Cultura e Entretenimento

Avanços tecnológicos herdados das grandes guerras

Coisas que não teríamos hoje sem sem os esforços de guerra ocorridos nos grandes conflitos

Guerras sempre causam sofrimento. Além das mortes em campos de batalha, esses eventos costumam causar misérias e fazer muitas vítimas indiretas. Mas, apesar disso, as guerras também fomentam a indústria tecnológica, criando máquinas e serviços que acabam sendo incorporados pela população civil, anos ou décadas mais tarde.

Tanques, aviões e gases, as inovações da Primeira Guerra Mundial. Aviões de combate, tanques, submarinos e gases tóxicos entraram em cena durante a Primeira Guerra Mundial, em um trágico reflexo da corrida armamentista entre os países beligerantes de 1914 a 1918, na tentativa de dizimar o inimigo.

Outros avanços médicos que ganharam mais força durante a Segunda Guerra incluem a transfusão de sangue e a medicina aeroespacial, que possibilitou aos pilotos voarem seguramente a altitudes elevadas e por um longo período de tempo.

Completando a primeira década da era espacial, uma das principais contribuições científicas da Guerra Fria viria em outubro de 1958 com a criação de uma das mais ilustres filhas do conflito: a NASA, a agência espacial norte-americana.

Submarinos, tanques, encouraçados e capacetes - 1ª Guerra MundialOs dois lados tinham desenvolvido os tanques, mas os alemães não fizeram fé nos blindados, ao contrário dos franceses, que se equiparam rapidamente com ágeis tanques Renault. Pelo mar, a guerra naval ganhou o aço, dando início a uma nova categoria de navios de combate: encouraçados. Os alemães, que não quiseram competir com o domínio britânico no mar, construíram, em vez disso, submarinos – chamados de “U-Boot”, abreviação de Unterseeboot – em grande escala.

Enquanto os antigos rifles, espingardas e pistolas ganhavam reforço de modernas armas automáticas de repetição chamadas de metralhadores, os soldados precisaram melhorar sua proteção a essa chuva de balas e muralha de projéteis. A guerra de trincheira os deixava menos expostos, mas era preciso protegê-los lá dentro. O capacete de metal generaliza-se por todos os exércitos em 1915, assim como o uso do arame farpado, para impedir o avanço dos inimigos, que matou milhares de soldados.

Armas químicas e gases tóxicos - 1ª Guerra MundialHoje banido, o uso de armas químicas começou com as forças armadas alemães, mas afetou profundamente as pessoas. Os gases aterrorizaram os combatentes. Tomados pelo pânico, cegos ou asfixiados, milhares morreram em sofrimento.

Os dois lados aperfeiçoaram as armas químicas durante o conflito, mas sempre com o receio de sua técnica ser usada contra eles mesmos. Para se defenderem, os soldados usavam óculos e máscaras de proteção ou improvisavam, cobrindo os rostos com panos molhados. As armas químicas foram responsáveis por menos de 1% das mortes do conflito, mas marcaram a memória.

Aviões e zepelins - 1ª Guerra MundialOs aviões fizeram sua estreia na arena de combate em várias frentes de batalha: eles faziam reconhecimento aéreo de áreas inimigas, realizavam bombardeios intensos, lançavam armas químicas e também combatiam os aviões do inimigo.

O famoso Barão Vermelho, o alemão Manfred von Richthofen, virou uma lenda ao perseguir aviões de reconhecimento britânicos. Outra ameaça mortífera do ar eram os zepelins alemães, que viraram bombardeiros formidáveis numa época em que não havia ainda baterias antiaéreas.

Granadas - 1ª Guerra MundialEmbora as primeiras granadas de mão remontem ao século 7, à época do Império Bizantino, na época elas eram pouco mais do que hoje chamaríamos de coquetel molotov. A partir daí, o artefato passou por evolução, e mesmo no começo da Primeira Guerra, as chamadas granadas eram meramente bombas atiradas em vidros de geleia.

O atual formato oval, parecido a um abacaxi e dotado de um pino, foi desenvolvido por britânicos na Primeira Guerra. Especificamente, este design é atribuído a William Mills. Na época, eram chamadas bombas de Mills. Só a fábrica de Mills construiu 75 milhões de granadas para a guerra.

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Controle de tráfego aéreo - 1ª Guerra MundialFoi na Primeira Guerra Mundial que o exército americano instalou o primeiro rádio de comunicação dos pilotos com a torre de controle. Até então, não existia nenhum tipo de contato e os pilotos permaneciam isolados durante todo o percurso de voo.

