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5 ideias estranhas por trás das descobertas científicas

É fácil pensar que a história humana se desenvolveu devido a cientistas geniais que lutaram contra tudo e contra todos para vencer a ignorância e a superstição gerais. A verdade, no entanto, é muito mais confusa, e muitas vezes mais engraçada.

Alguns dos inovadores mais importantes da história tinham tanto interesse em vodu quanto na ciência, e muitas vezes grandes descobertas da humanidade ocorreram por acidente. Confira, na sequência, exemplos da combinação de gênio e louco que deram certo, e que, querendo ou não, nos fizeram chegar até onde estamos hoje.

1. O fundador da medicina moderna era doido varrido

Enquanto as pessoas têm usado remédios naturais desde o início dos tempos, a ideia de tomar uma pílula produzida sinteticamente é relativamente nova. Afinal, uma coisa é mastigar algumas folhas de coca porque você acha que elas têm a capacidade mágica de curar suas cólicas menstruais; outra é separar e misturar produtos químicos criados artificialmente com o objetivo de resolver o seu problema. Por esse salto gigante no pensamento médico, podemos agradecer a um médico suíço do século 16 chamado Paracelsus.

Antes que você o crucifique pela experiência inovadora citada acima, Paracelsus (pseudônimo de Phillipus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim) realmente foi o primeiro a ter o pensamento genial de que as doenças podem ser causadas por agentes externos, e que esses agentes podem ser corrigidos com a medicação certa. Essas duas grandes inovações abriram caminho para tudo, desde modernos antibióticos a pílulas para emagrecer.

Paracelsus também acreditava que o corpo humano era um pequeno microcosmo perfeito de todo o universo. Segundo ele, não apenas somos feitos dos elementos que compõem as galáxias, mas os sete planetas conhecidos e os sete metais sabidos à época são representados pelos sete grandes órgãos do corpo. E uma boa notícia: se os venenos do espaço são o que causam doenças no interior do nosso corpo, os elementos do espaço também podem curar nossas enfermidades. Bem … isso ainda não foi comprovado.

Mas ele não parou por aí. Partindo da sua forte crença de que o corpo humano é feito do mesmo material que o resto do universo, ele pensou que poderia construir o seu próprio ser humano com os materiais corretos. E foi o que ele fez: cozinhou um pouco de esperma em um tubo de ensaio, colocou a solução dentro de uma pilha de esterco de cavalo e deixou descansar durante quase dez meses. Ao fim do experimento, ele alegou realmente ter produzido uma pessoa igualzinha a nós.

Em outro incidente, Paracelsus convocou uma reunião com os acadêmicos de sua cidade com o anúncio de que ele tinha o segredo mais importante de todos os tempos para compartilhar. Ele apresentou-lhes uma tigela fumegante de cocô humano. Enquanto os distintos cavalheiros saíam correndo, Paracelsus gritou: “Se vocês não querem ouvir sobre os mistérios da fermentação pútrida, vocês são uma vergonha para todos os médicos!”.

2. Urano foi descoberto na busca por homens lunares

Terceiro maior planeta do sistema solar, o distante Urano foi descoberto pelo músico William Herschel em 1781. O que tornou a descoberta possível foi um telescópio de 7 metros (projetado pelo próprio Herschel) e construído com a ajuda de sua irmã Caroline, em seu quintal. Aliás, essa tinha sido a primeira vez que um planeta era encontrado com a utilização de um telescópio. A versão de Herschel mais tarde se tornou o modelo padrão para quase todos os telescópios modernos.

Resumindo, o compositor alemão e sua irmã cantora projetaram e construíram o pai de todos os telescópios espaciais com suas próprias mãos, em seu tempo livre, basicamente só porque eles queriam um. Lembre-se disso mais tarde quando você acabar dormindo com a TV ligada porque está com muita preguiça de se levantar e procurar o controle remoto para desligá-la.

