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Uma biblioteca em um chip, com nanopontos magnéticos


Uma biblioteca em um chip: essa é a promessa dos nanopontos
magnéticos, cristais individuais, formados por poucos átomos cada um,
 e que funcionam  como magnetos nanoscópicos,
podendo armazenar dados digitais. 

Imagine um livro de 400 páginas. Agora imagine não apenas um, mas 2,5 milhões desses livros. Para ajudar, saiba que o acervo bibliográfico da USP (Universidade de São Paulo), que é um dos maiores do mundo, tem pouco mais de dois milhões de livros - e só uma parcela pequena deles tem 400 páginas.

Agora, cientistas acabam de demonstrar uma tecnologia que permite colocar todas as informações desses nossos imaginados 2,5 milhões de livros de 400 páginas dentro de um único chip - e de um chip que caberia na palma da sua mão.

Nanopontos magnéticos

"Nós criamos nanopontos magnéticos que armazenam um bit de informação cada um, permitindo armazenar um bilhão de páginas de informações em um chip de uma polegada quadrada," explica o Dr. Jay Narayan, da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

Nanopontos são ímãs incrivelmente pequenos, fabricados com um único cristal extremamente puro, criando sensores magnéticos que podem ser integrados diretamente em um chip de silício.

Esses nanopontos, medindo apenas seis nanômetros de diâmetro cada um, podem ser fabricados de maneira uniforme, com orientação definida.

Níquel, ferro e platina

Como cada nanoponto é um ímã, ele tem polos norte e sul. Esses polos podem ser invertidos com a aplicação de um campo magnético externo, permitindo a gravação de dados binários, exatamente como nos discos rígidos - só que ocupando uma área muito menor, elevando drasticamente a densidade de dados por área.

A equipe do Dr. Narayan demonstrou a viabilidade da fabricação dos nanopontos e a confiabilidade dos dados magnéticos armazenados neles.

A pesquisa demonstrou a possibilidade de fabricação dos nanopontos magnéticos a partir de cristais de níquel, níquel-platina e ferro-platina, crescidos na forma de um filme fino por uma técnica chamada deposição a laser pulsado.

Leitura do chip-biblioteca

Mas, como se trata de uma forma de armazenamento totalmente nova, as "cabeças de leitura" ainda não estão prontas. Este é o próximo passo da pesquisa.

Os cientistas afirmam que a tecnologia de leitura a laser parece ser a mais promissora para permitir a interação efetiva com os nanopontos de forma a ler seus dados com precisão.

Nanopontos

Existem vários tipos de nanopontos, que estão sendo estudados com várias finalidades. A aplicação de cada um depende de sua composição.

Os nanopontos magnéticos têm grande potencial para uso no armazenamento digital de dados, como agora demonstrado pela equipe do Dr. Narayan, garantindo uma densidade de dados que poderá viabilizar o que ele chama de "biblioteca em um chip."

Pesquisadores coreanos estão utilizando nanopontos de ouro para otimizar o rendimento de células solares.

Os nanopontos de ouro também estão sendo pesquisados para uso em pesquisas biomédicas. Ao contrário dos pontos quânticos semicondutores, eles são solúveis em água, podendo ser úteis para o rastreamento de células in vivo.
 

 

 

 


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