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O Mito do Jesus histórico
Hayyim ben Yehoshua

Muito interesse tem sido expresso nos media Judaicos acerca da atividade dos "Judeus por Jesus" e outras organizações missionárias que saem dos seus limites para converterem os Judeus ao Cristianismo. Infelizmente, muitos Judeus estão deficientemente equipados para fazerem face aos missionários Cristãos e aos seus argumentos. Espero que este artigo contribua para remediar esta situação.

Quando se se encontra com missionários Cristãos, é importante que baseemos os nossos argumentos em fatos corretos. Argumentos baseados em fatos incorretos podem facilmente ser desmascarados e acabarem por fortalecer os argumentos dos missionários.

É pena que tantos bem intencionados professores de Estudos Judaicos tenham inconscientemente ajudado os missionários, ensinando aos alunos Judeus informações incorretas acerca das origens do Cristianismo. Posso recordar a história que me foi ensinada acerca de Jesus na escola Judaica que frequentei:

"Jesus foi um rabi famoso do primeiro século, cujo nome Hebreu foi Rabbi Yehoshua. O seu pai foi um carpinteiro chamado José e o nome da sua mãe era Maria. Maria engravidou antes de ter casado com José. Jesus nasceu num estábulo em Belém durante um censos Romano. Jesus cresceu em Nazaré e tornou-se um rabi erudito. Viajou por todo o Israel pregando que as pessoas se deviam amar. Algumas pessoas pensaram que ele era o Messias e ele não negou isso, o que deixou os outros rabis muito zangados. Ele causou tanta controvérsia que o Governador Romano Pôncio Pilatos o mandou crucificar. Foi enterrado num túmulo, e mais tarde o seu corpo foi dado como desaparecido, dado que provavelmente teria sido roubado pelos seus discípulos."

Alguns anos depois de ter sido ensinado esta aparentemente inocente história, comecei a interessar-me pelas origens do Cristianismo e decidi ler algo mais sobre o "famoso Rabbi Yehoshua". Para grande desânimo meu, descobri que não havia qualquer evidência histórica deste Rabbi Yehoshua. A reivindicação de que Jesus foi um rabi chamado Yehoshua e a de que o seu corpo tinha sido provavelmente roubado acabaram por se tornar puras conjecturas. O resto da história não era mais que uma versão diluída da história que os Cristãos acreditam ser parte da religião Cristã mas que não é suportada por nenhuma fonte histórica legítima. Não havia absolutamente nenhuma evidência histórica que Jesus, José ou Maria tenham existido, já não mencionando que José tenha sido carpinteiro ou que Jesus tenha nascido em Belém e vivido em Nazaré.

Apesar da falta de evidência da existência de Jesus, muitos Judeus fizeram o trágico erro de assumir que a história do Novo Testamento era largamente correta e tenham tentado refutar o Cristianismo experimentando racionalizar os vários milagres que alegadamente ocorreram durante a vida de Jesus e após a sua morte. Numerosos livros foram escritos que tentam esta aproximação ao Cristianismo. Esta aproximação, no entanto, é desesperadamente falhada e é, de fato, perigosa pois encoraja a crença no Novo Testamento.

Quando os Israelitas foram confrontados com a adoração de Baal, não aceitaram cegamente os antigos mitos Semíticos Ocidentais como História. Quando os Macabeus foram confrontados com a religião Grega, eles não aceitaram cegamente a mitologia Grega como História. Porque é que tantos Judeus modernos aceitam cegamente a mitologia Cristã? A resposta a esta questão parece ser que muitos Cristãos não sabem onde a distinção entre História estabelecida e crenças Cristãs reside, tendo passado a confusão deles para a comunidade Judaica. Passando uma vista de olhos pela secção de religião numa livraria local, recentemente deparei com um livro que pretendia ser uma biografia objetiva de Jesus. Acabou por ser nada mais que um sumário da história usual do Novo Testamento. Até incluía pretensões que os milagres de Jesus tinham sido testemunhados mas que explicações racionais para eles poderiam existir. Muitos livros de História escritos pelos Cristãos têm uma aproximação similar. Alguns autores Cristãos sugerirão que talvez os milagres não sejam completamente históricos, mas eles todavia seguem a história do Novo Testamento usual. A idéia de que havia um Jesus histórico real firmou-se tanto na sociedade Cristã que os Judeus que vivem no mundo Cristão começaram a aceitar cegamente esta crença porque nunca a viram ser seriamente desafiada.

Apesar da difundida crença em Jesus, permanece o fato de que não existe um Jesus histórico. Para se perceber o que se quer dizer com o "Jesus histórico", considere o Rei Midas da Mitologia Grega. A história em que o Rei Midas transformava tudo o que tocava em ouro é claramente absurda, mas apesar disto sabemos que houve um verdadeiro Rei Midas. Arqueólogos escavaram o seu túmulo e encontraram os seus restos esqueléticos. Os Gregos que contaram a história de Midas e o seu toque dourado pretendiam claramente que o relacionassem com o Midas real. Por isso, apesar da história do toque dourado ser ficcional, a história é acerca de alguém cuja existência é dada como um fato – o "Midas histórico". No caso de Jesus, no entanto, não há uma única pessoa cuja existência seja um fato e que seja também objeto das histórias de Jesus, isto é, não há nenhum Jesus histórico.

Quando confrontados com um missionário Cristão, deve-se imediatamente apontar que a existência de Jesus não foi provada. Quando os missionários argumentam, usualmente apelam mais para as emoções do que para a razão, e tentarão que fiques embaraçado ao negares a historicidade de Jesus. A resposta habitual é qualquer coisa do gênero de "Negar a existência de Jesus não é tão tolo como negar a existência de Júlio César ou da Rainha Isabel?". Uma variação popular desta resposta, usada especialmente contra os Judeus é "Negar a existência de Jesus não é como negar o Holocausto?". Deve-se então apontar que há amplas fontes históricas a confirmar a existência de Júlio César, da Rainha Isabel ou de qualquer outro que for nomeado, enquanto que não existe evidência correspondente para Jesus.

Para se ser perfeitamente direto, deve-se ter tempo para fazer alguma investigação sobre as personagens históricas mencionadas pelos missionários e apresentar fortes evidências da sua existência. Ao mesmo tempo deve-se desafiar os missionários a mostrar evidência similar da existência de Jesus. Deve-se apontar que embora a existência de Júlio César ou da Rainha Isabel, etc. seja universalmente aceite, o mesmo já não acontece com Jesus. No Extremo Oriente, onde as maiores religiões são o Budismo, o Xintoísmo, o Taoísmo e o Confucionismo, Jesus é considerado como mais uma personagem da mitologia religiosa ocidental, a par com Thor, Zeus e Osíris. A maioria dos Hindus não acredita em Jesus, mas os que acreditam consideram que ele é uma das muitas encarnações do deus Hindu Vexo. Os muçulmanos certamente acreditam em Jesus, mas rejeitam a história do Novo Testamento e consideram que ele foi um profeta que anunciou a vinda de Maomé. Eles negam explicitamente que ele tenha sido crucificado.

Em resumo, não há uma história de Jesus que seja uniformemente aceite pelo mundo inteiro. É este fato que põe Jesus num nível diferente para personalidades históricas estabelecidas. Se os missionários usarem o "argumento Holocausto", deve-se apontar que o Holocausto está bem documentado e que existem numerosos relatos de testemunhas oculares. Deve-se apontar que a maior parte das pessoas que negam o Holocausto eram semeadores de ódio anti-semítico com credenciais fraudulentas. Por outro lado, milhões de gente honesta na Ásia, que fazem a maioria da população mundial, não conseguiram ser convencidos pela história Cristã de Jesus na medida que não há nenhuma evidência constrangedora da sua autenticidade. Os missionários insistirão que a história de Jesus é um fato bem estabelecido e irão argumentar que existem "bastantes evidências que comprovam isso". Deve-se então insistir em ver essa evidência e recusar-se a ouvir enquanto eles não a apresentarem.

Se Jesus não foi uma personagem histórica, de onde veio toda a história do Novo Testamento em primeiro lugar? O nome Hebreu para os Cristãos sempre foi Notzrim. Este nome é derivado da palavra hebraica neitzer, que significa broto ou rebento – um claro símbolo Messiânico. Já havia pessoas chamadas Notzrim no tempo do Rabbi Yehoshua ben Perachyah (c. 100 A.C.) Apesar de os modernos Cristãos afirmarem que o Cristianismo só começou no primeiro século depois de Cristo, é claro que os Cristãos do primeiro século em Israel se consideravam como sendo a continuação do movimento Notzri, que existia à cerca de 150 anos. Um dos mais notáveis Notzrim foi Yeishu ben Pandeira, também conhecido como Yeishu ha-Notzri. Os estudiosos do Talmude sempre mantiveram que a história de Jesus começou com Yeishu. O nome Hebreu para Jesus sempre foi Yeishu, e o Hebreu para "Jesus de Nazaré" sempre foi "Yeishu ha-Notzri" (o nome Yeishu é um diminutivo do nome Yeishua, e não de Yehoshua.) É importante notar que Yeishu ha-Notzri não é um Jesus histórico, uma vez que o Cristianismo moderno nega alguma conexão entre Jesus e Yeishu e, além do mais, partes do mito de Jesus são baseadas em outras personagens históricas além de Yeishu.

Sabemos pouco sobre Yeishu ha-Notzri. Todos os trabalhos modernos que o mencionam são baseados em informação retirada do Tosefta e do Baraitas – escritos feitos ao mesmo tempo do Mishna mas não contidos neste. Porque a informação histórica respeitante a Yeishu é tão danosa para o Cristianismo, muitos autores Cristãos (e também muitos Judeus) tentaram desacreditar esta informação e inventaram muitos argumentos engenhosos para a explicarem. Muitos dos seus argumentos são baseados em mal entendidos e citações errôneas do Baraitas, e para se ter uma imagem exata de Yeishu devem-se ignorar os autores Cristãos e examinar o Baraitas diretamente.

A insuficiente informação contida no Baraitas é a seguinte: o Rabi Yehoshua ben Perachyah, num dado momento, repeliu Yeishu. As pessoas pensavam que Yeishu era um feiticeiro, considerando que ele tinha levado os Judeus a desencaminharem-se. Como resultado de acusações feitas contra ele (os detalhes das quais não são conhecidos, mas provavelmente envolveriam alta traição), Yeishu foi apedrejado e o seu corpo foi pendurado na véspera da Passagem. Antes disto, ele foi exibido durante 40 dias com um arauto que ia à sua frente anunciando que ele iria ser apedrejado e chamando por gente para avançar e o defenderem. Todavia, nada foi trazido em seu favor. Yeishu tinha cinco discípulos: Mattai, Naqai, Neitzer, Buni e Todah.

No Tosefta e no Baraitas, o nome do pai de Yeishu é Pandeira ou Panteiri. Estes são formas Hebreu-Aramaicas de um nome Grego. Em Hebreu, a terceira consoante do nome é escrito quer com um dalet, quer com um tet. Comparando com outras palavras Gregas transliteradas para Hebreu mostra que o original Grego devia ter tido um delta como sua terceira consoante, e assim a única possibilidade para o nome Grego do pai é Panderos. Como os nomes Gregos eram comuns entre os Judeus durante a época dos Macabeus, não é necessário assumir que ele era Grego, como alguns autores fizeram.

A relação entre Yeishu e Jesus é corroborada pelo facto de que Mattai e Todah, os nomes de dois dos discípulos de Yeishu, serem as formas originais hebraicas de Mateus e Tadeu, nomes de dois dos discípulos de Jesus na mitologia Cristã.

Os primeiros Cristãos estavam também cientes do nome "ben Pandeira" para Jesus. O filósofo pagão Celso, que foi famoso pelos seus argumentos contra o Cristianismo, reivindicou em 178 d.C. que tinha ouvido a um Judeu que a mãe de Jesus, Maria, se tinha divorciado do seu marido, um carpinteiro, depois de se ter provado que ela era uma adúltera. Ela vagueou em vergonha e deu à luz Jesus em segredo. O seu verdadeiro pai era um soldado chamado Pantheras. De acordo com o escritor Cristão Epifânio (c. 315 – 403 d.C.), o apologista Cristão Origen (c. 185 – 254 d.C) tinha afirmado que "Panther" era o apelido de Jacob, o pai de José, o padrasto de Jesus. É de notar que a afirmação de Origen não é baseada em nenhuma informação histórica. É puramente uma conjectura cujo objectivo era explicar a história de Pantheras de Celso. Essa história é também não histórica. A reivindicação de que o nome da mãe de Jesus era Maria e a pretensão de que o seu marido era um carpinteiro é tirada directamente das crenças Cristãs. A afirmação de que o pai verdadeiro de Jesus se chamava Pantheras é baseada numa tentativa incorrecta de reconstruir a forma original de Pandeira. Esta reconstrução incorrecta foi provavelmente influenciada pelo facto de o nome Pantheras ser encontrado entre os soldados Romanos.

