Página Inicial » Temas Polêmicos




 
|06|
 

   
O futuro das religiões


As religiões sempre foram muito importantes para toda humanidade, porque sempre tivemos a necessidade de receitas ou de fórmulas para acessar Deus, em função de nossos níveis de consciência. Mas o homem vem evoluindo e sua forma de ver o divino também.

Nos dias de hoje, percebemos que para o indivíduo moderno, a maioria das religiões não consegue mais explicar com esclarecimento, sensatez e sobriedade, questões como por exemplo: De onde viemos? Para onde vamos? Quem somos? Qual é a nossa missão? Por que sou brasileiro e não jamaicano? Por que sou filho desse pai? Por que sou filho daquela mãe? Por que as pessoas morrem? O que é a morte? O que é o espírito? Como posso transformar a minha realidade de vida? Por que tenho essa realidade de vida? Por que fico doente?

E todas essas são algumas das poucas perguntas que não podem ser respondidas de forma coesa pela maioria das religiões do mundo.

Mas essa não é a única limitação. Muitas pessoas não suportam falar de Deus porque associam esse termo às insanidades ocorrentes no planeta, em que pessoas comuns se mutilam, fazem guerra, tudo para defender seus pontos de vista religiosos.

Chega de tanta ignorância e alienação! O homem precisa sair dessa hipnose insana em que vive quando o assunto é a sua essência divina. Temos que aprender a perceber que somos de natureza espiritual, entendendo as implicações em que isso resulta.

Não foram os Grandes Mestres que criaram as religiões, foram os homens comuns! Suas idéias e lições amorosas sempre foram voltadas a práticas de um estilo de vida orientado à evolução do espírito, sempre de forma leve e bondosa, respeitando, perdoando e amando.

Não existe um Deus que castiga, ou um Demônio que investe nas almas pecadoras, mas um Universo que responde energeticamente a tudo que fazemos.

As religiões foram realmente importantes até os tempos mais recentes na história evolutiva da humanidade, só que precisam encerrar seus ciclos que, diga-se de passagem, são dignos de aplausos (é claro que isso ainda demanda um pouco de tempo). Só que agora, não mais comportam as necessidades e anseios que transbordam do coração das pessoas.

Se elas continuarem assim como estão nos dias de hoje, acabarão por escravizar, tolher e atrapalhar a evolução de seus fiéis, que por sua vez, não devem ser fiéis às linhas religiosas, mas a um estilo angelical de vida. A conduta moral não deve acompanhar apenas escrituras, mas, principalmente princípios de bondade, equilíbrio e amor ao próximo como a si mesmo.

Não existem fórmulas ou métodos perfeitos, não somos capazes de expressar em palavras faladas ou escritas, a divindade universal. Qualquer tentativa, mesmo que bem intencionada e elaborada, ainda que crivada de muita sabedoria, mesmo assim seria um modelo rústico diante da grandeza da mente divina e do Grande Espírito que rege esse universo incrível.

Futuro de Deus: a quem pertence?

O cristianismo é a maior religião do mundo e continua crescendo, mas será superado pelo islamismo ainda neste século.

O século 21 começou com larga vantagem para o Deus do cristianismo sobre os demais. De acordo com o grupo canadense Religious Tolerance, os cristãos correspondiam a exatos 33% da população mundial em 2001 (ano do último levantamento). Depois vinham os muçulmanos (19,6%), seguidos por hindus (13,4%), sem religião (12,7%), adeptos de religiões tradicionais chinesas (6,4%), budistas (6%), sikhs (4%), ateus (2,5%) e judeus (0,2%).

Mas e daqui a 100 anos, o que será de Deus na Terra? As pesquisas mais recentes mostram que o número de cristãos está crescendo - eram 2 bilhões em 2002 contra 558 milhões em 1900 -, mas sua proporção caiu de 34,5% para 32% nesse mesmo período. Avançando a uma taxa de 2,6% anuais (semelhante à média de crescimento da população mundial), o cristianismo será ultrapassado ainda neste século pelo islamismo, que hoje soma 1,2 bilhão de adeptos e cresce, na média, 3% ao ano. Em breve, Alá será o Deus mais popular do planeta.


