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Consumo de cerveja não aumenta barriga, diz estudo
Fonte: Ricardo Goncebat - Da EFE UOL Corpo & Saúde

Há poucos meses ficou demonstrado cientificamente que a afirmação "as massas engordam e não alimentam" é equivocada. Durante anos, a popular comida italiana foi erroneamente apontada como um alimento calórico, enquanto seus benefícios nutricionais foram esquecidos.

Porém, agora se sabe que a obesidade é causada pelo consumo excessivo de gorduras e não de carboidratos, o principal nutriente das massas, cujo consumo entre quatro ou cinco vezes por semana é até recomendado por especialistas.

Agora está sendo derrubado outro dos grandes falsos mitos da nutrição, com a comprovação de que, se existe um responsável pelo aumento da barriga, este não é a cerveja, que é pouco calórica em relação a outras bebidas alcoólicas.
O fato de a cerveja gerar aquela barriguinha é um mito infundado, segundo recentes estudos científicos.

Cerveja com moderação, não engorda
Uma equipe de pesquisadores do Reino Unido e da República Checa fez um estudo, para o qual entrevistaram um grupo de checos, considerados os maiores consumidores de cerveja do mundo, não encontrando nenhuma relação científica entre a quantidade de cerveja consumida e as dimensões da barriga.

O especialista Martin Bobak, da University College de Londres, e seus colegas do instituto de Medicina Experimental e Clínica de Praga entrevistaram 891 homens checos e 1.098 mulheres, com idades entre 25 e 64 anos.

Entre os selecionados havia alguns que tomavam cerveja ocasionalmente, outros que não tomavam e poucos que bebiam em abundância. Todos passaram por um exame médico e tiveram aferidos a cintura e o peso, para que fosse calculado o índice de obesidade.

"Se existe o vínculo entre a cerveja e a obesidade, é muito frágil", concluíram os pesquisadores, desmentindo a crença comum segundo a qual a obesidade está relacionada com o consumo de cerveja em grandes quantidades.

"É comum achar que os que tomam cerveja são mais obesos que os que não bebem ou tomam vinho, mas não é verdade", afirmam os pesquisadores.

No entanto, Nigel Denby, da Associação Britânica de Nutrição, pediu aos amantes da cerveja que não se aproveitem do estudo para correr aos bares. "Se quiserem beber, devem fazer isso sempre com moderação", acrescentou o especialista.

A queda do mito da "barriga de cerveja" se vê reforçado por outro estudo de especialistas espanhóis, segundo o qual o consumo moderado de cerveja não altera o peso nem a massa corporal.

A especialista Ascensión Marcos, do Departamento de Metabolismo e Nutrição do Conselho Superior de Pesquisas Científicas espanhol, ressalta que "a cerveja é uma bebida composta por quatro ingredientes naturais, que contém muito pouco álcool, nada de gordura e 45 calorias por cada 100 mililitros ingeridos".

Segundo a pesquisadora, o problema do sobrepeso é a quantidade de calorias ingeridas: "As recomendações dietéticas asseguram que o consumo de 2000 calorias para as mulheres e de 2500 para os homens está dentro da normalidade, por isso, uma cerveja ao dia equivaleria a 3,5 por cento da ingestão calórica diária recomendada".

Barriga é uma predisposição genética
Muitas pesquisas confirmam que o consumo moderado de cerveja não altera a massa corporal nem o peso. Além disso, se descobriu que a barriga é causada por uma predisposição genética que favorece a acumulação de gorduras ao redor do abdômen.

Aqueles que carregam esta predisposição tendem a desenvolver gorduras abdominais, embora nem todos cheguem a engordar se seguirem uma dieta equilibrada e realizarem exercícios.

Segundo a especialista espanhola, o aporte calórico da cerveja é similar ao de bebidas refrescantes à base de cola ou sucos de fruta. Além disso, é muito inferior à de outras bebidas alcoólicas, como as 312 calorias do anis, as 244 do uísque ou as 60-80 do vinho de mesa.

"De qualquer maneira, a cerveja sempre deve ser consumida com moderação, ao passo que o princípio de uma alimentação saudável e equilibrada, que aporte todos os nutrientes necessários para satisfazer as necessidades metabólicas, deve ser respeitado", destaca Marcos.

Gerard Vachonfrance, psiquiatra francês especializado em alcoolismo e chefe de Atendimento do Hospital Gilbert Raby de Paris diverge da linha da Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo a qual nenhuma quantidade de álcool é recomendável, por mínima que seja: "Beber moderadamente contribui para uma menor freqüência de problemas cognitivos relacionados à idade. Além disso, pode diminuir o risco de doenças senis, como o mal de Alzheimer".

"O consumo moderado de cerveja, de dois copos diários para a mulher e de quatro copos diários para o homem, tem efeitos benéficos sobre o equilíbrio psicológico e emocional, além de um papel preventivo contra diversos transtornos que todos sofremos em alguma medida ou momento, como a depressão leve ou as fobias", destaca.

Psicologia de botequim
Segundo este psiquiatra, um consumo moderado de cerveja tem um certo papel preventivo, ao evitar o agravamento de alguns estados neuróticos, como a ansiedade, a inibição e a tristeza, podendo ainda ser um fator de equilíbrio na vida de uma pessoa.

A cerveja não só faz parte da cultura de muitos povos, como fomenta as relações sociais e o contato entre as pessoas: "Dividir uma cerveja é compartilhar um bate-papo e o calor humano. Um copo desta bebida permite exercitar o pensamento, expandir a consciência, chegar aos outros, em suma, empatizar".

Altos e baixos no humor, dificuldades para acordar, solidão, visão pessimista do futuro, inquietação, falta de sentido na vida, medo, desmotivação, sensação de ter um peso na alma que nos impede de falar, atuar e nos relacionar. Segundo Vachonfrance, estas sensações que todos temos em algum momento podem desaparecer com "um copinho de cerveja", evitando que progridam e se agravem até se tornarem um transtorno severo, que possa requerer tratamento profissional.

Em seus 35 anos de experiência em contato com o consumo de álcool e com pessoas de todo tipo de profissão, o psiquiatra francês ouviu muitas vezes que "um copo de cerveja ajuda as pessoas a viver", com o que ele concorda, sempre e quando seu consumo for moderado e não se tornar excessivo.

Isto deve ser entendido como uma garantia de saúde para os que já apreciam a cerveja, mas nunca como um convite ao consumo para os que não são fãs desta bebida.
 

 


 


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