Porque é que as pessoas acreditavam que a mãe de Jesus se chamava Maria e o seu marido se chamava José? Porque é que os não Cristãos acusavam Maria de ser uma adúltera enquanto que os Cristãos acreditavam que ela era virgem? Para responder a essas questões ter-se-á de examinar algumas das lendas à volta de Yeishu. Não se pode esperar obter a verdade absoluta sobre as origens do mito de Jesus, mas podemos mostrar que existem alternativas razoáveis para a aceitação cega do Novo Testamento.

O nome José para o nome do padrasto de Jesus é fácil de explicar. O movimento Notzri era particularmente popular entre os Judeus Samaritanos. Enquanto que os Fariseus estavam à espera de um Messias que seria um descendente de David, os Samaritanos queriam um Messias que viesse restaurar o reino nortenho de Israel. Os Samaritanos enfatizavam a sua descendência parcial das tribos de Efraim e Manassés, que descendiam do José da Tora. Os Samaritanos consideravam-se como sendo "Bnei Yoseph", i.e., "filhos de José", e como acreditavam que Jesus tinha sido o seu Messias, teriam assumido que era um "filho de José". A população de língua Grega, que tinha pouco conhecimento de Hebreu e das verdadeiras tradições Judaicas, poderia facilmente ter mal entendido este termo e presumir que José era o nome verdadeiro do pai de Jesus. Esta conjectura é corroborada pelo facto que de acordo com o Evangelho segundo S. Mateus, o pai de José se chama Jacob, tal como o do José da Tora. Mais tarde, outros Cristãos que seguiam a ideia de que o Messias seria um descendente de David, tentaram seguir o curso de José até David. Chegaram a duas genealogias contraditórias para ele, uma registrada no Evangelho segundo S. Mateus e a outra no Evangelho segundo S. Lucas. Quando a ideia de que Maria era virgem desenvolveu, o mítico José foi relegado para a posição de ser simplesmente o seu marido e o padrasto de Jesus.

Para se perceber de onde a história de Maria veio, teremos que nos virar para outra personagem histórica que contribuiu para o mito de Jesus, e que é ben Stada. Toda a informação que temos sobre ben Stada advém novamente do Tosefta e do Baraitas. Há ainda menos informação sobre ele do que sobre Yeishu. Algumas pessoas acreditavam que ele tinha trazido encantamentos do Egipto num corte da sua carne, outros pensavam que ele era um louco. Ele era um trapaceiro e foi apanhado pelo método da testemunha escondida, sendo apedrejado em Lod.

No Tosefta, ben Stada é chamado ben Sotera ou ben Sitera. Sotera parece ser a forma Hebreu-Aramaica do nome Grego Soteros. As formas "Sitera" e "Stada" parecem ter surgido como más interpretações e erros de soletração ( yod substituindo vav e o dalet a substituir reish ).

Como havia tão pouca informação acerca de ben Stada, muitas conjecturas surgiram sobre quem ele era. É conhecido da Gemara que ele era confundido com Yeishu. Isto provavelmente resultou do facto de que ambos foram executados por ensinamentos traidores e estarem associados à feitiçaria. As pessoas que confundiam ben Stada com Yeishu tiveram que explicar o porquê dele também ser chamado ben Pandeira. Como o nome "Stada" se parece com a expressão aramaica "stat da", que significa "ela desencaminhou-se", pensou-se que "Stada" se referia à mãe de Yeishu e que ela era uma adúltera. Consequentemente, as pessoas começaram a pensar que Yeishu era o filho ilegítimo de Pandeira. Estas idéias são de fato mencionadas na Gemara e são provavelmente mais antigas. Como ben Stada viveu nos tempos Romanos e o nome Pandeira se assemelhava com o nome Pantheras encontrado entre os soldados Romanos, assumiu-se que Pandeira tinha sido um soldado Romano estacionado em Israel. Isto certamente explica a história mencionada por Celso.

O Tosefta menciona um caso famoso de uma mulher chamada Miriam bat Bilgah que casou com um soldado Romano. A ideia de que Yeishu tinha nascido de uma mulher judia que tinha tido um caso com um soldado Romano provavelmente resultou da confusão entre a mãe de Yeishu e esta Míriam. O nome "Míriam" é, claro, a forma original do nome "Maria". É de facto conhecido através do Gemara que algumas das pessoas que confundiam Yeishu com ben Stadta acreditavam que a mãe de Yeishu era "Míriam, a cabeleireira de mulheres".

A história de que Maria (Míriam), mãe de Jesus, era uma adúltera, era certamente não aceitável para os primeiros Cristãos. A história da virgem que deu à luz foi provavelmente inventado para limpar o nome de Maria. Os primeiros Cristãos não inventaram isto do nada. Histórias de virgens que davam à luz eram comuns nos mitos pagãos. As seguintes personagens mitológicas eram tidas como nascidas de virgens fecundadas divinamente: Rómulo e Remo, Perseu, Zoroastro, Mitra, Osíris-Aion, Agdistis, Attis, Tammuz, Adónis, Korybas, Dioniso. As crenças pagãs em uniões entre deuses e mulheres, não considerando se elas eram virgens ou não, é ainda mais comum. Acreditava-se que muitas personagens da mitologia pagã eram filhas de pais divinos e mães humanas. A crença Cristã de que Jesus era o filho de Deus nascido de uma virgem é típica de uma superstição Greco-Romana. O filósofo Judeu Phílon de Alexandria (c. 25 A.C. – 50 D.C.), avisou contra a superstição bastante espalhada da crença de uniões entre homens deuses e mulheres humanas que retornavam a mulher a um estado de virgindade.

O deus Tammuz, adorado pelos pagãos no norte de Israel, era dado como nascido da virgem Myrrha. O nome Myrrha assemelha-se superficialmente a "Maria/Míriam", e é possível que esta particular história de uma virgem que deu à luz tenha influenciado a história de Maria mais que as outras. Tal como Jesus, Tammuz foi sempre chamado Adon, que significa "Senhor" (A personagem Adónis da mitologia Grega é baseada em Tammuz.) Como veremos mais tarde, a relação entre Jesus e Tammuz vai mais longe que isto.

A ideia de que Maria tinha sido uma adúltera nunca desapareceu completamente na mitologia Cristã. Em vez disso, a personagem de Maria foi dividida em duas: Maria, a mãe de Jesus, que se acreditava ser uma virgem, e Maria Magdalena, que se acreditava ser uma mulher de má fama. A ideia de que a personagem de Maria Madalena é também derivada de Míriam, a mítica mãe de Yeishu, é corroborado pelo facto de o estranho nome "Magdalena" se assemelhar claramente ao termo aramaico "mgadala nshaya", que significa "cabeleireira de mulheres". Como se mencionou anteriormente, acreditava-se que a mãe de Yeishu era "Míriam, a cabeleireira de mulheres". Porque os Cristãos não sabiam o que o nome "Magdalena" significava, mais tarde conjecturaram que isso significava que ela tinha vindo de um lugar chamado Magdala, a oeste do lago Kinneret. A ideia das duas Marias assentava bem na forma pagã de pensamento. A imagem de Jesus sendo seguido pelas duas Marias lembra bastante Dioniso sendo seguido por Deméter e Perséfone.

A Gemara contém uma lenda interessante acerca de Yeishu, que tenta ilucidar o Beraitas, que diz que o Rabi Yehoshua ben Perachyah repeliu Yeishu. A lenda afirma que quando o rei Asmoneu Alexandre Janeus estava a matar os Fariseus, o Rabi Yehoshua e Yeishu fugiram para o Egipto. Quando voltaram, chegaram a uma estalagem. A palavra aramaica "aksanya" tanto significa "estalagem" como "estalajadeiro(a)". O Rabi Yehoshua observou o quão bela a "arksanya" era (referindo-se à estalagem.) Yeishu (referindo-se à estalajadeira) replicou que os olhos dela eram muito estreitos. O Rabi Yehoshua zangou-se bastante com Yeishu e excomungou-o. Yeishu pediu que o perdoasse muitas vezes, mas o Rabi Yehoshua não o perdoava. Uma vez, quando o Rabi Yehoshua estava a recitar a Shema, Yeihsu veio ter com ele. O Rabi fez-lhe um sinal de que devia esperar. Yeishu não entendeu e pensou que estava a ser rejeitado novamente. Ele zombou do Rabi Yehoshua fazendo um tijolo e adorando-o. O Rabi Yehoshua disse-lhe para ele se arrepender mas ele recusou, dizendo que tinha aprendido com ele que a alguém que peca e leva muitos a pecar não é dada a oportunidade de se arrepender.

Esta história, que começa com os eventos da estalagem, é bastante semelhante com outra lenda em que o protagonista não é o Rabi Yehoshua mas o seu discípulo Yehuda ben Tabbai. Nesta lenda, Yeishu não é nomeado. Pode-se então questionar se Yeishu foi realmente ao Egipto ou não. É possível que Yeishu tenha sido confundido com algum outro discípulo do Rabi Yehoshua ou do Rabi Yehuda. A confusão pode ter resultado de Yeishu ser confundido com ben Stada, que tinha regressado do Egipto. Por outro lado, Yeishu poderia ter mesmo fugido para o Egipto e regressado, e isto, por seu turno, poderia ter contribuído para a confusão entre Yeishu e ben Stada. Qualquer que seja o caso, a crença que Yeishu tenha fugido para o Egipto para escapar à matança de um rei cruel parece ser a origem da crença Cristã de que Jesus e a sua família fugiram para o Egipto para escapar ao Rei Herodes.

Como os primeiros Cristãos acreditavam que Jesus tinha vivido nos tempos Romanos é natural que tenham confundido o rei cruel que tinha querido matar Jesus com Herodes, pois não havia outros reis cruéis adequados durante o período Romano. Yeishu era adulto no tempo em que os Rabis fugiram de Alexandre Janeus; porque é que os Cristãos acreditavam que Jesus e a sua família tinham fugido para o Egipto quando Jesus era infante? Porque é que os Cristãos acreditavam que o rei Herodes tinha ordenado que todos os bebês nascidos em Belém fossem mortos, quando não há evidência histórica disso? Para responder a estas questões temos novamente que recorrer à mitologia pagã.

O tema de uma criança divina ou semi divina que é temida por um rei cruel é muito comum na mitologia pagã. A história usual é que o rei cruel recebe uma profecia de que uma certa criança vai nascer e vai usurpar o trono. Em algumas histórias a criança é nascida de uma virgem e usualmente é filho de um deus. A mãe da criança tenta escondê-lo. O rei normalmente ordena a matança de todos os bebês que possam ser o profetizado rei. Exemplos de mitos que seguem este enredo são as histórias de nascimento de Rómulo e Remo, Perseu, Krishna, Zeus e Édipo. Apesar de os literalistas da Tora não gostarem de o admitir, a história do nascimento de Moisés também se assemelha à destes mitos (alguns dos quais afirmam que a mãe pôs a criança num cesto e o colocou num rio.) Existiam provavelmente várias histórias destas a circular no Levante que se perderam. O mito Cristão da matança dos inocentes por Herodes é simplesmente uma versão Cristã deste tema. O enredo era tão conhecido que um sábio Midrashic não resistiu a usá-lo para um relato apócrifa do nascimento de Abraão.