No entanto, Herschel tinha um real interesse para possuir um incrível telescópio no quintal de casa. O que realmente o estimulou foi a sua certeza, absoluta, de que a lua estava cheia de homens lunares, pessoas como nós que no fim do endereço escreviam “Lua”. Sabe aquelas manchas arredondadas na superfície do nosso satélite natural? Sim, de acordo com o Herschel, aquilo eram cidades, que ele acreditava ser possível ver com um grande e poderoso telescópio. Quanto mais Herschel olhava para a lua, mais a lua se parecia com a Terra (para ele).

Eventualmente, Herschel concluiu que todos os planetas abrigam vida. Marte tinha montanhas, oceanos e estações do ano e cada estrela que vemos provavelmente hospedaria milhares de planetas similares à Terra, que por sua vez abrigariam milhares de seres humanos. Falando em estrelas, Herschel não podia ver por que não devemos acreditar que há pessoas vivendo no próprio sol. Em sua mente, o que nós pensamos ser o sol, na verdade, são apenas nuvens alaranjadas que cercam uma esfera perfeitamente habitável. As manchas escuras no sol são apenas buracos nas nuvens, que nos possibilita dar uma olhadinha na casa dos solarianos. Ah, ele batizou as pessoas que moram lá de solarianos.

3. A procura chinesa pela imortalidade resultou na invenção da pólvora

Antes de se tornar a segunda maior economia do planeta e o próximo país na fila para dominar o mundo, a China já inovava ao apresentar à humanidade a pólvora, o princípio de tudo que explode hoje em dia. Embora seja verdade que os chineses inventaram o que viria a ser uma importante fonte de destruição, eles não estavam necessariamente procurando por uma maneira de explodir seus inimigos. Na verdade, os cientistas locais pretendiam encontrar a chave da imortalidade.

A realeza chinesa da época possuía um humilde objetivo: viver para sempre. Por centenas de anos, os alquimistas do país foram incumbidos com a tarefa de criar um medicamento que desse a vida eterna, amém. A procura começou com metais básicos, como o ouro e o mercúrio. As coisas começaram a ficar interessantes quando os alquimistas estudaram enxofre e, particularmente, sua mistura com salitre (nome dado aos sais nitrato de sódio ou o nitrato de potássio) e mel seco. “Alguns aqueceram enxofre, realgar [composto de sulfureto de arsênio] e salitre com mel; resultando em fumaça e chamas, de modo que suas mãos e rostos foram queimados, e até mesmo toda a casa onde eles estavam trabalhando foi queimada”, diz um relato de 850 d.C.

A partir daí, não demorou muito para que um inteligente alquimista descobrisse que a partir dessa combinação explosiva poderiam ser feitos objetos que se lançassem para o céu e lá explodissem, criando um fantástico efeito colorido. Também não se passou muito mais tempo até que um esperto militar ligasse os pontos e começasse a usar a pólvora para assassinar inimigos.

4. O Feng Chui nos deu bússolas magnéticas

Antes de termos GPS em nossos carros – e antes mesmo de termos carros – para nos dizer em qual esquina virar quando precisamos chegar a algum lugar, a humanidade teve que se contentar com nada mais do que mapas e bússolas para orientar a navegação. Entretanto, não subestime a grandiosidade da invenção da bússola. Trata-se de uma tremenda melhoria em comparação com, bem, tentar navegar seguindo as estrelas em uma noite chuvosa. Ou seja, sabendo como a bússola funciona – o ponteiro apontando para o polo sul magnético da Terra, que coincide com o polo norte geográfico (lembra?) -, quem a inventou deve ter sido algum tipo de gênio da navegação, certo?

