça

Não existem estudos capazes de assegurar a origem da expressão “mala sem alça”, porém, é possível inferir que se trata exatamente da metáfora de uma mala, justamente, sem alça. Quando tem a alça, pode ser fácil de carregar, prática, que torna a vida da pessoa mais fácil. Imagine-se na seguinte situação: aeroporto cheio ou rodoviária lotada e você com uma mala imensa, pesada, cheia de coisas que precisa levar, mas não tem... alça. Isso torna a tarefa difícil, parece que aumenta o peso e causa um incômodo. A mesma coisa acontece com uma pessoa que é mala sem alça. A expressão já ganhou variações e graduações, a pessoa pode ser só “mala” ou “mala sem alça e sem rodinha”.

Procurar pelo em ovo

Você não vai acreditar, mas procurar pelo em ovo é praticamente a mesma coisa que procurar chifre em cabeça de cavalo. Também se trata de uma metáfora para justificar ou melhor, explicar, a situação de procurar coisas que não existem, que são sem cabimento.

Custar os olhos da cara

História de pescador ou verdade? A origem mais conhecida dessa expressão faz referência ao espanhol Diego de Almagro (1479-1538), um dos conquistadores da América, que perdeu um de seus olhos quando tentava invadir uma fortaleza inca. “Defender os interesses da Coroa espanhola me custou um olho da cara” teria afirmado o conquistador ao imperador espanhol Carlos I.

Encher linguiça

Alguns estudiosos afirmam que a expressão “encher linguiça” tenha origem na época em que apenas as pessoas mais abastadas tinham condições de comer carne fresca e, sendo assim, colocavam a gordura e tudo aquilo que era rejeitado para servir de recheio para tripas de porcos, ou para “encher linguiça”. A expressão serve para definir as pessoas que embromam, seja em textos ou conversas, colocando palavras ou assuntos sem importância para ganhar tempo ou espaço na folha.

Pagar o pato

Vem da obra Facetiae, do italiano Giovanni Bracciolini (1380-1459). O texto do autor, figura importante no Renascimento italiano, conta a história de um camponês que vendia patos e certa vez uma mulher queria pagar os animais por meio de encontros sexuais com o vendedor. Na história, ambos foram surpreendidos pelo marido (quase) traído, que, sem concordar com o trato, pagou o pato em grana e encerrou a questão.

Salvo pelo gongo

Ao que tudo indica, a expressão teve origem nas lutas de boxe, já que o pugilista prestes a perder pode ser salvo pelo soar do gongo ao fim de cada round.

Mas, claro, existe uma outra explicação possível e mais bizarra que fala sobre uma invenção chamada “caixão seguro”. Esse tipo de urna era usado por pessoas que tinham medo de ser enterradas vivas e que encomendavam caixões com uma corda ligada a um sino fora da sepultura. Se elas acordassem, poderiam dar sinal de vida e ser retirada da cova.

A cobra vai fumar

Durante o governo de Getúlio Vargas, em plena 2ª Guerra Mundial, o Brasil tentava se aproximar dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, da Alemanha. Então, passaram a dizer por aí que seria mais fácil uma cobra fumar que o Brasil entrar na guerra.

Mas, a verdade é que acabamos no meio do conflito, apoiando os Estados Unidos. Em resposta aos boatos desaforados, os soltados brasileiros da Força Expedicionária adotaram então como símbolo um escudo com uma cobra fumando.

Chorar sobre o leite derramado

Diz-se que essa expressão tem origem na fábula A Camponesa e o Balde de Leite, que conta a história de uma camponesa que está indo à cidade levando sobre a cabeça um balde de leite para vender e, no caminho, ela vai pensando no que fará com o dinheiro da venda do leite. Mas, como está desatenta, acaba tropeçando e caindo, derramando o leite e chorando sobre o líquido derramado.

Moral da história: não contar com algo que ainda não se tem, caso contrário, não adianta chorar pelo leite derramado.

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De meia-tigela

Quando dizemos que algo é “de meia-tigela” estamos nos referindo a algo sem qualidade e/ou insignificante.

O origem da expressão tem por base a época da monarquia portuguesa. Durante esse período, os funcionários da realeza eram alimentados de forma que a quantidade de comida recebida fosse proporcional à função desempenhada.

Assim, enquanto os funcionários com cargos de hierarquia mais alta comiam uma tigela inteira, os de hierarquia mais baixa comiam apenas meia tigela.

Cavalo dado não se olha os dentes

A expressão significa que quando se recebe algo, não se deve fazer exigências, nem cobranças nem questionamentos sobre aquilo que é recebido.

A origem da expressão está relacionada com a comercialização de cavalos. Antigamente, os compradores tinham o hábito de observar a arcada dentária do animal antes de fechar negócio.

No que diz respeito à expressão, a ideia é uma analogia: assim como seria indelicado por parte de uma pessoa que ganhasse um cavalo ficar verificando os dentes do animal para saber se ele é jovem, adulto, etc., também seria indelicado que uma pessoa presenteada ficasse fazendo questionamentos sobre o presente recebido.