Os primeiros Cristãos acreditavam que o Messias iria nascer em Belém. Esta crença é baseada numa má interpretação de Miquéias_5.2, que simplesmente nomeia Belém como a cidade onde a linhagem Davidiana começou. Como os primeiros Cristãos acreditavam que Jesus era o Messias, eles automaticamente acreditaram que ele tinha nascido em Belém. Mas porque é que os Cristãos acreditavam que ele tinha vivido em Nazaré? A resposta é bem simples. Os primeiros Cristãos de língua Grega não sabiam o que a palavra "Nazareno" significava. A forma primitiva Grega desta palavra é "Nazoraios", que deriva de "Natzoriya", o equivalente aramaico do Hebreu "Notzri" (lembre-se que "Yeishu ha-Notzri" é o original Hebreu para "Jesus, o Nazareno".) Os primeiros Cristãos conjecturaram que "Nazareno" significava uma pessoa de Nazaré, e assim assumiu-se que Jesus tinha vivido em Nazaré. Ainda hoje, os Cristãos alegremente confundem as palavras hebraicas "Notzri" (Nazareno, Cristão), "Natzrati" (Nazareno, natural de Nazaré) e "nazir" (nazarite), todas as quais têm significados completamente diferentes.

A informação no Talmude (que contém o Baraitas e o Gemara) acerca de Yeishu e ben Stada é tão danosa para o Cristianismo que os Cristãos sempre tomaram medidas drásticas contra ela. Quando os Cristãos primeiro descobriram a informação, tentaram imediatamente apagá-la censurando o Talmude. A edição de Basileia do Talmude (c. 1578 – 1580) tinha todas as passagens relacionadas com Yeishu e ben Stada apagadas pelos Cristãos. Ainda hoje, as edições do Talmude usadas pelos escolares Cristãos não têm estas passagens!

Durante as primeiras décadas deste século, ferozes batalhas acadêmicas irromperam violentamente entre escolares Cristãos e Ateus acerca das verdadeiras origens do Cristianismo. Os Cristãos foram forçados a enfrentarem a evidência Talmudica. Não podiam ignorar mais isso e assim, em vez disso, decidiram atacá-lo. Afirmaram que o Yeishu Talmudico era uma distorção do "Jesus histórico". Afirmaram que o nome "Pandeira" era simplesmente uma tentativa hebraica para pronunciar a palavra Grega para virgem – "parthenos". Apesar de haver uma parecença superficial entre as palavras, temos de notar que para "Pandeira" derivar de "parthenos", o "n" e o "r" têm de trocar de posições. No entanto, os Judeus não sofriam de nenhum impedimento linguístico que causasse isto! A resposta Cristã é que possivelmente os Judeus alteram propositadamente a palavra "parthenos" para os nomes "Pantheras" (encontrado na história de Celso) ou para "pantheros", que significa pantera, e "Pandeira" é derivado da palavra deliberadamente alterada. Este argumento também falha, pois a terceira consoante da palavra "parthenos" alterada e inalterada é theta. Esta letra é sempre transliterada pela letra hebraica taw, cuja pronunciação durante os tempos clássicos muito se assemelhava a essa letra Grega. Contudo, o nome "Pandeira" nunca é soletrado com um taw, mas com um dalet ou um tet, o que mostra que a forma original Grega tinha um delta como sua terceira consoante, e não um theta. O argumento Cristão pode-se também voltar contra si: talvez os Cristãos deliberadamente alterassem "Pantheras" para "parthenos" quando inventaram a história da virgem que deu à luz. Também é de notar que a semelhança entre "Pantheras" (ou "pantheros") é muito menor quando escrita em Grego, pois na formação original Grega as suas segundas vogais são completamente diferentes.

Os Cristãos também não aceitaram que Maria Magdalena estivesse ligada a Miriam, a alegada mãe de Yeishu no Talmude. Eles argumentaram que o nome "Magdalena" significa uma pessoa de Magdala e que os Judeus inventaram "Miriam, a cabeleireira de mulheres" (mgdala nshaya) ou para zombar dos Cristãos, ou porque eles próprios se equivocaram quanto ao nome "Magdalena". Este argumento também é falso. Primeiramente, ignora a gramática Grega: o Grego correcto para "de Magdala" é "Magdales", e o Grego correcto para uma pessoa de Magdala é "Magdalaios". A raiz Grega original para "Magdalena" é "Magdalen-", com um "n" distinto mostrando que a palavra não tem nada a ver com Magdala. Em segundo lugar, Magdala só obteve o seu nome após os Evangelhos terem sido escritos. Antes disso era chamada Magadan ou Dalmanutha (apesar de "Magadan" ter um "n", falta-lhe o "l", e portanto não pode ser a derivação de "Magdalena".) De facto, a comunidade Cristã alterou o nome para Magdala às ruínas desta área porque acreditavam que Maria Magdalena tinha vindo de lá.

Os Cristãos também afirmam que a palavra "Notzri" significa uma pessoa de Nazaré. Isto é, claro, falso, pois a palavra hebraica para Nazaré é "Natzrat" e uma pessoa de Nazaré é uma "Natzrati". O nome "Notzri" não tem a letra taw de "Natzrat", e assim não pode derivar daí. Os Cristãos argumentam que talvez o nome aramaico para Nazaré fosse "Natzarah" ou "Natzirah" (como o moderno nome árabe), o que explica o taw que falta em "Notzri". Isto também não tem senso pois a palavra aramaica para alguém da Nazaré seria "Natzaratiya" ou "Natziratyia" (com um taw, pois a terminação feminina "-ah" tornar-se-ia "-at-" quando o sufixo "-yia" é adicionado), e além do mais, a forma aramaica não seria usada em Hebreu. Os Cristãos também apareceram com outros argumentos variados que podem ser desmascarados uma vez que eles confundem as palavras hebraicas "Notzri" e "nazir", ou ignoram o facto de que "Notzri" é a primitiva forma da palavra "Nazareno".

Para resumir, todos os argumentos Cristãos foram baseados em mudanças fonéticas e formas gramaticais impossíveis, e foram, consequentemente, desmistificadas. Além do mais, apesar das lendas na Gemara não possam ser tidas como factos, a evidência no Baraitas e no Tosefta respeitante a Yeishu pode levar-nos atrás directamente até Yehoshua ben Perachyah, Shimon ben Shetach e Yehuda ben Tabbai, enquanto que a evidência no Baraitas e no Tosefta respeitante a ben Stada leva-nos até ao Rabi Eliezer ben Hyrcanus e seus discípulos, que foram contemporâneos de ben Stada. Consequentemente, esta evidência pode ser encarada como historicamente certa. Por esta razão os Cristãos modernos não mais atacam o Talmude, mas em vez disso negam qualquer relação entre Jesus e Yeishu ou ben Stada. Eles desmistificam as similaridades como puras coincidências. No entanto, ainda tem de se estar atento aos falsos ataques contra o Talmude pois muitos livros Cristãos ainda os mencionam e podem ressurgir de tempos em tempos.

Muitas partes da história de Jesus não são baseadas em Yeishu ou ben Stada. A maior parte das denominações Cristãs afirma que Jesus nasceu a 25 de Dezembro. Originalmente, os Cristãos orientais acreditavam que ele tinha nascido a 6 de Janeiro. Os Cristãos arménios ainda seguem esta primitiva crença enquanto que muitos Cristãos consideram que essa é a data da visita dos Magos. Como já foi apontado anteriormente, Jesus foi provavelmente confundido com Tammuz, nascido da virgem Myrrha. Sabe-se que nos tempos Romanos os deuses Tammuz, Aion e Osíris eram identificados. Dizia-se que Osíris-Aion tinha nascido da virgem Geb a 6 de Janeiro, e isto explica a data primitiva para o Natal. Geb era, às vezes, representada como uma vaca sagrada e o seu templo era um estábulo, que é provavelmente a origem da crença Cristã de que Jesus nasceu num estábulo. Embora alguns possam pensar que esta afirmação é forçada, é tido como um facto que algumas facções primitivas Cristãs consideravam Jesus e Osíris nos seus escritos. A data de 25 de Dezembro para o Natal era originalmente a data pagã do aniversário do deus sol, cujo dia da semana é ainda conhecido como Sun_day. O halo de luz que é usualmente mostrado à volta da face de Jesus e dos santos Cristãos é outro conceito tirado do deus sol.

O tema da tentação por uma criatura diabólica também é encontrado na mitologia pagã. A história da tentação de Jesus por Satã, em particular, parece-se com a tentação de Osíris pelo deus diabólico Set na mitologia egípcia.

Já tínhamos sugerido que havia uma relação entre Jesus e o deus pagão Dioniso. Como Dioniso, o infante Jesus foi posto com fraldas e colocado numa manjedoura; como Dioniso, Jesus podia tornar água em vinho; como Dioniso, Jesus viajou de burro e deu de comer a uma multidão num ermo; como Dioniso, Jesus sofreu e foi objecto de escárnio. Alguns primitivos Cristãos afirmavam que Jesus tinha de facto nascido, não num estábulo, mas numa caverna – como Dioniso.

De onde é que a história de que Jesus foi crucificado veio? Parece ter resultado de várias origens. Em primeiro lugar, houve três personagens históricas durante o período Romano que as pessoas pensavam ser o Messias e que foram crucificadas pelos Romanos, a saber, Yehuda da Galileia (6 D.C.), Theudas (44 D.C.) e Benjamim, o Egípcio (60 D.C.). Dado que se pensava que estas três pessoas eram o Messias, elas foram naturalmente confundidas com Yeishu e ben Stada. Yehuda da Galileia tinha pregado na Galileia e tinha arranjado muitos seguidores antes de ser crucificado pelos Romanos. A história do ministério de Jesus na Galileia parece ter sido baseada na vida de Yehuda da Galileia. Esta história e a crença de que Jesus viveu em Nazaré na Galileia reforçaram-se mutuamente. A crença de que alguns dos discípulos de Jesus foram mortos em 44 D.C. por Agripa parece ser baseado no destino dos discípulos de Theuda. Dado que ben Stada tinha vindo do Egipto é natural que ele tenha sido confundido com Benjamim, o Egípcio. Eles foram também, provavelmente, contemporâneos. Alguns escritores modernos até sugeriram que eles foram a mesma pessoa, apesar disso não ser possível pois as histórias das suas mortes são completamente diferentes. Nos Actos dos Apóstolos do Novo Testamento, que usa o livro de Flávio Josefo "Antiguidades Judaicas" (93 – 94 D.C.) como referência, é deixado claro que o autor considerou Jesus, Yehuda da Galileia, Theudas e Benjamim, o Egípcio como quatro pessoas diferentes. No entanto, naquela altura já era muito tarde para anular as confusões que já tinham acontecido antes do Novo Testamento ter sido escrito, e a ideia da crucificação de Jesus tinha-se tornado uma parte integral do mito.

Em segundo lugar, surgiu a ideia de que Jesus tinha sido executado na véspera da Passagem. Esta crença é aparentemente baseada na execução de Yeishu. A Passagem ocorre aquando do Equinócio da Primavera, um evento considerado importante pelos astrólogos durante o Império Romano. Os astrólogos pensavam nesta época como a época do cruzamento de dois círculos celestes astrológicos, e este evento era simbolizado por uma cruz. Deste modo, acreditava-se que Jesus tinha morrido "na cruz". O mau entendimento deste termo por aqueles que não eram iniciados nos cultos astrológicos foi outro factor que contribuiu para a crença de que Jesus tenha sido crucificado. Num dos primeiros documentos Cristãos (os "Ensinamento dos Doze Apóstolos"), não há menção de Jesus ter sido crucificado, e o sinal de uma cruz no céu é usado para representar a chegada de Jesus. É de notar que o centro da superstição astrológica no Império Romano foi a cidade de Tarso na Ásia Menor – o lugar de onde o lendário missionário S. Paulo veio. A ideia de que uma estrela especial tenha anunciado o nascimento de Jesus e que um eclipse solar tenha ocorrido na sua morte é típica da superstição astrológica Tarsiana.

O terceiro factor que contribuiu para a história da crucificação é, outra vez, a mitologia pagã. O tema de uma divindade ou semi-divindade sendo sacrificada contra uma árvore, poste ou cruz, e depois ressuscitando, é muito comum na mitologia pagã. Foi encontrado nas mitologias de todas as civilizações ocidentais, estendendo-se desde um extremo oeste como a Irlanda até um extremo este como a Índia. Em particular, é encontrado nas mitologias de Osíris e Attis, ambos os quais eram muitas vezes identificados com Tammuz. Osíris acabou com os seus braços esticados numa árvore tal como Jesus na cruz. Esta árvore era, às vezes, mostrada como um poste com dois braços esticados – o mesmo aspecto da cruz Cristã. Na adoração de Serapis (uma composição de Osíris e Apis), a cruz era um símbolo religioso. De facto, o símbolo da "cruz Latina" Cristã parece ser baseado directamente no símbolo da cruz de Osíris e Serapis. Os Romanos nunca usaram esta cruz tradicional Cristã para as crucificações, eles usavam cruzes com a forma de um X ou de um T. O hieróglifo de uma cruz numa colina era associada a Osíris. Este hieróglifo representava o "Good One", em Grego "Chrestos", um nome aplicado a Osíris e outros deuses pagãos. A confusão deste nome com "Christos" (= Messias, Cristo) reforçou a confusão entre Jesus e os deuses pagãos.

