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Entenda a dor de garganta e saiba como cuidar

O que é Dor de Garganta?

A dor de garganta é uma dor ocasionada pela inflamação na região das mucosas da garganta, o que gera uma sensação de cócegas, de “queimação” na garganta, sensibilidade e irritação.

A dor de garganta é na realidade um sintoma de uma outra doença (resfriado, alergia, faringite, laringite, etc.).

A boca e a garganta constituem quase sempre a primeira etapa para a entrada de corpos estranhos ou agentes infecciosos (vírus, bactéria,...).

As dores de garganta são então em geral, o primeiro sintoma de um resfriado, sendo uma inflamação ao nível da garganta que na maioria dos casos, é benigna, mas muito dolorosa.


Dor de garganta tem causas variadas.

No outono e no inverno uma grande parte da população é afetada pelo menos uma vez com dor de garganta (garganta inflamada). Ar seco e frio ou variações bruscas de temperatura são muitas vezes as causas da dor de garganta.

As amígdalas (palatinas) e as adenóides (amígdalas faríngeas) são estruturas que possuem função de proteção aos tecidos, assim como os linfonodos. Posicionadas estrategicamente nas entradas do tubo digestivo e respiratório, ”combatem” simples bactérias e vírus que entram pelo nariz ou pela boca. Resultam em uma reação inflamatória inicial das amígdalas para que o sistema imunológico produza anticorpos (crie anticorpos e marcadores) contra futuras infecções.

Algumas vezes, o germe responsável não é localizado nas amígdalas, mas pode se estender a outros órgãos, principalmente os rins e o coração.

Tendo em vista que as infecções são freqüentes em crianças (que “conhecem” susbtâncias novas todos os dias), observa-se que o costumeiro inchaço das amígdalas pode bloqueiar a passagem da respiração ou na ventilação das tubas auditivas com conseqüentes otites médias no comum aumento das adenóides, podendo levar essas crianças à necessidade de remoção desses tecidos (adeno-amigdalectomias) .

Esses tecidos linfóides (amígdalas e adenóides) não são os únicos com essa função imunitária nesta região, pois existem "cordões" linfáticos por toda a faringe, não comprometendo a imunidade do indivíduo a eventual cirurgia de remoção destas estruturas anatômicas (adeno-amigdalectomias).

Como ocorrem as dores de garganta e como tratar

Infecções bacterianas causam, em sua maioria, amigdalites ou faringites.

Ao exame encontramos:

- aumento de volume das mesmas,

- vermelhidão

- eventuais placas esbranquiçadas

- verdadeiras úlceras na superfície destas amígdalas.


Dores de garganta

Para determinar o tratamento, o ideal seria coletar material para exame bacteriológico para decidir o tratamento ideal e o melhor antibiótico para a doença. Caso o paciente esteja muito debilitado ou prostrado, pode-se solicitar um hemograma para avaliar a repercussão da doença no organismo.

Os antibióticos devem ser administrados por no mínimo 7 dias; porém os sintomas diminuem em 2 ou 3 dias.

Viroses podem infectar a garganta, mas em geral não possuem capacidade para formar placas brancas e secreções purulentas nas amígdalas.

A mononucleose é a virose que se manifesta na garganta com a maior repercussão sistêmica. Podemos encontrar muitos linfonodos cervicais, dificuldade para deglutir, dores em todo o corpo, prostração e o hemograma se apresenta alterado com predominância de linfócitos (atípicos).

O tratamento de escolha é o repouso e a observação de complicações como por exemplo, hepatite.

A obstrução nasal faz com que as pessoas respirem pela boca. Ao respirarem por ela, não aquecem, não filtram e nem umidificam o ar que colide diretamente com as paredes da garganta gerando “dor de garganta”.

O refluxo gastroesofágico faríngeo "queima" quimicamente a garganta com ácido clorídrico(produzido normalmente no estômago). As bebidas alcoólicas (principalmente as destiladas) também contribuem para desconfortos nessa região.

O fumo, o chá, o chimarrão, o café e outras bebidas quentes também agridem essa região se mantiverem temperaturas superiores à 75 °C.

A poluição é responsável por inúmeros problemas de difícil diagnóstico (e difícil manejo terapêutico, por não ser possível afastar as causas do problema).

A transmissão de uma dor de garganta pode ocorrer, por exemplo, pela tosse ou espirro de uma pessoa infectada, os vírus e as bactérias são transmitidos em pequenas gotículas de saliva. Mãos contaminadas também podem ser uma fonte de entrada para vírus e bactérias que causam inflamação.

Entenda como distinguir uma faringite/amigdalite viral da bacteriana apenas com elementos clínicos

Os sintomas da amigdalites/faringite são:

- Dor de garganta
- Febre
- Dores pelo corpo
- Dor de cabeça
- Prostração

Dor de garganta causada por Faringite viral - Inflamação sem edema de úvula, sem pus ou petéquias.
Dor de garganta causada por Faringite viral
Inflamação sem edema de úvula, sem pus ou petéquias.

Todos os sintomas citados acima são comuns tanto em infecções virais quanto bacterianas, sendo necessários portanto outros elementos para distinguir uma da outra.

Normalmente as faringites virais vêm acompanhadas de outros sinais de infecção das vias respiratórias, como tosse, espirros, constipação nasal, conjuntivite e/ou rouquidão. Infecções respiratórias de origem viral não costumam causar sintomas restritos à faringe ou amígdala. Outra dica é que na faringite viral, apesar da garganta ficar muito inflamada, não é comum haver pus.


