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Velho Tabu: Masturbação faz mal à saúde? Mito ou Realidade?

É só fazer uma rápida pesquisa na Internet pela palavra “masturbação” para que você encontre centenas, se não milhares, de gírias para designar o ato. Esta proliferação de gírias sugere que as pessoas querem falar sobre masturbação, contudo, se sentem desconfortáveis ​​em fazê-lo diretamente. A utilização de termos de comédia fornece uma maneira mais socialmente aceitável para se expressar.
Então, antes de falar mais sobre isso, vamos tentar normalizar um pouco. Masturbação, ou tocar nossos próprios órgãos genitais por prazer, é algo que os bebês fazem a partir do momento em que estão no útero. É uma parte natural e normal do desenvolvimento sexual saudável.
De acordo com uma amostra nacionalmente representativa dos Estados Unidos, 94% dos homens admitem se masturbar, assim como 85% das mulheres. Porém, as perspectivas sociais da masturbação ainda variam muito e há mesmo alguns estigmas em torno da prática dela.

Relacionados com este estigma estão os muitos mitos sobre masturbação, mitos tão ridículos que chega a ser incrível que alguém ainda acredite neles (como masturbação causa cegueira e loucura, masturbação pode fazer órgãos sexuais caírem, e masturbação causa infertilidade).
Mas a realidade é bem diferente. Na verdade, a masturbação tem muitos benefícios à saúde. Para as mulheres, a masturbação pode ajudar a prevenir infecções cervicais e infecções do trato urinário por meio do efeito “tenda” ou “balão”, como é conhecida a abertura do colo do útero que ocorre como parte do processo de excitação. O efeito tenda estende do colo e, portanto, o muco cervical. Isso permite a circulação de fluídos, permitindo que fluídos cervicais cheio de bactérias sejam eliminados.
A masturbação ainda pode reduzir o risco de diabetes tipo 2 (embora esta associação também possa ser explicada por uma saúde melhor, em geral), e a insônia através da liberação hormonal e de tensão, e aumentar a força do pavimento pélvico através das contrações que ocorrem durante o orgasmo.
Para os homens, a masturbação ajuda a reduzir o risco de câncer de próstata, provavelmente dando à próstata a chance de expulsar agentes causadores de câncer em potencial.

Ela ainda melhora o funcionamento do sistema imunológico, aumentando os níveis de cortisol, que, em pequenas doses, pode regular o funcionamento deste sistema. Também reduz a depressão ao aumentar a quantidade de endorfinas na corrente sanguínea.
Além disso, a masturbação pode impedir indiretamente a infertilidade por proteger as pessoas de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) que podem levar à infertilidade – afinal, você não pode dar a si mesmo uma destas infecções.
Um benefício final para masturbação: é o método mais conveniente para maximizar orgasmos. E há uma abundância de benefícios adicionais com orgasmos, em geral, incluindo a redução do estresse, redução da pressão sanguínea, aumento da autoestima e redução da dor.
Do ponto de vista da saúde sexual, a masturbação é um dos comportamentos mais seguros. Não há risco de gravidez ou proliferação de doenças sexualmente transmissíveis, não há nenhum risco de decepcionar um parceiro ou a ansiedade sobre o seu desempenho, e não há nenhuma bagagem emocional.

E, apenas a um braço de distância, a masturbação pode ser mútua. Masturbação mútua (quando os dois parceiros que estão se dando prazer na companhia um do outro) é uma ótima (e segura) atividade para incorporar nas relações sexuais acompanhadas.
Pode ser especialmente boa para começar a aprender mais sobre o que seu parceiro gosta e demonstrar ao seu parceiro o que você gosta. A comunicação aberta com um parceiro vai melhorar a sua vida sexual e relacionamento, mas também é importante para moldar as habilidades de comunicação para as gerações mais jovens.
Falar sobre masturbação também tem benefícios. Promover visualizações positivas do sexo em nossas próprias casas e na sociedade, incluindo a respeito da masturbação, nos permite ensinar aos jovens comportamentos e atitudes saudáveis ​​sem o estigma e a vergonha. Os pais e encarregados de educação que se sentem constrangidos ou precisam de orientação extra para fazer isso devem procurar fontes de informação sexo-positivas, como as de universidades respeitadas.

Muitos mitos envolvem a masturbação, tanto a masculina quanto a feminina. Por esse ato ainda ser, até hoje, um tabu social e religioso, não verdades são passadas adiante, e muita gente acredita.
Masturbação faz mal ou faz bem? Devemos nos masturbar? A masturbação causa doenças? Diminui o desejo sexual?
A maioria dos especialistas concorda que masturbação é uma coisa natural. Muitos estudos, inclusive, apontam que nós nos masturbamos já no útero. Imagens de ultrassom mostram fetos tocando o que seriam seus genitais, em um movimento que os cientistas consideram similar à masturbação.
E, apesar de os pesquisadores ainda não terem conseguido explicar a masturbação do ponto de vista evolutivo, ela deve ter alguma utilidade, pois até os animais a praticam. Quem nunca teve um cachorro pendurado em sua perna?
Cães, gatos, elefantes, esquilos, tartarugas, cavalos, macacos… Muitos animais se masturbam. Mas de forma diferente do homem. Alguns não se masturbam até o orgasmo, enquanto esse parece ser o nosso objetivo na masturbação.
Um estudo com esquilos da África tentou investigar os possíveis benefícios adaptativos da masturbação. Em 2010, os cientistas da Universidade Central da Flórida, nos EUA, descobriram que todos os 20 esquilos machos observados se masturbavam e consumiam o que ejaculavam.
Uma análise dos resultados sugere que a masturbação do esquilo “poderia funcionar como uma forma de aliciamento genital”, porque a saliva tem propriedades antibacterianas, e o ato também poderia reduzir seu risco de pegar uma doença sexualmente transmissível.
A ejaculação também pode servir como um mecanismo mais completo de limpar tratos reprodutivos após o acasalamento. Consumir a ejaculação pode evitar a perda de umidade.
Nos homens, estudos descobriram que a masturbação pode aumentar a contagem de esperma, ao se livrar de sêmen que perdeu a sua vitalidade e, portanto, aumentando as chances de que esperma jovem seja ejaculado durante a relação sexual.
Além disso, especialistas concordam que a masturbação pode ser saudável. O ato pode ser uma maneira de conhecer seu corpo e sentir-se bem, sem correr riscos.