No equinócio da Primavera, os pagãos do norte de Israel celebravam a morte e ressurreição de Tammuz-Osíris, nascido de uma virgem. Na Ásia Menor (onde as primeiras igrejas Cristãs se estabeleceram), uma celebração similar era feita para Attis, também nascido de uma virgem. Attis era mostrado como morrendo contra uma árvore, sendo enterrado numa gruta e depois ressuscitando ao terceiro dia. Agora se vê de onde a história da ressurreição de Jesus veio. Na adoração de Baal, acreditava-se que Baal tinha enganado Mavet (o deus da morte) aquando do equinócio da Primavera. Ele fez-se passar por morto e depois apareceu vivo. Ele teve sucesso neste ardil dando o seu único filho como sacrifício.

A ocorrência da Passagem na mesma época do ano que as "Páscoas" pagãs não é coincidência. Muitos dos costumes da Pessach foram designados como alternativas Judaicas aos costumes pagãos. Os pagãos acreditavam que quando o seu deus da natureza (como Tammuz, Osíris ou Attis) morria e ressuscitava, a sua vida ia para as plantas usadas pelo homem como comida. O matza feito da colheita da Primavera era o seu novo corpo e o vinho das uvas era o seu novo sangue. No Judaísmo, o matza não era usado para representar o corpo de um deus, mas o pão de homem pobre que os Judeus comeram antes de saírem do Egipto. Os pagãos usavam o sacrifício pascal para representar o sacrifício de um deus ou do seu filho único, mas o Judaísmo usou-o para representar a refeição comida antes de saírem do Egipto. Em vez de contarem histórias de Baal a sacrificar o seu filho varão a Mavet, os Judeus contavam como o mal'ach ha-mavet (o anjo da morte) matou os filhos varões dos Egípcios. Os pagãos comiam ovos para representar a ressurreição e renascimento do seu deus da natureza, mas o ovo no seder representa o renascimento do povo Judeu ao escapar do cativeiro no Egipto. Quando os primeiros Cristãos se deram conta das similaridades entre os costumes da Pessach e os costumes pagãos, eles deram a volta completa e converteram os costumes da Pessach de volta às suas velhas interpretações pagãs. A seder tornou-se a última ceia de Jesus, similar à última ceia de Osíris, comemorada no equinócio da Primavera. O matza e o vinho tornaram-se novamente no corpo e sangue de um falso deus, desta vez Jesus. Os ovos da Páscoa são novamente comidos para comemorar a ressurreição de um "deus" e também o "renascimento" obtido pela aceitação do seu sacrifício na cruz.

O mito da última ceia é particularmente interessante. Como foi mencionado, a ideia básica da última ceia ocorrer no equinócio vernal vem da história da última ceia de Osíris. Na história Cristã, Jesus está presente com doze apóstolos. De onde é que a história dos doze apóstolos veio? Parece que na primeira versão a história era entendida como uma alegoria. A primeira vez que doze apóstolos são mencionados é no documento conhecido como "Ensinamentos dos Doze Apóstolos". Este documento aparentemente teve origem num documento sectário Judeu escrito no primeiro século D.C., mas foi adoptado pelos Cristãos, que o alteraram substancialmente e adicionaram-lhe ideias Cristãs. Nas primeiras versões é claro que os "doze apóstolos" são os doze filhos de Jacob representando as doze tribos de Israel. Os Cristãos, mais tarde, consideraram os "doze apóstolos" como sendo alegóricos discípulos de Jesus.

Na mitologia egípcia, Osíris foi traído na sua última ceia pelo deus diabólico Set, que os Gregos identificavam como Typhon. Esta parece ser a origem da ideia de que o traidor de Jesus estava presente na sua última ceia. A ideia de que este traidor se chamava "Judas" vem do tempo em que os doze apóstolos eram ainda entendidos como sendo os filhos de Jacob. A ideia de Judas (= Judah, Yehuda) traindo Jesus (o "filho" de José) é uma forte reminiscência da história do José da Tora sendo traído pelos seus irmãos com Yehuda como líder da traição. Esta alegoria seria particularmente apelativa para os Samaritanos Notzrim, que se consideravam filhos de José, traídos pelos Judeus ortodoxos (representados por Judas/Yehuda.)

No entanto, a história dos doze apóstolos perdeu a sua interpretação alegórica original, e os Cristãos começaram a pensar que os "doze apóstolos" eram doze pessoas reais que seguiram Jesus. Os Cristãos tentaram encontrar nomes para estes doze apóstolos. Mateus e Tadeu foram baseados em Mattai e Todah, dois dos discípulos de Yeishu. Um ou os dois apóstolos chamados Jacobus (Tiago) é possivelmente baseado no Jacob de Kfar Sekanya, um primitivo Cristão conhecido do rabi Eliezer ben Hyrcanus, mas isto é apenas uma suposição. Como já vimos, a personagem de Judas é maioritariamente baseado no Judah da Tora, mas poderá haver também uma ligação com um contemporâneo de Yeishu, Yehuda ben Tabbai, o discípulo do Rabi Yehoshua ben Perachyah. Como já foi mencionado, a ideia do traidor na última ceia é derivada da mitologia de Osíris, que foi traído por Set-Typhon. Set-Typhon tinha cabelo ruivo, e esta é provavelmente a origem da afirmação de que Judas tinha o cabelo ruivo. Esta ideia levou ao retrato estereotipo Cristão de que os Judeus têm cabelo ruivo, não obstante o facto de que, na realidade, o cabelo ruivo é de longe mais comum entre Arianos do que entre Judeus.

O apelido "Iscariotes" é muitas vezes atribuído a Judas. Em algumas partes onde os Novos Testamentos Ingleses têm "Iscariotes", o texto Grego realmente tem "apo Kariotou", que significa "de Karyot". Karyot era o nome de uma cidade em Israel, provavelmente o moderno lugar conhecido em árabe como Karyatein. Portanto, vê-se que o nome Iscariotes é derivado do Hebreu "ish Karyot", que significa "homem de Karyot". Isto é, com efeito, a compreensão aceite hoje em dia, pelos Cristãos, do nome. No entanto, no passado, os Cristãos entendiam mal este nome, e nasceram lendas de que Judas era da cidade de Sychar, que ele era um membro do partido extremista conhecido como Sicarii, e que ele era da tribo de Issacar. O mais interessante mal entendimento do nome é a sua primitiva confusão com a palavra scortea, que significa uma bolsa de couro. Isto levou ao mito do Novo Testamento de que Judas carregava uma tal bolsa, o que por sua vez levou à crença de que ele era o tesoureiro dos apóstolos.

O apóstolo Pedro parece ser uma personagem largamente ficcional. De acordo com a mitologia Cristã, Jesus escolheu-o para ser o "guardião das chaves do reino dos céus". Isto é claramente baseado na divindade pagã egípcia Petra, que era o porteiro do céu e da vida após a morte, governados por Osíris. Temos também de duvidar da história de Lucas "o médico", que era suposto ser amigo de Paulo. O original Grego para Lucas é Lycos, que era um outro nome para Apolo, o deus da cura.

João Baptista é largamente baseado numa personagem histórica que praticava imersão ritual na água como um símbolo físico de arrependimento. Ele não realizava baptismos sacramentais ao estilo Cristão para purificar as almas das pessoas – tal ideia era totalmente estranha ao Judaísmo. Ele foi condenado à morte por Herodes Antipas, que temeu que ele estivesse prestes a começar uma rebelião. O nome de João em Grego era "Ioannes", e em latim "Johannes". Apesar de estes nomes serem usualmente usados para o nome Hebreu Yochanan, é improvável que este tenha sido o verdadeiro nome Hebreu de João. "Ioannes" assemelha-se a "Oannes", o nome Grego para o deus pagão Ea. Oannes era o "Deus da Casa de Água". Baptismos sacramentais para purificação mágica das almas era uma prática que aparentemente originou a adoração de Oannes. A mais provável explicação do nome de João e a sua relação com Oannes é a de que João provavelmente ostentou o apelido "Oannes", dado que ele praticava o baptismo, que tinha adaptado do culto de Oannes. O nome "Oannes" foi mais tarde confundido com "Ioannes" (de facto, a lenda do Novo Testamento que diz respeito a João providencia uma pista de que o seu verdadeiro nome talvez tenha sido Zacarias.) É sabido, dos escritos de Flávio Josefo, que o João histórico rejeitou a interpretação pagã do baptismo como "purificação de almas". Os Cristãos, no entanto, voltaram a esta interpretação pagã original.

O deus Oannes era associado com a constelação do Capricórnio. Tanto Oannes como a constelação do Capricórnio eram associados com a água (a constelação é suposto representar uma mítica criatura marítima com o corpo de peixe e as partes dianteiras de um bode.) Já vimos que a Jesus é dado a mesma data de nascimento do deus sol (25 de Dezembro), quando o sol está na constelação de Capricórnio. Os pagãos pensavam deste período como um onde o deus sol imerge nas águas de Oannes e emerge renascido (o Solstício de Inverno, quando os dias começam a ficar maiores, ocorre perto de 25 de Dezembro.) Este mito astrológico é aparentemente a origem da história de que Jesus foi baptizado por João. Provavelmente começou como uma história astrológica alegórica, mas parece que o deus Oannes mais tarde foi confundido com a personagem histórica de apelido Oannes (João.)

A crença de que Jesus tinha conhecido João contribuiu para a crença de que a pregação e crucificação de Jesus tenha ocorrido quando Pôncio Pilatos era procurador da Judeia. É de notar que muitas das datas para Jesus citadas pelos Cristãos são completamente absurdas. Jesus foi em parte baseado em Yeishu e ben Stada, que provavelmente viveram com mais de um século de diferença. Ele foi também baseado nos três falsos Messias, Yehuda, Theudas e Benjamim, que foram crucificados pelos Romanos em várias épocas diferentes. Outro facto que contribuiu para a datação confusa de Jesus foi que Jacob de Kfar Sekanya e provavelmente também outros Notzrim usavam expressões como "assim fui ensinado por Yeishu ha-Notzri", apesar dele não ter sido ensinado por Yeishu em pessoa. Sabemos da Gemara que o testemunho de Jacob levou o Rabi Eliezer ben Hyrcanus a incorrectamente concluir que Jacob era um discípulo de Yeishu. Isto sugere que havia rabis que não sabiam que Yeishu tinha vivido nos tempos Asmoneus. Mesmo depois dos Cristãos situarem Jesus no primeiro século D.C., a confusão continuou entre os não-Cristãos. Houve um contemporâneo do Rabi Akiva chamado Pappus ben Yehuda que costumava trancar a sua esposa infiel. Sabemos da Gemara que algumas pessoas que algumas pessoas que confundiam Yeishu e ben Stada confundiam a mulher de Pappus com Míriam, a infiel esposa de Yeishu. Isto iria situar Yeishu mais de dois séculos depois do que ele actualmente viveu!

