Cultura e Entretenimento

Mudanças antagônicas no Fusca

Transformações radicais no fusquinha para o deixarem meio arrogante.

O luxo e a simplicidade. O sofisticado e o singelo. O aristocrático o o popular. O caro o o econômico. O grande e o pequeno. O Rolls Royce e o Fusca. Poderiam carros tão antagônicos possuir algo em comum? Para a japonesa NGK, sim. Ao menos em seus anúncios dos anos 1970, a empresa mostrava a imagem de ambos os modelos e afirmava: “não importa o valor de seu carro, o preço das velas NGK é rigorosamente o mesmo".

E talvez essa propaganda tenha servido de Inspiração para a criação de um dos mais controvertidos kits de transformação do Fusca. Surgido no final dos anos 1960 nos EUA e na Europa, o conjunto moldado em plástico reforçado com fibra de vidro convertia a frente do besouro com as linhas do sofisticado modelo inglês. Moda que acabou chegando também no Brasil, onde a empresa paulistana Multi-Natioral S/A passou a produzir a comercializar o kit sob o nome de Mini-Rolls (distribuído em São Paulo pela Edmorba, enquanto no Rio de Janeiro a tarefa coube à Benauto). Além de mudar o visual, o fabricante destacava como vantagem o aumento da capacidade de carga do porta-malas.

A transformação constituía apenas na substituição do capô original pela peça de fibra, enquanto a falsa grade frontal era feita de plástico ABS. Tudo muito simples e rápido - assim como a reversão ao padrão original, talvez o único ponto Interessante do Kit (ou seria kitsch?).

Mas havia proprietários que iam além, modificando também os para lamas dianteiros para a adoção de faróis duplos, sem falar no alongamento dos componentes traseiros, de modo a adquirir o famoso formato “rabo de peixe". E a extravagância motivou o surgimento de um segundo kit, que substituía a tampa do motor por outra com fixação externa do estepe...

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Mas não foi só o Rolls Royce que serviu de inspiração para alterar a “fisionomia" do besouro. No exterior, existiram Kits capazes de alterar o visual do Volkswagen com ares de carros clássicos das décadas de 1930 e 40. Um deles era o Wunderbug, lançado nos EUA e na Europa no início dos anos 1970. "É mais divertido ser diferente com um kit Wunderbug", díza o anúncio do componente feito em fibra com grade de alumínio, cujas laterais contavam com frisos, harmonizando com o restante da carroceria do Fusca.

Já a empresa americana Super Plus, de São Francisco, fazia o capô para lembrar o Ford 1940. 0 conjunto incluía ainda apliques plásticos imitando madeira para serem colados nas laterais, visual completado por calotas raladas cremadas e pneus de faixa tranca. E existiram outros, como o The CW Plaza feito pela americana Custom Craft Wagon Works. Sem falar que até mesmo o belo Karmann Ghia (por que alguém mudaria suas linhas?) entrou na ciranda, com uma grade frontal que fazia lembrar os modelos da italiana Alfa Romeo.