Lendas urbanas

. Masturbação faz mal para a saúde?
Especialistas afirmam que, do ponto de vista médico, não existe qualquer problema na masturbação masculina ou feminina. A masturbação não causa mal nenhum, desde que não seja algo compulsivo. Se a pessoa interrompe sua vida social para se masturbar, ou só consegue pensar nisso, pode ser importante procurar um médico. Caso contrário, não há nada de errado em se masturbar.
  
. Masturbação causa espinha, pelos nas mãos, etc?
Não existe nenhuma evidência científica de que masturbação cause espinha, ganho de peso, impotência sexual, faça crescer pelos nas mãos, cause infertilidade, entre muitos outros mitos que rolam por aí. Bote na cabeça de uma vez por todas: a masturbação não tem consequências físicas comprovadas. E, não, ninguém vai saber que você acabou de se masturbar através de algum sinal físico.
 
. Quantas vezes é normal se masturbar?
Não existe uma quantidade “normal”. Cada pessoa é única e tem que descobrir o que funciona melhor para ela. Vale a regra já mencionada: se estiver atrapalhando a sua vida, se você se sentir mal ou culpado, ou se a masturbação estiver ocupando lugar de relacionamentos sociais, pode ser o caso de procurar ajuda médica. De resto, masturbe-se o quanto você quiser.
 
. Posso usar acessórios para me masturbar?
Poder, pode. Mas médicos e especialistas recomendam que você use somente mãos e dedos. Assim você se explora sem maiores riscos. As pessoas podem se ferir ao usar objetos durante a masturbação. É preciso ter muito cuidado.
 
. Masturbação acaba com desejo sexual e com vontade de fazer sexo a dois?
De forma alguma. A masturbação não acaba com o desejo na hora do sexo com o parceiro ou parceira. Pelo contrário, a tendência é aumentar a libido com o tempo. Para os homens, pode ser difícil se masturbar e querer ter uma relação sexual minutos depois. Eles precisam esperar um pouco para ter outro orgasmo. Para as meninas, no entanto, não há limites. O organismo feminino não precisa do tempo de espera que o masculino exige. Isso por que mulheres não ejaculam. No geral, a masturbação não só não diminui o desejo, como pode aumentá-lo.
  
. Masturbação estimula o desejo sexual?
O ato de se masturbar pode sim ajudar na liberação de fantasias sexuais. A pessoa pode vivenciar as coisas que gosta em sua cabeça, e assim ir se descobrindo e não ficar reprimida na hora do sexo com um parceiro. Isso é bom para estimular o desejo. Quem se masturba conhece melhor o próprio corpo e os seus desejos, logo, é mais confiante sobre o sexo e fica mais relaxado e menos ansioso na hora da relação. Isso vale tanto para a mulher quanto para o homem.
  
. É feio ou errado mulher se masturbar?
Claro que não. O preconceito das mulheres com a masturbação é o que leva muitas delas a crescer sem conhecer o próprio corpo e ter mais dificuldade para atingir o orgasmo. A mulher poderia orientar o parceiro se ela soubesse como alcançar seu prazer máximo. Especialistas recomendam: olhe-se, toque-se. Use um espelho para ver como é seu corpo, como ele funciona, como você reage aos estímulos, etc. Sem medo!

Masturbação e saúde: evidências científicas

Um estudo afirmou que é possível que ejaculações frequentes durante a vida adulta diminuam a chance de risco de câncer de próstata na “melhor idade”, mas até hoje não se achou uma comprovação disso.
Já outro apontou exatamente o contrário: que homens com vida sexual ativa entre seus 20 e 30 anos têm maior probabilidade de desenvolver câncer de próstata no futuro. As chances de desenvolver a doença aumentam se a masturbação for um ato frequente.
Ou seja, quem se masturba muito quando jovem, aos 50 ou 60 anos, tem mais chance de ter câncer de próstata. Os pesquisadores acreditam que isso tem a ver com os hormônios masculinos. Porém, como não é possível afirmar uma coisa ou outra com certeza, a relação entre masturbação e câncer de próstata permanece um mistério.
Mas tem outro caso clínico no qual a masturbação tem um benefício real: no alívio para quem sofre da síndrome das pernas inquietas (SPI). Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) descobriram que a masturbação alivia cerca de 7% a 10% das pessoas que sofrem da condição. Isso pode ser devido a liberação de dopamina após o orgasmo, que pode ser determinante no alívio dos sintomas da doença.

 

 


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