A história do Novo Testamento confunde tantos períodos históricos que não há maneira de a reconciliar com a História. O ano tradicional do nascimento de Jesus é 1 D.C. Era suposto Jesus não ter mais de dois anos de idade quando Herodes ordenou a matança dos inocentes. No entanto, Herodes morreu antes de 12 de Abril do ano 4 A.C.. Isto levou alguns Cristãos a redatarem o nascimento de Jesus entre 6 – 4 A.C.. No entanto, Jesus era também suposto ter nascido durante o censos de Quirinius. Este censos teve lugar depois de Arquelau ter sido deposto em 6 D.C., dez anos depois da morte de Herodes. Era suposto Jesus ter sido baptizado por João logo depois de João ter começado a baptizar e a pregar, no décimo quinto ano do reinado de Tibério, i.e., 28 – 29 D.C., quando Pôncio Pilatos foi governador da Judeia, i.e., 26 – 36 D.C. De acordo com o Novo Testamento, isto também aconteceu quando Lysanias foi tetrarca de Abilene e Anás e Caifás eram sumos sacerdotes. Mas Lysanias governou Abilene de c. 40 A.C. até ser executado em 36 A.C. por Marco António, cerca de 60 anos antes da data para Tibério, e cerca de 30 anos antes do suposto nascimento de Jesus! Além do mais, nunca houve dois sumos sacerdotes juntos, em particular, Anás não foi sumo sacerdote juntamente com Caifás. Anás foi retirado do ofício de sumo sacerdote em 15 D.C., depois de deter o ofício por alguns nove anos. Caifás só se tornou sumo sacerdote em 18 D.C., cerca de três anos depois de Anás (ele deteve este ofício durante cerca de 18 anos, e assim as suas datas são consistentes com Tibério e Pôncio Pilatos, mas não com Anás ou Lysanias.) Apesar dos Actos dos Apóstolos apresentarem Yehuda da Galileia, Theudas e Jesus como três pessoas diferentes, situa incorrectamente Theudas (crucificado no ano 44 D.C.) antes de Yehuda, que menciona correctamente como tendo sido crucificado durante o censos (6 D.C.) Muitos destes absurdos cronológicos parecem ser baseados em leituras mal interpretadas e mal entendimentos do livro de Flávio Josefo "Antiguidades Judaicas", que foi usado como referência pelo autor do Evangelho segundo S. Lucas e dos Actos dos Apóstolos.

A história do julgamento de Jesus é também altamente suspeita. Tenta claramente aplacar os Romanos enquanto difama os Judeus. O Pôncio Pilatos histórico era arrogante e déspota. Ele odiava os Judeus e nunca delegou nenhuma autoridade neles. No entanto, na mitologia Cristã, ele é retratado como um governante preocupado que se distancia das acusações contra Jesus e que foi forçado a obedecer às pretensões dos Judeus. De acordo com a mitologia Cristã, em cada Passagem os Judeus pediriam a Pilatos para libertar um qualquer criminoso que eles escolhessem. Isto é, claro, uma mentira espalhafatosa. Os Judeus nunca tiveram o costume de libertar criminosos culpados na Passagem ou em qualquer outra época do ano. De acordo com o mito, Pilatos deu aos Judeus a chance de libertar Jesus, o Cristo, ou um assassino chamado Jesus Barrabás. Os Judeus são supostos ter entusiasticamente escolhido Jesus Barrabás. Esta história é uma malévola mentira anti-semita, uma das muitas mentiras semelhantes encontradas no Novo Testamento (maioritariamente escrito por anti-semitas.) O que é particularmente odioso nesta história sem sentido é que é aparentemente uma distorção de uma história mais antiga que clamava que os Judeus tinham pedido para Jesus Cristo ser liberto. O nome "Barrabás" é simplesmente a forma Grega do Aramaico "bar Abba", que significa "filho do Pai". Assim, "Jesus Barrabás" originalmente significava "Jesus o filho do Pai", em outras palavras o usual Jesus Cristão. Quando a história antiga clamava que os Judeus queriam que Jesus Barrabás fosse solto, estava a referir-se ao Jesus usual. Alguém distorceu a história afirmando que Jesus Barrabás era uma pessoa diferente de Jesus Cristo e isto enganou os Cristãos Romanos e Gregos, que não sabiam o significado do nome "Barrabás".

Finalmente, a afirmação de que o Jesus ressurrecto apareceu aos seus discípulos é também baseada em superstições pagãs. Na mitologia Romana, Rómulo, nascido de uma virgem, apareceu ao seu amigo na estrada antes de ser levado para o céu (o tema de ser levado para o céu é encontrado em grande número de mitos e lendas pagãs, e até em histórias Judaicas.) Foi afirmado que Apolónio de Tyana também tinha aparecido aos seus discípulos depois de ter ressuscitado. É interessante de notar que o Apolónio histórico nasceu mais ou menos ao mesmo tempo que o mítico Jesus era suposto ter nascido. Em lendas, as pessoas afirmavam que ele tinha executado muitos milagres, que eram idênticos àqueles atribuídos a Jesus, tal como exorcismos de demónios e o de trazer novamente a vida a uma rapariga morta.

Quando confrontados com missionários Cristãos, deve-se apontar tanta informação quanta for possível acerca das origens do Cristianismo e do mito de Jesus. Quase nunca os irás conseguir convencer de que o Cristianismo é uma falsa religião. Não poderás provar para além de todas as dúvidas de que a história de Jesus surgiu da maneira que nós afirmamos, uma vez que muita da evidência é circunstancial. De facto, não podemos ter a certeza da origem precisa de muitos pontos particulares da história de Jesus. Isto não interessa. O que é importante é que tu próprio compreendas que existem alternativas lógicas à crença cega nos mitos Cristãos e que pode ser lançada uma dúvida racional sobre a narrativa do Novo Testamento.



A FALTA DE EVIDÊNCIA HISTÓRICA PARA JESUS



A resposta Cristã habitual para os que questionam a historicidade de Jesus é manusear vários documentos como "evidência histórica" para a existência de Jesus. Eles normalmente começam com os evangelhos canónicos, ou seja, O Evangelho segundo S. Mateus, O Evangelho segundo S. Marcos, O Evangelho segundo S. Lucas e O Evangelho segundo S. João. A afirmação habitual é a de que estes são "registos de testemunhas oculares sobre a vida de Jesus feitas pelos seus discípulos". A resposta a este argumento pode ser resumido numa palavra – pseudepigráfico. Este termo refere-se a trabalhos de escrita cujos autores ocultam as suas verdadeiras identidades atrás de nomes de personagens lendárias do passado. A escrita pseudepigráfica era particularmente popular entre os Judeus durante os períodos Asmoneu e Romano, e este estilo de escrita foi adoptado pelos primeiros Cristãos.

Os evangelhos canónicos não são os únicos evangelhos. Por exemplo, há também evangelhos de Maria, Pedro, Tomé e Filipe. Estes quatro evangelhos são reconhecidos como sendo pseudepigráficos tanto por escolares Cristãos como não Cristãos. Eles providenciam uma informação histórica ilegítima dado que foram baseados em rumores e crenças. A existência destes óbvios evangelhos pseudepigráficos faz com que seja bastante racional suspeitar que os evangelhos canónicos poderão também ser pseudepigráficos. O facto de que os primeiros Cristãos escreviam evangelhos pseudepigráficos sugere que isto era de facto a norma. Deste modo, é quando os missionários afirmam que os evangelhos canónicos não são pseudepigráficos que requer provas.

O Evangelho segundo S. Marcos é escrito no nome de S. Marcos, o discípulo do mítico S. Pedro (S. Pedro é maioritariamente baseado no deus pagão Petra, que era o porteiro do céu e da vida depois da morte na religião egípcia.) Até na mitologia Cristã S. Marcos não era discípulo de Jesus, mas um amigo de S. Paulo e S. Lucas. O Evangelho segundo S. Marcos foi escrito antes do Evangelho segundo S. Mateus e do Evangelho segundo S. Lucas (c. de 100 D.C.), mas depois da destruição do Templo em 70 D.C., que menciona. Muitos Cristãos acreditam que foi escrito em c. 75 D.C. Esta data não é baseada em História, mas na crença de que um histórico S. Marcos escreveu o evangelho na sua velhice. Isto não é possível, dado que o estilo de linguagem usada em S. Marcos mostra que foi escrita (provavelmente em Roma) por um Romano convertido ao Cristianismo, cuja primeira língua era Latim e não Grego, Hebreu ou Aramaico. De facto, como todos os outros evangelhos são escritos em nome de personagens lendárias do passado, o Evangelho segundo S. Marcos foi provavelmente escrito muito depois de algum Marcos histórico (se houve um) ter morrido. O conteúdo do Evangelho segundo S. Marcos é uma colecção de mitos e lendas que foram juntos de forma a formar uma narrativa contínua. Não há provas de que tenha sido baseado em qualquer fonte histórica de confiança. O Evangelho segundo S. Marcos foi alterado e editado muitas vezes, e a versão moderna provavelmente data de cerca de 150 D.C. Clemente de Alexandria (c. de 150 D.C. – c. de 215 D.C.) queixou-se acerca das versões alternativas deste evangelho, que ainda circulavam no seu tempo (os Carpocratians, uma primeira facção Cristã, considerava a pederastia como sendo uma virtude, e Clemente queixou-se da sua versão do Evangelho segundo S. Marcos, que contava as explorações homossexuais de Jesus com rapazes novos!.)

O Evangelho segundo S. Mateus certamente não foi escrito pelo apóstolo S. Mateus. A personagem de S. Mateus é baseada na personagem histórica chamada Mattai, que era um discípulo de Yeishu ben Pandeira (Yeishu, que viveu nos tempos Asmoneus, foi uma das várias pessoas históricas em quem a personagem de Jesus foi baseada.) O Evangelho segundo S. Mateus foi originalmente anónimo e só foi lhe foi imputado o nome de S. Mateus algures durante a primeira metade do segundo século D.C. A forma primitiva foi provavelmente escrita mais ou menos ao mesmo tempo do Evangelho de S. Lucas (c. de 100 D.C.), pois nenhum dos dois parece saber do outro. Foi alterado e editado até cerca de 150 D.C. Os primeiros dois capítulos, que tratam da virgem a dar à luz, não estavam na versão original, e os Cristãos de Israel com descendência Judaica preferiram esta primeira versão. Para suas fontes, usou o Evangelho segundo S. Marcos e uma colecção de ensinamentos referidos como a Segunda Fonte (ou o Documento Q.) A Segunda Fonte não sobreviveu como um documento isolado, mas todos os seus conteúdos são encontrados no Evangelho segundo S. Marcos e no Evangelho segundo S. Lucas. Todos os ensinamentos aí contidos podem ser encontrados no Judaísmo. Os ensinamentos mais razoáveis podem ser encontrados no Judaísmo ortodoxo, enquanto que os menos razoáveis podem ser encontrados no Judaísmo sectário. Não há nada nele que requeira a nossa suposição da existência de um Jesus histórico real. Apesar do Evangelho segundo S. Mateus e do Evangelho segundo S. Lucas atribuírem os ensinamentos neles contidos a Jesus, a Epístola de S. Tiago atribui-os a S. Tiago. Como foi visto, o Evangelho segundo S. Mateus não providencia nenhuma evidência histórica para Jesus.

O Evangelho de S. Lucas e o livro dos Actos dos Apóstolos (que eram duas partes de um mesmo trabalho) foram escritos em nome da personagem mitológica Cristã de S. Lucas, o médico (que provavelmente não foi uma personagem histórica mas uma adaptação Cristã do deus Grego da cura Lycos.) Até na mitologia Cristã S. Lucas não foi um discípulo de Jesus, mas um amigo de S. Paulo. O Evangelho segundo S. Lucas e os Actos dos Apóstolos usam o livro de Flávio Josefo, "Antiguidades Judaicas", como referência, e assim não podiam ter sido escritos antes de 93 D.C. Nesta altura, qualquer amigo de S. Paulo estaria ou morto ou bem senil. De facto, tanto escolares Cristãos como não Cristãos estão de acordo de que as primeiras versões dos dois livros foram escritas por um Cristão anónimo em c. 100 D.C., e foram alterados e editados até c. 150 – 175 D.C. Além do livro de Flávio Josefo, o Evangelho segundo S. Lucas e os Actos dos Apóstolos também usam o Evangelho de S. Marcos e a Segunda Fonte como referências. Apesar de Flávio Josefo ser considerado mais ou menos de confiança, o autor anónimo muitas vezes lê ou entende mal Flávio Josefo, e além disso nenhuma das informações acerca de Jesus no Evangelho segundo S. Lucas e nos Actos dos Apóstolos vem de Flávio Josefo. Como se vê, o Evangelho segundo S. Lucas e os Actos dos Apóstolos não têm valor histórico.