Que nada. Os chineses originalmente utilizaram a bússola como uma ferramenta para organizar suas casas de acordo com o feng shui. Você conhece a ideia: ajeitar seus móveis para que as boas energias possam fluir livremente pela casa. O ponto é que muito antes de alguém ter o interesse de explorar e conquistar novas terras, os chineses queriam mesmo era viver em paz com o meio ambiente. Para eles, uma convivência pacífica com a natureza significava construir suas casas alinhadas ao eixo norte-sul, coisa em que as construtoras atuais também estão muito interessadas. Só que, para isso, os chineses utilizavam uma colher em um prato.

A colher era feita de magnetita e representava a Ursa Maior, a placa de bronze simbolizava a Terra e o círculo na placa era o céu. Dessa forma, a colher giraria em torno da placa, seu cabo sempre apontado para o sul e, consequentemente, a outra extremidade sempre para o norte. Outra versão da mãe da bússola era feita com um peixinho de madeira que flutuava em uma bacia d’água – uma agulha de metal dentro o peixe o fazia apontar para o Norte o tempo todo.

Foi só depois disso que os exploradores e marinheiros pensaram quão útil seria utilizar esse mesmo conceito para não se perderem, nem morrerem de fome durante expedições. E, com isso, o mundo mudou para sempre.

5. Newton achava que a gravidade era algo mágico

Você não precisa de nós para explicitar a importância histórica de Isaac Newton. Graças a ele, temos 300 anos de orientações sobre como o universo funciona, mais especificamente sobre como a gravidade nos mantém no chão e os planetas em órbita. Sem Newton, não teríamos Einstein, explorações espaciais e tantas outras coisas que, mesmo que não percebamos, dependem diretamente da sua genialidade.

Apesar disso (ou justamente graças a isso), Isaac Newton também era meio louco. E meio bruxo. Ele não se envolvia apenas um pouco com magia negra: Newton na verdade escreveu mais sobre segredos ocultos durante a sua vida do que sobre a física – e sempre foi completamente obcecado por encontrar a pedra filosofal.

Porém, foi na verdade a disposição de Newton para abraçar o espiritual e o oculto que preparou sua mente para a elaboração da lei da gravitação universal. Newton nasceu em 1642 e, na época em que era adulto, todos os grandes cientistas do momento tentavam se afastar das bobagens de superstição da Idade Média. O tempo da alquimia e da astrologia já eram, e toda doença, cor do olho e marca de nascença no formato de Jesus poderia ser explicada racionalmente, mesmo que a ciência moderna ainda estivesse engatinhando. Por isso, quando chegou a hora de explicar os movimentos de planetas, tinha de haver uma explicação física que você pudesse medir, ver ou provar.
Assim, do mesmo modo que as estrelas não poderiam moldar as vidas pessoais dos seres humanos na Terra, nas mentes racionais da época não haveria modo de o sol magicamente influenciar os planetas a um zilhão de quilômetros de distância. Toneladas de hipóteses formuladas por cientistas respeitados eram apresentadas: talvez o universo esteja cheio de pequenas partículas movendo os planetas, ou talvez cada planeta emita determinadas ondas, ou espaço está cheio d’água e os planetas simplesmente boiam nela.

Newton, no entanto, não entrou nessa onda. Para ele, a ideia de “uma força invisível” segurando e movendo os planetas era tão natural quanto aprender a transformar chumbo em ouro ou como usar a Bíblia para descobrir quando o mundo vai acabar. Então, quando ele testou todas as outras teorias de como os planetas se moviam e nada deu certo, Newton decidiu atacar por conta própria um pensamento inovador. Talvez um “espírito não físico” estivesse fazendo todo o trabalho. E eis que ele bolou a clássica equação F=G.m1.m2/r².

Só que, em vez de chamar o que nós hoje conhecemos como gravidade de “espírito”, ele usou o termo “força” e deu à gravidade um nome derivado da palavra em latim para peso. Mas ele nunca conseguiu explicar o que fazia (e continua fazendo) a gravidade funcionar. Por isso, muitos cientistas da época refutaram sua teoria, porque parecia ser apenas magia.

 

 

 


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