Já as amigdalites causadas por bactérias, além de não apresentarem os sintomas respiratórios descritos acima, costumam causar pontos de pus nas amígdalas e aumento dos linfonodos (gânglios) do pescoço. A faringite bacteriana também pode causar edema da úvula e petéquias (pontos hemorrágicos) no palato. A febre da infecção bacteriana costuma ser mais alta que na viral, mas isso não é uma regra, já que há casos de gripe com febre bem alta.

A presença de pus e gânglios aumentados na região do pescoço fala fortemente a favor de uma faringite bacteriana. Entretanto, algumas infecções virais, como a mononucleose infecciosa também podem cursar com estes achados.

Dor de garganta causada por Amigdalite bacteriana com pontos de pus nas amígdalas e inchaço da úvula.
Dor de garganta causada por Amigdalite bacteriana
com pontos de pus nas amígdalas e inchaço da úvula.

A mononucleose é causada pelo vírus Epstein-Barr e costuma se apresenta com febre, amigdalite purulenta e aumento de linfonodos na região posterior do pescoço (ao contrário da amigdalite bacteriana que apresenta aumento dos linfonodos da região anterior do pescoço). Outros sinais e sintomas possíveis são o aumento do baço, perda de peso, cansaço extremo e sinais de hepatite. O quadro de mononucleose pode ser facilmente confundido com uma faringoamigdalite bacteriana. A prescrição de antibióticos, como a Amoxacilina, em doentes com mononucleose pode levar a um quadro de alergia, com aparecimento manchas vermelhas espalhadas pelo corpo.

Como é possivel observar, a distinção entre faringites virais e bacterianas é importante, já que os tratamentos são diferentes. Se houver suspeita de faringite viral, o indicado é repouso, hidratação e sintomáticos. Se o quadro sugerir faringite bacteriana, devemos iniciar antibióticos visando não só acelerar o processo de cura, mas também a prevenção das complicações e da transmissão para outras pessoas da família, principalmente aquelas com contato íntimo e prolongado.


Complicações das faringites/amigdalites bacterianas

Entre as complicações das faringites bacterianas, a principal é a febre reumática, que ocorre principalmente em jovens e crianças.

A escarlatina é uma doença causada pela bactéria Streptococcus. Apresenta-se como faringite, febre e rash difuso.

A glomerulonefrite pós estreptocócica é uma lesão renal também causada pela mesma bactéria Streptococcus. Costuma cursar com hipertensão, presença de sangue na urina e insuficiência renal aguda.

Existe uma tipo de psoríase, chamado de psoríase gutata, que está relacionada a faringites pelo Streptococcus. São lesões de pele que surgem sempre que há uma infecção de garganta, desaparecendo após a sua cura.


Tratamento da dor de garganta: amigdalite e faringite

Para se evitar as complicações das amigdalites bacterianas descritas acima, o tratamento deve ser sempre feito com antibióticos. Na maioria dos casos, em 48h já há uma grande melhora dos sintomas.

O tratamento com antibióticos derivados da penicilina, como amoxacilina, deve ser feito por 10 dias. Nos pacientes alérgicos a penicilina uma opção é Azitromicina por 5 dias. Naqueles doentes com intenso edema da faringe, que não conseguem engolir comprimidos, ou naqueles que não desejam ficar tomando remédio por vários dias, uma opção é a injeção intramuscular de penicilina Benzatina, o famoso Benzetacil, administrado em dose única.

Se os sintomas da faringite bacteriana forem muito fortes, enquanto espera-se o efeito dos antibióticos, pode-se usar anti-inflamatórios para aliviar a inflamação da garganta. Mas atenção, os anti-inflamatórios são apenas sintomáticos, eles não tratam a infecção bacteriana.

A faringites virais normalmente duram apenas quatro ou cinco dias e se curam sozinhas. Não é preciso, nem é indicado, o uso de antibióticos. Se os sintomas forem muito incômodos, pode-se usar anti-inflamatórios por dois ou três dias. De resto, repouso e boa hidratação.

Tratamentos alternativos:

•Mel: Não há nenhum trabalho que tenha conseguido demonstrar benefício do mel.
•Própolis: Apresenta efeito anti-inflamatório pequeno. Funciona muito menos que qualquer anti-inflamatório comum.
•Papaína: Além de não melhorar, em grandes quantidades pode piorar a inflamação.
•Não há trabalhos que provem a eficácia da homeopatia ou fitoterapia no tratamento das faringites. O tempo de doença e a incidência de complicações é igual ao placebo.

Quem quiser alívio sintomático sem tomar muitos remédios, o ideal é realizar vários gargarejos diários com água morna e uma pitada de sal.

A retirada das amígdalas (amigdalectomia) é uma opção nas crianças que apresentam mais de seis episódios de faringite estreptocócica por ano. Como a incidência das complicações é muito menor em adultos, neste grupo a indicação de amigdalectomia é mais controversa, pois existe a possibilidade de não haver melhora, fazendo apenas com que o paciente deixe de ter crises de amigdalites e passe a ter crises de faringites, o que no final dá no mesmo.

Em pacientes com infecções de garganta de repetição podem-se formar criptas (pequenos buracos) nas amígdalas. Estas acumulam cáseo (ou caseum), uma substância amarelada, parecida com pus, que é na verdade restos celulares de processos inflamatórios antigos. O cáseo pode causar mau hálito em pessoas com amigdalite/faringite crônica.

 

 


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