O Evangelho segundo S. João foi escrito em nome do apóstolo S. João, o irmão de S. Tiago, filho de Zebedeu. O autor do Evangelho segundo S. Lucas usou tantas fontes quantas pode obter, mas ele não tinha conhecimento do Evangelho segundo S. João. Assim, o Evangelho segundo S. João não podia ter sido escrito antes do Evangelho segundo S. Lucas (c 100 D.C.) Consequentemente, o Evangelho segundo S. João não podia ter sido escrito pela semi-mítica personagem de S. João, o apóstolo, que era suposto ter sido morto por Herodes Agripa pouco antes da sua própria morte em 44 D.C. (S. João, o apóstolo, é aparentemente baseado num histórico discípulo do falso Messias, Theudas, que foi crucificado pelos Romanos em 44 D.C., e cujos discípulos foram assassinados.) O autor real do Evangelho segundo S. João foi, de facto, um anónimo Cristão de Éfeso, na Ásia Menor. O fragmento mais velho sobrevivente do Evangelho segundo S. João data de c. 125 D.C., e assim podemos datar o Evangelho de c. 100 – 125 D.C. Baseados em considerações estilísticas, muitos escolares diminuem a data para c. 100 – 120 D.C. A primeira versão do Evangelho segundo S. João não contém o último capítulo, que trata da aparição de Jesus aos seus discípulos. Tal como os outros Evangelhos, o Evangelho segundo S. João provavelmente só chegou à sua presente forma por volta de 150 – 175 D.C. O autor do Evangelho segundo S. João usou o Evangelho segundo S. Marcos frugalmente, e assim pode-se suspeitar que não confiava nele. Ele ou não tinha lido o Evangelho segundo S. Mateus e o Evangelho segundo S. Lucas ou não confiava neles, pois ele não usa nenhuma informação deles que não tenha sido encontrada no Evangelho segundo S. Marcos. Grande parte do Evangelho segundo S. João consiste em lendas com óbvias interpretações fundamentais alegóricas, e pode-se suspeitar que o autor nunca tencionou que fossem História. O Evangelho segundo S. João não contém nenhuma informação de fontes históricas de confiança.

Os Cristãos afirmarão que próprio Evangelho segundo S. João declara que é um documento histórico escrito por S. João. Esta pretensão é baseada nos versos Jo 19.34 – 35 e Jo 21.20 – 24. Jo 19.34 – 35 não afirma que o Evangelho foi escrito por S. João. Afirma que os eventos descritos nos versos imediatamente precedentes foram reportados correctamente por uma testemunha. A passagem é ambígua e não é claro se a testemunha é suposta ser a mesma pessoa que o autor. Muitos escolares são da opinião de que a ambiguidade é deliberada e que o autor do Evangelho segundo S. João está a tentar arreliar os seus leitores nesta passagem, bem como nas passagens em que conta histórias miraculosas com interpretações alegóricas. Jo 21.20 – 24 também não afirma que o autor é S. João. Afirma que o discípulo mencionado na passagem é alguém que testemunhou os eventos descritos. É mais uma vez notavelmente ambíguo no que refere à questão do discípulo ser a mesma pessoa que o autor. É de notar que esta última passagem é no último capítulo do Evangelho segundo S. João, que não fazia parte do Evangelho original, mas que foi adicionado como um epílogo por um redactor anónimo. Tem de se estar consciente do facto de que muitas traduções "fáceis de entender" do Novo Testamento distorcem as passagens mencionadas para remover a ambiguidade encontrada no original Grego (idealmente, uma pessoa precisa de estar familiarizada com o texto original Grego do Novo Testamento de maneira a evitar traduções preconceituosas e corrompidas usadas por fundamentalistas e missionários Cristãos.)

De maneira a fazer recuar as suas pretensões de que o Evangelho segundo S. Marcos e o Evangelho segundo S. Mateus foram escritos pelos "reais" apóstolos S. Marcos e S. Mateus, e que Jesus é uma personagem histórica, os missionários muitas vezes chamam a atenção para o assim chamado "testemunho de Papias". Papias foi o bispo de Hierápolis (perto de Éfeso) em meados do segundo século D.C. Nenhum dos seus escritos sobreviveu, mas o historiador Cristão Eusébio (c. 260 – 339 D.C.), no seu livro História Eclesiástica (escrito c. 311 – 324 D.C.) parafraseou certas passagens do livro de Papias "Exposition of the Oracles of the Lord" (escrito c. 140 – 160 D.C.) Nestas passagens, Papias afirma que tinha conhecido as filhas do apóstolo S. Filipe, e também reportou várias histórias que afirmou terem vindo de pessoas chamadas Aristion e João, o Ansião, que ainda estariam vivos durante a sua própria vida. Eusébio parece ter pensado que Aristion e João, o Ansião eram discípulos de Jesus. Papias afirmava que João, o Ansião tinha dito que S. Marcos tinha sido o intérprete de S. Pedro e tinha escrito exactamente tudo o que S. Pedro tinha escrito sobre Jesus. Papias também afirmou que S. Mateus tinha compilado todos os "oráculos" em Hebreu, e todos os tinham interpretado o melhor que podiam. Nada disto, no entanto, providencia uma evidência histórica legítima de Jesus nem suporta a crença de que o Evangelho segundo S. Marcos e o Evangelho segundo S. Mateus foram realmente escritos por apóstolos ostentando aqueles nomes. Papias foi um blasonador e não é de nenhuma maneira certo de que ele tenha sido honesto quando afirmou ter conhecido as filhas de S. Filipe. Mesmo que tivesse, isto iria, no máximo, provar que o apóstolo S. Filipe da mitologia Cristã tinha sido baseado numa personagem histórica. Papias nunca afirmou explicitamente que tinha conhecido Aristion e João, o Ansião. Além do mais, só porque Eusébio no século IV acreditou que tinham sido discípulos de Jesus não quer dizer que tenham sido. Nada é conhecido sobre quem realmente seria Aristion. Ele não é certamente um dos discípulos na usual tradição Cristã. Já vi livros em que certos fundamentalistas Cristãos afirmam que João, o Ansião era o apóstolo S. João, o filho de Zebedeu, e que ele ainda estaria vivo quando Papias era jovem. Eles também afirmam que Papias viveu entre c. 60 – 130 D.C., e que ele escreveu o seu livro em c. 120 D.C. Estas datas não são baseadas em nenhuma legítima evidência e são um completo disparate: Papias foi bispo de Hierápolis em c. 150 D.C. e como foi já mencionado o seu livro foi escrito algures no período c. 140 – 160 D.C. Puxando a data para Papias para 60 D.C., ainda não o coloca durante o tempo de vida do apóstolo S. João, que, de acordo com as lendas Cristãs normais, foi morto em 44 D.C. Além disso, é improvável que João, o Ansião tenha tido alguma coisa a haver com S. João, o apóstolo. De acordo com Epifâneo (c. 320 – 403), um primitivo Cristão chamado João, o Ansião tinha morrido em 117 D.C. Teremos mais a dizer sobre ele quando discutirmos as três epístolas atribuídas a S. João. Qualquer que seja o caso, as histórias que Papias coleccionou eram sendo contadas pelo menos uma década depois de os Evangelhos e os Actos dos Apóstolos terem sido escritos, e reflectem rumores e superstições infundadas acerca das origens destes livros. Em particular, a história acerca de S. Marcos obtida de João, o Ansião, não é mais que uma elaboração superficial da lenda acerca de S. Marcos encontrada nos Actos dos Apóstolos, e assim não nos diz nada acerca das verdadeiras origens do Evangelho segundo S. Marcos. A história acerca de S. Mateus escrever os "oráculos" é simplesmente um rumor, e além disso, não tem nada a haver com o Evangelho segundo S. Mateus. O termo "oráculos" pode apenas ser entendido como uma referência à colecção de escritos conhecidos como Oracles of the Lord, que é referido no título do livro de Papias, e que com toda a probabilidade é a mesma coisa que a Segunda Fonte, não o Evangelho segundo S. Mateus.

Além dos Evangelhos canónicos e dos Actos dos Apóstolos, os missionários também tentam usar as várias epístolas Cristãs como prova da história de Jesus. Eles afirmam que as epístolas são cartas escritas por discípulos e seguidores de Jesus. No entanto, epístolas (do Grego epistolē, significando mensagem ou ordem) são livros, escritos sob forma de cartas (usualmente de personagens lendárias do passado), que expõem doutrinas e instruções religiosas. Esta forma de escrita religiosa foi usada pelos Judeus nos tempos Greco-Romanos (a mais famosa epístola Judaica é a Epístola de Jeremias, que é uma prolongada condenação da idolatria, escrita durante o período Helénico na forma de carta pelo profeta Jeremias à população de Jerusalém mesmo antes deles terem sido exilados para a Babilónia.) Como no caso dos Evangelhos, há epístolas Cristãs que não estão contidas no Novo testamento, que escolares tanto Cristãos como não-Cristãos concordam serem epístolas pseudepigráficas e de nenhum valor histórico, pois expõem crenças e não História. A existência de epístolas pseudepigráficas, e verdadeiramente todo o conceito de uma epístola, sugere que as epístolas eram normalmente pseudepigráficas. Ainda assim, são as afirmações dos missionários e Cristãos fundamentalistas de que as epístolas canónicas são cartas genuínas que requerem provas.

A Epístola de S. Judas é escrita em nome de Jude (Judas), o irmão de S. Tiago. De acordo com o Evangelho segundo S. Marcos e o Evangelho segundo S. Mateus, Jesus tinha irmãos chamados Judas e Tiago. Comparando com outros escritos mostra que a Epístola de S. Judas foi escrita em c. 130 D.C., e assim é obviamente pseudepigráfica. No entanto, não há nenhuma evidência que o seu autor usou alguma fonte histórica legítima no que se refere a Jesus.

Duas das epístolas canónicas são escritas em nome de S. Pedro. Dado que S. Pedro é uma adaptação da divindade pagã egípcia Petra, estas epístolas certamente não foram escritas por ele. O estilo e o carácter da Primeira Epístola de S. Pedro sozinhos mostram que não pode ter sido escrita antes de 80 D.C. Até de acordo com a lenda Cristã, S. Pedro era suposto ter morrido no decurso das perseguições instigadas por Nero em c. 64 D.C. e portanto ele não poderia ter escrito a epístola. O autor do Evangelho segundo S. Lucas e dos Actos dos Apóstolos usou todas as fontes escritas que conseguiu obter e tendia a usá-los indiscriminadamente, no entanto ele não menciona quaisquer epístolas de S. Pedro. Isto mostra que a Primeira Epístola de S. Pedro foi provavelmente escrita depois do Evangelho segundo S. Lucas e dos Actos dos Apóstolos (c. 100 D.C.) Nenhuma das referências a Jesus na Primeira Epístola de S. Pedro é tirada de fontes históricas, mas em vez disso reflecte crenças e superstições. A Segunda Epístola de S. Pedro é uma declaração contra os Marcionistas, e portanto deve ter sido escrita em c. 150 D.C. Como se vê, é claramente pseudepigráfico. A Segunda Epístola de S. Pedro usa como fontes: a história da transfiguração de Jesus encontrada no Evangelho segundo S. Marcos, Evangelho segundo S. Mateus e Evangelho segundo S. Lucas, o Apocalipse de S. Pedro e a Epístola de S. Judas. O não canónico Apocalipse de S. Pedro (escrito algures no primeiro quarto do segundo século D.C.) é reconhecido como sendo não-histórico até pelos fundamentalistas Cristãos. Assim, a Segunda Epístola de S. Pedro também não usa qualquer fonte histórica legítima.