Inteligência e espionagem - 1ª Guerra MundialO uso das transmissões criptografadas dos alemães incentivou uma contraofensiva britânica para quebra desses códigos. O avanço dessas técnicas levou à criação de um serviço de inteligência que recrutava voluntários de vários países da aliança.

O serviço secreto britânico já tinha sido criado em 1906, quando as relações com a Alemanha pioraram. Uma lenda da espionagem se fez na Primeira Guerra Mundial: Mata Hari (foto), uma dançarina holandesa exótica fuzilada, acusada de ser espiã.

Joseph H. Pilates nasceu na Alemanha, raquítico e asmático, mas não desistiu de praticar esportes. Emigrou para Grã-Bretanha em 1912, e quando a guerra estourou, ele foi para um campo de prisioneiros. Lá incentivava os colegas de prisão a se exercitarem. Usando molas de colchão e faixas das camas, ele desenvolveu o método hoje mundialmente famoso. Mais tarde, ele imigrou para os Estados Unidos.

Produção em massa de antibiótico - 2ª Guerra MundialCom os terríveis ataques doenças como Sífilis e Gonorreia durante a Segunda Guerra Mundial, a penicilina passou a ser produzida em massa no intuito de tratar milhões de pacientes. Desde então foram surgindo cada vez mais medicamentos em grandes quantidades.

Absorvente - 1ª Guerra MundialDurante a Primeira Guerra Mundial, os militares precisavam de uma forma mais eficaz para cobrir feridas e fazer a bandagem de soldados, ainda mais em um período em que o algodão se tornava escasso. Em 1914, a companhia norte-americana Kimberly Clark descobriu que a polpa da celulose da madeira poderia virar mais do que simples papel, mas um material cinco vezes mais absorvente que o algodão, e significativamente mais barato, o cellucotton.

Em um tempo em que as mulheres usavam panos e objetos similares para sua menstruação, não demorou muito para as enfermeiras perceberem que o novo papel-absorvente da Kimberly poderia também ser usado com esta finalidade. A empresa redesenhou o produto, transformando-o no absorvente que as mulheres usam hoje.

Chá em saquinhos - 1ª Guerra MundialDescobertos por acaso em 1908 por um distribuidor americano que não soube usar corretamente a amostra de chá enviado por um importador inglês, os saquinhos de chá se popularizaram durante a Primeira Guerra a ponto de fazerem parte da ração dos soldados.

A Inglaterra dominava a seda da qual era eram feitos os saquinhos e o chá que vinha de suas colônias orientais. A apresentação de fibra de papel, porém, não surgiu antes de 1930.

Comida enlatada - 1ª Guerra MundialA indústria de comida industrializada foi uma das que mais progrediu na Primeira Guerra Mundial. A fome era constante. Devido ao conflito, lavouras se perdiam, e a comida fresca era escassa. As grandes potências dependiam da comida de suas colônias, mas isso não era suficiente para alimentar população civil mais as tropas. Comida enlatada era relativamente fácil de produzir e entregar.

Zíper - 1ª Guerra MundialDesde o século 19, as roupas eram fechadas por laços, fitas, argolas e presilhas para tentar manter o frio do lado de fora. Contudo, um imigrante sueco que foi morar nos Estados Unidos, Gideon Sundback é que conseguiu dominar a arte de fechar roupas com o que chamou de “prendedor sem ganchos”.

As forças armadas americanas compraram a invenção, especialmente a Marinha, introduzindo o chamado fecho-éclair em uniformes e botas. Mas a vida civil logo incorporou a nova praticidade.

Zíper - 1ª Guerra MundialNo embalo de uma corrida armamentista pré-Primeira Guerra, o aço inoxidável estava em desenvolvimento para uso militar. O novo tipo de aço era invenção de uma pequena fábrica de armas na cidade inglesa de Sheffield. A nova liga interessou um dos engenheiros, que se dedicou a fazer talheres, apenas como experiência.

Embora não tenha feito bombas, o novo produto fez sucesso na manufatura de aviões, por ser resistente a altas temperaturas. Uma curiosidade: um produto similar estava sendo desenvolvido em Essen, na Alemanha, nesta mesma época.

