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Mães trabalhadoras perpetuam o mito do “homem inútil” para se sentirem mais femininas
  

Um novo estudo da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos, detalhou os sentimentos e ideias das mulheres que trabalham fora quanto a seus companheiros do sexo masculino. As descobertas da pesquisa, realizada com 15 mil mulheres, mostram que as mulheres tendem a considerar os homens preguiçosos como uma forma de superar a culpa que sentem por ter uma carreira em vez de terem os papéis tradicionais de mãe e esposa.

A pesquisadora Rebecca Meisenbach, que realizou o estudo, acredita que esta teoria é reforçada pelo fato que as únicas mulheres que não se sentiam responsáveis por cuidar da casa são aquelas que não têm filhos com idade menor que 18 anos. “O trabalho em casa representa uma interessante sobreposição de controle”, afirma a pesquisadora.

“De um lado, as mulheres descreviam a tomada do controle do trabalho em casa, falando sobre como os parceiros contribuem com as tarefas domésticas, mas quase sempre como uma reposta a um pedido da esposa”, diz Meisenbach. “Todas elas classificam o comportamento do parceiro como uma coisa de gênero, mas ao fazer isso, elas também estavam se classificando como mulheres e mães, e não como ganha-pão da casa”, nota a pesquisadora.

De acordo com ela, as mulheres que trabalham fora e que ganham grande parte da renda familiar continuam a se considerar como as pessoas que enxergam a bagunça na casa, e precisam de um modo de recriar elementos de uma identidade feminina tradicional.

Meisenbach afirma ter descoberto que muitas mulheres gostam do status que têm quando têm a maior renda na casa. “Mais de 60% delas dizem que gostam do controle que sentem, mostrando explicitamente que são diferentes do modelo tradicional de mulher ou até mesmo de amigas que seguem as normas mais tradicionais”, diz.

“Ao apontar que os homens têm que receber ordens ou pedidos para realizar certas tarefas domésticas, estas mulheres estão se certificando que elas ainda têm o papel de gênero como esposa e como alguém que gerencia a casa e os filhos”, explica a pesquisadora. “Direcionando o trabalho feito pelos parceiros, elas mantêm um senso de controle sobre a esfera feminina do lar”, completa.

 

 


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