Agora voltamo-nos para as epístolas supostamente escritas por S. Paulo. A Primeira Epístola de S. Paulo a Timóteo avisa contra o trabalho Marcionista conhecido como Antithesis. Marcion foi expulso da Igreja de Roma em c. 144 D.C. e a Primeira Epístola de S. Paulo a Timóteo foi escrita pouco depois. Como se vê, temos novamente um caso claro de pseudepigrafia. A Segunda Epístola de S. Paulo a Timóteo e a Epístola de S. Paulo a Tito foram escritas pelo mesmo autor e datam de cerca do mesmo período. Estas três epístolas são conhecidas como as "epístolas pastorais". As 10 restantes epístolas "não-pastorais" escritas no nome de S. Paulo eram conhecidas por Marcion em c. 140 D.C. Algumas delas não foram escritas somente no nome de S. Paulo, mas estão na forma de cartas escritas por S. Paulo em colaboração com vários amigos como Sosthenes, Timóteo e Silas. O autor do Evangelho segundo S. Lucas e dos Actos dos Apóstolos usou todas as vias para obter todas as fontes disponíveis e tendeu a usá-las indiscriminadamente, mas ele não usou nada das epístolas Paulinas. Podemos então concluir que as epístolas não-pastorais foram escritas depois do Evangelho segundo S. Lucas e dos Actos dos Apóstolos no período c. 100 - 140 D.C. A não-canónica Primeira Epístola de Clemente aos Coríntios (escrita c. 125 D.C.) usa a Primeira Epístola de S. Paulo aos Corintios como fonte, e portanto podemos reduzir a data para essa epístola para 100 - 125 D.C. No entanto, ficamos com a conclusão de que todas as epístolas Paulinas são pseudepigráficas (o semi-mítico S. Paulo era suposto ter morrido durante as perseguições instigadas por Nero em c. 64 D.C.) Algumas das epístolas Paulinas aparentam terem sido alteradas e revistas numerosas vezes antes de terem chegado às suas formas modernas. Como fontes usam-se mutuamente, e ainda os Actos dos Apóstolos, o Evangelho segundo S. Marcos, o Evangelho segundo S. Mateus, o Evangelho segundo S. Lucas e a Primeira Epístola de S. Pedro. Podemos então concluir que não providenciam nenhuma evidência histórica de Jesus.

A Epístola aos Hebreus é uma epístola particularmente interessante, dado que não é pseudepigráfica mas completamente anónima. O seu autor nem revela o seu próprio nome nem escreve em nome de uma personagem mitológica Cristã. Os Cristãos fundamentalistas clamam ser outra epístola de S. Paulo e de facto chamam-lhe Epístola de S. Paulo aos Hebreus. Esta ideia, aparentemente datando do final do quarto século D.C., não é no entanto aceite por todos os Cristãos. Como fonte para a sua informação sobre Jesus usa material comum ao Evangelho segundo S. Marcos, ao Evangelho segundo S. Mateus e ao Evangelho segundo S. Lucas, mas não fontes legítimas. O autor da Primeira Epístola de São Clemente usou-o como fonte, e portanto deve ter sido escrita antes dessa epístola (c. 125 D.C.) mas depois de, pelo menos, o Evangelho segundo S. Marcos (c. 75 - 100 D.C.)

A Epístola de S. Tiago é escrita no nome de um servo de Jesus chamado Tiago (ou Jacobus.) No entanto, na mitologia Cristã havia dois apóstolos chamados Tiago e Jesus também tinha um irmão chamado Tiago. Não é claro qual dos Tiagos é o pretendido, e não há entendimento entre os próprios Cristãos. Cita declarações da Segunda Fonte, mas ao contrário do Evangelho segundo S. Mateus e do Evangelho segundo S. Lucas não atribui estas declarações a Jesus, mas apresenta-as como sendo de S. Tiago. Contém um importante argumento contra a doutrina da "salvação através da fé" exposta na Epístola de S. Paulo aos Romanos. Podemos então concluir que foi escrita durante a primeira metade do segundo século D.C., depois da Epístola aos Romanos mas antes do tempo em que o Evangelho segundo S. Mateus e o Evangelho segundo S. Lucas foi aceite por todos os Cristãos. Assim, indiferentemente de qual seja o S. Tiago pretendido, a Epístola de S. Tiago é pseudepigráfica. Não diz quase nada de Jesus e não há evidência de que o autor tinha quaisquer fontes históricas para ele.

Há três epístolas com o nome do apóstolo S. João. Nenhuma delas é, de facto, escrita no nome de S. João, e provavelmente só lhas foram atribuídas algum tempo depois de terem sido escritas. A Primeira Epístola de S. João, tal como a Epístola aos Hebreus, é completamente anónima. A ideia de que foi escrita por S. João vem do facto de que usa o Evangelho segundo S. João como fonte. As outras duas epístolas com o nome de S. João foram escritas por um único autor que em vez de escrever em nome de um apóstolo, escolheu simplesmente chamar-se "o Ancião". A ideia de que estas duas epístolas foram escritas por S. João nasceu das crenças de que "o Ancião" se referia a João, o Ancião, e que ele era a mesma pessoa que o apóstolo S. João. No caso da Segunda Epístola de S. João, esta crença foi reforçada pelo facto de que essa epístola também usa o Evangelho segundo S. João como fonte. Podemos então concluir que as primeiras duas epístolas atribuídas a S. João foram escritas depois do Evangelho segundo S. João (c. 110 -120 D.C.) Consequentemente, nenhuma das três epístolas poderia ter sido escrita pelo apóstolo S. João. Deve-se apontar que é bastante possível que o pseudónimo "o Ancião" se refira à pessoa chamada João, o Ancião, mas se tal assim é, ela não é certamente o apóstolo S. João. As primeiras duas epístolas de S. João apenas usam o Evangelho segundo S. João como fonte para Jesus; elas não usam nenhumas fontes legítima. A Terceira Epístola de S. João menciona "Cristo" escassamente e não há evidências de que tenha usado qualquer fontes históricas para ele.

Além das epístolas com o nome de S. João, o Novo Testamento também contém um livro conhecido como Apocalipse do Apóstolo S. João. Este livro combina duas formas de escrita religiosa, a da epístola e a do apocalipse (apocalipses são trabalhos religiosos que são escritos na forma de revelação acerca do futuro por uma personagem famosa do passado. Estas revelações geralmente descrevem eventos infelizes que ocorrem no tempo em que foram escritas, e também oferecem alguma esperança ao leitor de que as coisas irão melhorar.) Não é certo por quantas revisões passou o Apocalipse do Apóstolo S. João, e assim é difícil datá-la precisamente. Dado que menciona as perseguições instigadas por Nero, podemos dizer com certeza que não foi escrita antes de 64 D.C. Assim sendo, não poderia ter sido escrita pelo "verdadeiro S. João". Os primeiros versos formam uma introdução que é claramente entendida como não sendo de S. João, e que providencia uma vaga admissão de que o livro é pseudepigráfico, apesar do autor sentir que a sua mensagem é inspirada por Deus. O estilo de escrita e as referências à prática de kriobolium (baptismo em sangue de ovelha) sugerem que o autor era dessas pessoas de descendência Judaica que misturavam o Judaísmo com práticas pagãs. Havia muitos destes "Judeus pagãos" durante os tempos Romanos, e foram estas pessoas que se tornaram nos primeiros convertidos aos Cristianismo, estabeleceram as primeiras igrejas, e que foram provavelmente também responsáveis pela introdução de mitos pagãos na história de Jesus (eles são também lembrados pela sua crença ridícula de que "Adonai Tzevaot" era o mesmo que o deus pagão "Sebazios".) As referências a Jesus no livro são poucas e não há evidências de que são baseadas em nada mais que crença.

Além das epístolas aceites no Novo Testamento, e além das epístolas que são unanimemente reconhecidas como não tendo qualquer valor (como a Epístola de Barnabas), existem também várias epístolas que embora não aceites no Novo Testamento são consideradas de valor por alguns Cristãos. Primeiramente, há as epístolas com o nome de Clemente. Na lenda Cristã, S. Clemente foi o terceiro na sucessão a S. Pedro como bispo de Roma. A Primeira Epístola de S. Clemente aos Coríntios não é, de facto, escrita em nome de Clemente, mas no nome da "Igreja de Deus que estadia em Roma". Refere-se a uma perseguição que é geralmente pensada como tendo ocorrido em 95 D.C., no reinado de Domiciano, e refere-se à exoneração dos anciãos da Igreja de Corínto em c. 96 D.C. Os Cristãos acreditam que S. Clemente foi bispo de Roma durante esta altura, e esta é aparentemente a razão pela qual a epístola lhe foi mais tarde atribuída. Os Cristãos fundamentalistas acreditam que a epístola foi de facto escrita em 96 D.C. Esta data não é possível dado que a epístola se refere a bispos e a padres como grupos separados, uma divisão que não tinha ainda tomado lugar. Considerações estilísticas mostram que foi escrita em c. 125 D.C. Como referências, usa a Epístola aos Hebreus e a Primeira Epístola de S. Paulo aos Coríntios, mas nenhuma legítima fonte histórica. A Segunda Epístola de S. Clemente é de um autor diferente do primeiro e foi escrita mais tarde. Podemos então concluir que também não foi escrita por S. Clemente (não há evidências de que qualquer uma destas epístolas tenham sido atribuídas a S. Clemente antes da sua incorporação na colecção de livros conhecida como o Codex Alexandrinus, no século quinto D.C.) Como fontes para Jesus, a _Segunda Epístola de S. Clemente usa o Evangelho dos Egípcios, um documento que é rejeitado até pelos mais fundamentalistas Cristãos, e também os livros do Novo Testamento que mostramos serem de nenhum valor. Assim, e uma vez mais, não temos nenhuma legítima evidência de Jesus.

A seguir, temos as epístolas escritas no nome de Inácio. De acordo com a lenda, St. Inácio era o bispo de Antioquia que foi morto durante o reinado de Trajano c. 110 D.C. (apesar de ele ser provavelmente baseado numa personagem histórica real, as lendas acerca do seu martírio são largamente ficcionais..) Existem quinze epístolas escritas no seu nome. Destas, oito são unanimemente reconhecidas como sendo pseudepigráficas e de nenhum valor no que respeita a Jesus. As restantes sete têm cada uma duas formas, uma maior e outra mais pequena. As formas maiores são claramente edições alteradas e revistas das formas mais pequenas. Os fundamentalistas Cristãos clamam que as formas mais pequenas são as cartas genuínas escritas por St. Inácio. A Epístola de St. Inácio aos Esmirnenses menciona a tripla ordenação de bispos, padres e diáconos, que ainda não tinha tido lugar aquando da morte de St. Inácio, que ocorreu o mais tardar em 117 D.C,. e que provavelmente teve lugar c. 110 D.C. Todas as sete pequenas epístolas atacam várias crenças Cristãs, hoje consideradas heréticas, que só se tornou prevalecente c. 140 – 150 D.C. A Epístola de St. Inácio aos Romanos mais pequena contém uma citação dos escritos de St. Ireneu, escrito depois de 170 D.C. e publicada c. 185 D.C. Podemos então concluir que as sete epístolas mais curtas são também pseudepigráficas. A Epístola de St. Inácio aos Romanos mais curta foi certamente escrita depois de 170 D.C. (de facto, se não foi escrita por St. Ireneu então foi provavelmente escrita depois de c. 185 D.C.) e as outras seis foram escritas não antes do período c. 140 – 150 D.C., se não mais tarde. Não há fontes para Jesus nas epístolas de St. Inácio que não sejam os livros do Novo Testamento e os escritos de St. Ireneu, que apenas usa o Novo Testamento. Portanto, elas contêm nenhuma evidência legítima para Jesus.

Há também mais duas epístolas que os Cristãos afirmam serem cartas genuínas, a saber, a Epístola de S. Policarpo e o Martírio de S. Policarpo. As epístolas de St. Inácio e as epístolas que dizem respeito a S. Policarpo foram sempre estreitamente associadas. É bastante possível que tenham todas sido escritas pelo escritor Cristão St. Ireneu e seus discípulos. Houve certamente uma primitiva personagem histórica real Cristã chamada Policarpo. Ele foi bispo de Esmirna e foi morto pelos Romanos algures no período de 155 – 165 D.C. Quando St. Ireneu era um rapaz, conheceu S. Policarpo. Fundamentalistas Cristãos afirmam que S. Policarpo era o discípulo do apóstolo S. João. No entanto, mesmo que aceitemos a lenda de que S. Policarpo tenha vivido até à idade de 86, ele não poderia ter nascido antes de 67 D.C., e portanto não poderia ter sido discípulo de S. João (é possível que tenha sido discípulo do enigmático João, o Ansião.) Como St. Ireneu tinha conhecido S. Policarpo, também assumiram que St. Ireneu era de facto seu discípulo, uma pretensão para a qual não há evidências. A Epístola de S. Policarpo usa a maior parte dos livros do Novo Testamento e as epístolas de St. Inácio como referências, mas não usa fontes legítimas para Jesus. Os Cristãos que rejeitam as epístolas de St. Inácio mas que acreditam ser a Epístola de S. Policarpo uma carta genuína afirmam que as referências às epístolas de Inácio são uma inserção tardia. Esta ideia é baseada em inclinações pessoais, e não em nenhuma evidência genuína. Baseada numa crença cega que a epístola é uma carta genuína, alguns Cristãos datam-na de meados do segundo século D.C., pouco antes da morte de S. Policarpo. No entanto, as referências às epístolas de St. Inácio sugere que foi de facto escrita algures durante as últimas décadas do segundo século D.C., pelo menos cerca de uma década depois da morte de Policarpo, se não mais tarde.