Forno de micro-ondasQuem costuma esquentar achocolatado ou pão com queijo no micro-ondas pode não imaginar, mas está usando um legítimo produto que surgiu graças à engenharia militar. Durante o início da Guerra Fria, em 1945, o engenheiro americano Percy Spencer trabalhava com a tecnologia de radares, mais precisamente na construção de peças capazes de gerar ondas eletromagnéticas (magnetrons). Durante as muitas horas dedicadas ao serviço, Spencer percebeu que uma barra de chocolates em seu bolso havia derretido.

Não demorou muito para que engenheiro chegasse à conclusão de que o doce havia sido aquecido pelas micro-ondas. Depois disso, as pesquisas prosseguiram e a pipoca foi o primeiro alimento a ser preparado no mundo com a nova técnica.

GPS - 2ª Guerra MundialQuem já acionou o GPS de um smartphone ou do próprio carro na hora de encontrar um endereço também contou com uma tecnologia que deriva de projetos criados com fins militares e para o uso em guerras. A implementação do GPS é baseada, parcialmente, em sistemas de navegação via rádio, como o LORAN ou o Decca Navigator, que foi usado na Segunda Guerra Mundial.

Antes restrito aos militares, o GPS está agora disponível no bolso de muitos civis. Porém, como o sistema é de criação do Departamento de Defesa dos Estados Unidos e atende tanto a militares quanto a civis, a prioridade no uso do GPS é sempre das forças armadas daquele país. Por isso, outras nações têm trabalhado no desenvolvimento de um projeto equivalente ao do GPS, com mais precisão e, é claro, transparência de uso.

Câmeras digitaisDesde o fim da década de 50 que governos do mundo todo têm enviado satélites espiões para a órbita terrestre. Sempre equipados com câmeras potentes e capazes de capturar imagens de territórios inimigos, esses equipamentos observam não apenas a posição de suas tropas, mas também o desenvolvimento industrial de determinada região.

O problema é que, décadas atrás, a única forma de ter acesso a essas imagens era por meio do filme fotográfico liberado pelo satélite periodicamente na atmosfera terrestre. O processo de recuperação do filme era bastante trabalhoso e, muitas vezes, resultava na perda das imagens.

As primeiras imagens sem filme datam de 1965 e foram capturadas pela sonda Mariner 4 na superfície de Marte. O processo fotográfico ainda não era puramente digital, visto que os sensores utilizados capturavam imagens por meio de princípios analógicos televisivos. Como essas sondas sumiriam no espaço e não retornariam à Terra, diferentemente das missões tripuladas que revelavam seus filmes fotográficos, era preciso de uma nova invenção que possibilitasse a transmissão dessas descobertas.

Em 1976, a NASA colocou um fim nesse transtorno e lançou o satélite KH-1 “Kennan”, equipado com uma câmera óptico-elétrica capaz de transmitir as imagens em formatos digitais. Os fundamentos dessa tecnologia estão presentes até hoje nas câmeras digitais usadas por civis do mundo todo.

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ComputadoresO primeiro computador eletrônico do mundo, conhecido como ENIAC, começou a ser desenvolvido durante a Segunda Guerra Mundial, nos Estados Unidos, mas só ficou pronto em 1946, durante a Guerra Fria. Utilizado basicamente para cálculos balísticos, esse “cérebro gigante” — como a imprensa da época se referia a ele — foi peça fundamental no desenvolvimento da bomba de hidrogênio, testada pelo país em 1952.

E se você está irritado com a lentidão ou tamanho exagerado do seu PC, saiba que o ENIAC pesava 30 toneladas, ocupava um espaço de 167 metros quadrados e realizava cerca de 5 mil operações por segundo. Para ter uma ideia, um processador bastante antigo, como o Pentium de 150 MHz, era capaz de realizar 150 milhões de somas por segundo.

InternetAinda durante a Guerra Fria, os Estados Unidos buscavam um meio de comunicação e de armazenamento de dados que fosse descentralizado, isto é, que continuasse funcionando mesmo que parte dele tivesse sido bombardeada. Assim, a ARPA, agência militar especialmente desenvolvida para a criação desse projeto, financiou estudos e pesquisas acadêmicas que pudesse levar à criação da ARPANET, como era chamada a nossa querida internet naquela época.

No início, o acesso a essa rede estava restrito para usos militares, sendo, mais tarde, liberado também para o uso acadêmico. No Brasil, a internet começou nos anos 90, sendo que a comercialização do serviço para o público em geral só aconteceu em 1994. Desde então, temos trabalhado e nos divertido diariamente com essa genuína invenção militar.