Tsunami na Europa

Fato: o cristianismo deixou de ser uma religião de brancos europeus. Hoje, mais da metade de seus seguidores são negros de origem africana. "Na Nigéria, há 20 milhões de anglicanos praticantes, 20 vezes mais do que na matriz da Igreja Anglicana, o Reino Unido", diz o historiador britânico Christopher Catherwood.

Metade dos jovens ingleses declara não ser adepta de nenhuma Igreja. Com exceção de Itália, Polônia e Irlanda, a situação é parecida no resto da Europa. Uma pesquisa publicada pelo jornal El País, o mais importante da Espanha, indica que 46% dos espanhóis de 15 a 24 anos se consideram ateus, indiferentes ou agnósticos (incapazes de julgar se Deus existe ou não). Eram apenas 22% em 1994. Além disso, 39% se dizem católicos não praticantes e apenas 10% praticantes. Para o sociólogo Juan González-Anleo, um dos autores do estudo, a mudança foi motivada pela postura da Igreja em temas como sexualidade, aborto e casamento gay.

O islã, por outro lado, vem saindo de seus redutos. Muçulmanos estão vivendo sob governos não islâmicos pela primeira vez na história. Boa parte abraçou o pluralismo religioso, mas uma minoria reage de forma violenta - como demonstram os atentados terroristas de Madri em 2004 e Londres em 2005.

Muitos sociólogos explicam o achatamento do cristianismo na Europa com a teoria da secularização: quanto mais moderna se torna uma sociedade, menos ela precisa de religiões. Mas essa tese não aclara o que acontece nos EUA, onde as pessoas continuam frequentando as igrejas. O sociólogo Franz Höllinger, da Universidade de Graz, na Áustria, tem outra hipótese. "A atitude que uma população tem em relação à Igreja depende do papel que ela teve na história do país."

Höllinger lembra que o clero europeu cristianizou muita gente à força e, historicamente, sempre esteve com os poderosos, apesar do discurso em favor dos mais pobres. Isso comprometeu - e compromete até hoje - a imagem da Igreja na Europa. Nos EUA, foi diferente: os primeiros imigrantes foram perseguidos em sua terra natal por suas crenças e construíram um país onde a religião tem sido importante desde as bases da sociedade. Os presidentes americanos até costumam pontuar seus discursos com referências a Deus - basta escutar os de George Bush e Barack Obama.

E no Brasil, qual será o futuro de Deus? Ainda somos o país com o maior número de católicos do mundo - cerca de 140 milhões. Mas eles correspondiam a 95% da população em 1940. Sessenta anos depois, no ano 2000, já eram 73,9%. No mesmo período, os evangélicos saltaram de 2,6% para 16% da população, e os sem-religião, de 0,2% para 7%. No estado do Rio de Janeiro, apenas 56% se declaram católicos. Os dados são da pesquisa Retratos das Religiões no Brasil, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O estudo revela ainda que 9,4% dos brasileiros entre 20 e 24 anos dizem não ter religião. E conclui que a perda de fiéis da Igreja Católica está ligada às décadas de estagnação econômica que o país enfrentou. Não por acaso, é forte a presença de evangélicos nas periferias. As igrejas pentecostais muitas vezes preenchem carências do Estado, oferecendo redes de proteção e chances de ascensão social.

Grupos católicos carismáticos vêm tentando recuperar seguidores no Brasil, mas o Vaticano não parece disposto a rever certas posições. Meses atrás, o papa Bento 16 declarou que salvar as pessoas da homossexualidade é tão importante quanto proteger as florestas tropicais. Afirmações desse tipo talvez expliquem por que muita gente decide trocar livros de religião pelos de filosofia, que tentam encontrar um caminho para a paz interior por meio da razão.

Um exemplo desse fenômeno é o best seller Aprender a Viver (Editora Objetiva), do filósofo francês Luc Ferry. Para ele, a família é a única entidade sagrada na sociedade moderna - a única coisa pela qual alguém ainda arriscaria a própria vida. "No Ocidente, ninguém mais aceita morrer por um deus, um país ou um ideal", declarou o filósofo recentemente à revista Veja. "Há extremistas no islã. Há gente na Chechênia disposta a morrer pela nação. Mas garanto que não há ninguém com essa ideia na França ou nos EUA."

 

 

 


Conheça os Cursos On-Line
Portal do Conhecimento