O Martírio de S. Policarpo é escrito em nome da "Igreja de Deus que estadia em Esmirna". Começa na forma de carta, mas o seu corpo principal é escrito na forma de uma história vulgar. Fala-nos do conto do martírio de S. Policarpo. Tal como a Epístola de S. Policarpo, foi escrita algures durante as últimas décadas do segundo século D.C. Infelizmente, não existe evidência de que tenha usado quaisquer fontes de confiança para a sua história, apenas rumores e boatos. De facto, a história parece ser altamente ficcional. As referências a Jesus não são tiradas de qualquer fonte de confiança.

Assim, vimos que as epístolas usadas pelos missionários como "evidências" são tão ilegítimas como os evangelhos. Ainda assim, o leitor deve ter em atenção as traduções fáceis de entender do Novo Testamento, dado que elas chamam ás epístolas "cartas", e portanto implicando incorrectamente que elas são na verdade cartas escritas pelas pessoas das quais levaram o nome.

Agora, além dos livros do Novo Testamento, e além das epístolas relativas a S. Clemente, St. Inácio e S. Policarpo, há ainda mais um trabalho religioso Cristão que os Cristãos afirmam ser uma evidência histórica de Jesus, a saber, os Ensinamentos dos Doze Apóstolos, também conhecido como o Didache. Todos os outros primitivos trabalhos religiosos Cristãos ou são totalmente rejeitados pelos modernos Cristãos ou pelo menos reconhecidos como não sendo fontes primárias no que respeita a Jesus. O Didache começou como documento sectário Judeu, provavelmente escrito durante o período de tumulto em c. 70 D.C. A sua forma primitiva consistia em ensinamentos morais e predições da destruição da corrente ordem mundial. Esta primeira versão, que obviamente não mencionava Jesus, foi tomada pelos Cristãos, que o reviram e alteraram bastante, adicionando uma história de Jesus e regras de culto para as primeiras comunidades Cristãs. Os escolares estimam que a primeira versão Cristã do Didache não poderia ter sido escrita muito depois de 95 D.C. Provavelmente só chegou à sua forma final por volta c. 120 D.C. Parece ter servido uma comunidade Cristã isolada na Síria como uma "Ordem da Igreja" durante o período c. 100 – 130 D.C. No entanto, não há evidências de que a sua história de Jesus tenha sido baseada em qualquer fonte de confiança, e como havemos mencionado, a primitiva versão Judaica não tinha nada a haver com Jesus. De facto, este documento providencia informação de que o mito de Jesus cresceu gradualmente. Tal como o Evangelho segundo S. Marcos e as primeiras versões do Evangelho segundo S. Mateus, a história de Jesus no Didache não faz menção de um nascimento de uma virgem. Não faz menção dos fantásticos milagres que foram mais tarde atribuídos a Jesus. Apesar de Jesus ser referido como "filho" de Deus, parece que este termo é usado simbolicamente. A evidência que temos em relação à origem do mito da crucificação sugere que uma das coisas que levou a este mito era o facto da cruz ser o símbolo astrológico do Equinócio Vernal, que ocorre perto da Passagem, quando se acredita que Jesus tenha sido morto. Assim, não é de surpreender que a história no Didache não mencione Jesus a ser crucificado, apesar de mencionar uma cruz no céu como símbolo de Jesus. Os doze apóstolos mencionados no título do Didache não aparecem como doze reais discípulos de Jesus, e o termo refere-se claramente aos doze filhos de Jacob que representam as doze tribos de Israel. Assim, o Didache providencia pistas vitais no que respeita ao crescimento do mito de Jesus, mas certamente não providencia qualquer evidência de um Jesus histórico.

Dado que nenhum dos textos religiosos Cristãos providencia nenhuma evidência aceitável de Jesus, os missionários voltam-se a seguir para textos não-Cristãos. Os Cristãos afirmam que vários historiadores de confiança registaram informação acerca de Jesus. Apesar de alguns destes historiadores serem mais ou menos aceites, veremos que não eles não providenciam qualquer informação acerca de Jesus.

Primeiramente, os Cristãos afirmam que o historiador Judeu Flávio Josefo registou informações acerca de Jesus no seu livro Antiguidades Judaicas (publicado c. 93 – 94 D.C.) É verdade que este livro contém informações sobre os três falsos Messias, Yehuda da Galileia, Theudas e Benjamim, o Egípcio, e é verdade que a personagem de Jesus parece ser baseada em todos eles, mas nenhum deles pode ser considerado como o Jesus histórico. Além do mais, no livro dos Actos dos Apóstolos, estas pessoas são mencionadas como sendo pessoas diferentes de Jesus, e assim o Cristianismo moderno rejeita alguma relação entre eles e Jesus. Nas edições Cristãs revistas das Antiguidades Judaicas, há duas passagens que se referem a Jesus como está retractado nos trabalhos religiosos Cristãos. Nenhuma destas passagens são encontradas na versão original das Antiguidades Judaicas, que foi preservada pelos Judeus. A primeira passagem (XVII,3,3) foi citada pela escrita de Eusebius em c. 320 D.C., e portanto podemos concluir que foi adicionada algures entre o tempo em que os Cristãos detiveram as Antiguidades Judaicas e c. 320 D.C. Não é conhecido quando a outra passagem (XX,9,1) foi adicionada. Nenhuma das passagens é baseada em qualquer fonte de confiança. É fraudulento afirmar que estas passagens foram escritas por Flávio Josefo, e que elas providenciam evidências para Jesus. Elas foram escritas por redactores Cristãos e são baseadas puramente na crença Cristã.

A seguir, os Cristãos apontarão para os Anais de Tácito. Nos Anais XV,44, Tácito descreve como Nero culpou os Cristãos pelo incêndio de Roma em 64 D.C. Ele menciona que o nome "Cristãos" era originário de uma pessoa chamada Christus, que tinha sido executada por Pôncio Pilatos durante o reinado de Tibério. É certamente verdade que o nome "Cristãos" é derivado de Cristo ou Christus (= Messias), mas a afirmação de Tácito de que ele foi executado por Pilatos durante o reinado de Tibério é baseado puramente nas afirmações feitas pelos próprios Cristãos e que apareciam nos Evangelho segundo S. Marcos, Evangelho segundo S. Mateus e Evangelho segundo S. Lucas, que já tinham tido extensa circulação quando os Anais estavam a ser escritos (os Anais foram publicados depois de 115 D.C. e não foram certamente escritos antes de 110 D.C.) Portanto, embora os Anais contenham uma frase na qual se fala de "Christus" como uma verdadeira pessoa, esta frase foi puramente baseada em afirmações e crenças Cristãs, que são de nenhum valor histórico. É bastante irónico que os modernos Cristãos usem Tácito para suportarem as suas crenças dado que ele era o menos exacto de todos os historiadores Romanos. Ele justifica o ódio aos Cristãos dizendo que eles cometiam abominações. Além de "Christus", ele também fala de outros deuses pagãos como se eles realmente existissem. O seu sumário da História do Médio Oriente no seu livro Histórias é tão distorcido que é ridículo. Podemos concluir que a sua única menção de Christus não pode ser tida como uma evidência de confiança de um Jesus histórico.

Uma vez Tácito ser rejeitado, os Cristãos afirmarão que uma das cartas de Plínio, o Jovem ao imperador Trajano providencia evidências de um Jesus histórico (Cartas X,96.) Isto é um disparate. A carta em questão simplesmente menciona que certos Cristãos tinham maldito "Cristo" para evitarem serem castigados. Não afirma que este Cristo realmente tenha existido. A carta em questão foi escrita antes da morte de Plínio em c. 114 D.C., mas depois de ele ser mandado para Bitínia em 111 D.C., provavelmente no ano 112 D.C. Assim, ela providencia nada mais que uma confirmação do facto trivial de que à volta do começo da décima segunda década D.C. os Cristãos normalmente não amaldiçoavam algo chamado "Cristo" apesar de alguns o terem feito para evitarem o castigo. Não providencia nenhuma evidência de um Jesus histórico.

Os Cristãos irão também afirmar que Suetônio registou evidências de Jesus no seu livro As Vidas dos Imperadores (também conhecido como Os doze Césares.) A passagem em questão é Cláudio 25, onde menciona que o imperador Cláudio expulsou os Judeus de Roma (aparentemente em 49 D.C.) porque eles causavam distúrbios contínuos instigados por um certo Chrestus. Se assumirmos cegamente que "Chrestus" se refere a Jesus, então, se é que, esta passagem contradiz a história Cristã de Jesus dado que Jesus era suposto ter sido crucificado quando Pôncio Pilatos era procurador (26 – 46 D.C.) durante o reinado de Tibério, e além do mais, ele nunca foi suposto ter estado em Roma! Suetônio viveu durante o período c. 75 – 150 D.C., e o seu livro, As Vidas dos Imperadores, foi publicado durante o período 119 – 120 D.C., tendo sido escrito algum tempo depois da morte de Domiciano em 96 D.C. Assim sendo, o evento que ele descreve ocorreu pelo menos 45 anos antes de ele ter escrito acerca disso, e assim não podemos ter a certeza da sua exactidão. O nome Chrestus é derivado do Grego Chrestos, que significa "o bom" e não é o mesmo que Christ ou Christus que são derivados do Grego Christos, que significa "o ungido/Messias". Se tomarmos a passagem pelo seu valor nominal ela refere-se a uma pessoa chamada Chrestus que estava em Roma e que não tinha nada a ver com Jesus ou com qualquer outro "Cristo". O termo Chrestos era bastantes aplicado para os deuses pagãos e muitas das pessoas em Roma chamados "Judeus" eram na verdade pessoas que misturavam crenças Judaicas com crenças pagãs e que não eram necessariamente de descendência Judaica. Assim, é também possível que a passagem se refira a conflitos envolvendo estes "Judeus" pagãos que adoravam um deus pagão (como Sebazios) de título Chrestos. Por outro lado, as palavras Chrestos e Christos eram muitas vezes confundidas, e assim a passagem poderia até referir-se a algum conflito envolvendo Judeus que acreditavam que alguma pessoa era o Messias, mas esta pessoa poderá ou poderá não ter estado realmente em Roma, e por tudo o que sabemos, ele poderá não ter sido uma verdadeira personagem histórica. Deve-se ter em memória que o evento descrito teve lugar só alguns anos após a crucificação do falso Messias Theudas em 44 D.C. e que a passagem pode-se referir aos seus seguidores em Roma. Os Cristãos afirmam que a passagem se refere a Jesus e aos conflitos que nasceram depois de S. Paulo ter trazido notícias dele a Roma, e que Suetônio apenas se enganou acerca do próprio Jesus ter estado em Roma. No entanto, esta interpretação é baseada na crença cega em Jesus e nos mitos acerca de S. Paulo e não há nada que sugira ser esta a correcta interpretação. Assim, podemos concluir que Suetônio também falha em providenciar qualquer evidência de um Jesus histórico.

Todos os outros escritores que mencionam Jesus, desde S. Justino, o Mártir no segundo século D.C. aos últimos intérpretes do mito Cristão no século vinte, basearam todos as suas referências a Jesus nas fontes que desacreditamos acima. Consequentemente, as suas pretensões são de nenhum valor como evidências históricas. Ficamos então com a conclusão que de que não há absolutamente nenhumas evidências históricas de confiança e aceitáveis. Todas as referências a Jesus são derivadas das crenças supersticiosas e mitos da primitiva comunidade Cristã. A maioria destas crenças apenas apareceram após a perseguição de Nero e a tragédia de 70 D.C. Muitas destas crenças são baseadas nas lendas pagãs acerca dos deuses Tammuz, Osíris, Attis, Dioniso e o deus sol Mithras. Outros mitos acerca de Jesus parecem ser baseados em diferentes e variadas personagens históricas tais como os criminosos condenados Yeishu ben Pandeira e ben Stada, e os falsos Messias crucificados Yehuda, Theudas e Benjamim, mas nenhuma destas pessoas pode ser considerada como um Jesus histórico. 
   

 


 


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