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Quem são os "Cientistas" da Criação
por Lenny Flank

Há uma grande variedade de pessoas que arrogam o manto de "cientistas da criação". Quase todas vêm da ala protestante fundamentalista do cristianismo, ainda que algumas pertençam a denominações como a Igreja Católica Romana. Uma coisa que todas têm em comum é a crença em uma Bíblia isenta de erros, sendo literalmente correta em todos os seus manuscritos originais a respeito de todos os temas, incluindo sua descrição da criação, Adão e Eva e o Dilúvio Universal de Noé. 

Como em qualquer movimento político ou religioso, existem várias escolas de pensamento criacionista, separadas por suas diferenças doutrinárias em suas interpretações da Bíblia. (De acordo com uma fonte, em 1984 havia nada menos que 22 organizações criacionistas nacionais nos Estados Unidos, e pelo menos 54 organizações estatais e locais.)

A facção "dia-era" do criacionismo argumenta que os "dias" citados no Gênesis são realmente símbolos para grandes períodos de tempo, e não dias de 24 horas. Talvez o mais conhecido dos grupos "dia-era" atualmente sejam as Testemunhas de Jeová. Outra escola de pensamento é a dos teóricos da "lacuna", que argumentam que há um lapso de tempo não mencionado entre o primeiro e o segundo versículo do Gênesis, e que o evento da criação em seis dias não ocorreu senão depois de ter passado um longo período de tempo. Muitos dos tele-evangelistas são teóricos da "lacuna". Finalmente, há os criacionistas "estritos", que afirmam que a criação aconteceu como foi descrita no Gênesis e que o universo e toda a vida foram criados em seis dias, há milhares de anos atrás. As duas primeiras escolas, a "dia-era" e a "lacuna", aceitam a evidência geológica de uma Terra muito antiga (porém não a evidência da evolução), e normalmente refere-se a eles como "criacionistas da Terra antiga". Contudo, os criacionistas estritos afirmam que o universo inteiro tem apenas de 6.000 à 10.000 anos de idade e refere-se a eles como "criacionistas da Terra jovem".

Há também um outro ramo de pensamento, os "evolucionistas teístas", que argumentam que a evolução é simplesmente o método que Deus usou para criar a vida, e que não há nenhum conflito entre a ciência e a Bíblia. Praticamente todas as principais denominações religiosas (assim como muitos cientistas) aceitam a evolução teísta. Ainda que pudessem ser considerados "criacionistas", visto que afirmam que o universo foi criado por Deus, os evolucionistas teístas são vistos pelos fundamentalistas como "o inimigo" que está fazendo a obra de Satã. Seria mais apropriado ver os criacionistas fundamentalistas como "anti-evolucionistas", visto que a única coisa que os une é a crença de que a teoria evolutiva é contrária aos ensinamentos do cristianismo. Já que nesta questão os evolucionistas teístas estão estão no lado "errado", não são aceitos como "criacionistas" pelos fundamentalistas.

São os criacionistas da Terra jovem que dominam o movimento da "ciência" da criação e que encabeçam todas as maiores organizações criacionistas, e são os pontos de vista dos criacionistas da Terra jovem os que mais freqüentemente encontram seu caminho nas variadas políticas de anti-evolução ou "tratamento balanceado" as quais eles buscam. O Arkansas Balanced Treatment Act, por exemplo, define a "ciência de criação" em termos do criacionismo da Terra jovem:

"A 'ciência da criação' inclui as evidências científicas e inferências relacionadas que indicam: (1) Criação súbita do universo, da energia e da vida a partir do nada, (2) A insuficiência da mutação e seleção natural para gerar o desenvolvimento de todas as formas de vida a partir de um único organismo, (3) Mudanças apenas dentro de limites fixos de formas de plantas e animais criados originalmente, (4) Genealogia separada para homens e macacos, (5) Explicação da geologia terrestre por meio do catastrofismo, incluindo a ocorrência de uma inundação mundial, e (6) Um início relativamente recente da Terra e das formas de vida." (Arkansas Legislature Act 590, 1981)

O criacionismo da Terra jovem (que posteriormente se converteu em "criacionismo científico") pode ser rastreado, essencialmente, até um homem, George McCready Price, um Adventista do Sétimo Dia fundamentalista, que interpretava a verdade literal da Bíblia como algo lógico. Em 1923, Price publicou um livro chamado The New Geology, no qual ele argumentava que todas as características geológicas que vemos hoje são o resultado do Dilúvio Universal de Noé e não dos lentos processos geológicos descritos pelos cientistas. Price afirmava que a "coluna geológica" não era nada mais que os profundos sedimentos depositados pelo Dilúvio, enquanto que a totalidade dos variados fósseis eram simplesmente os corpos mortos dos organismos que tinham se afogado no Dilúvio. A geologia convencional, afirmava Price, era uma fraude, promovida entre um público crédulo por cientistas que estavam fazendo a obra do Demônio: "Alguns dos métodos enganosos usados pelo Grande Impostor para bajular as pessoas dos últimos dias". (citado em Numbers, 1992, p.137) As idéias de Price passaram a se conhecidas como a  "Geologia do Dilúvio".

Ainda que os geólogos tenham rejeitado Price como um excêntrico e tenham ridicularizado The New Geology por estar repleto de erros e distorções, o livro causou uma sensação entre os fundamentalistas religiosos, que o citavam como sendo o primeiro livro a usar a ciência para mostrar que a Bíblia está literalmente correta. Price (que não era um geólogo) foi citado inclusive durante o famoso caso de Scopes, Tennessee, como um perito cientista. Durante um tempo, ele viajou para Inglaterra, onde um de seus discípulos, Douglas Dewar, entusiasticamente fazia eco ao seu mentor dizendo rudemente, "A Bíblia não pode conter informações falsas, e assim, se suas declarações indubitavelmente entram em conflito com os pontos de vista dos geólogos, então estes últimos estão errados." (citado em Numbers, 1992, p.146). Muito da "geologia do dilúvio" de Price pode ser encontrada, quase intacta, nos textos dos criacionistas modernos.

Em 1935, Price ajudou a formar a Religion and Science Association (RSA), a primeira organização "criacionista" a nível nacional. A RSA tinha como seu propósito reconhecido,  usar dados científicos para apoiar a Bíblia. No entanto, pouco tempo depois de ter sido formada, a RSA foi abatida por um racha interno entre aqueles que aceitavam a geologia do dilúvio de Price e aqueles que a rejeitavam. Um dos membros fundadores da RSA, o teólogo Luterano Theodore Graebner (um criacionista da Terra antiga que lecionava biologia em várias universidades fundamentalistas) declarou abertamente que a geologia do dilúvio não tinha nenhuma evidência que a suportasse: "Apesar de tudo que tenho lido a respeito da teoria do Dilúvio para explicar a estratificação, a erosão e os fósseis, não consigo ver as montanhas sem perder toda a fé nesta solução do problema". (citado em Numbers, 1992, p.112). Por volta de 1937, a Religion and Science Association havia entrado em colapso sob o peso destas rixas.

Pouco depois da morte da RSA, os seguidores de Price formaram sua própria organização, a Deluge Geology Society (DGS), com o propósito específico de respaldar as teorias da Geologia do Dilúvio. Price foi co-fundador e o membro mais destacado. Outro co-fundador foi o membro dos Adventistas do Sétimo Dia, Harold W. Clarke, que também havia sido um membro fundador da RSA enquanto lecionava biologia em uma faculdade Adventista na Califórnia. Outra pessoa que se uniu a DGS foi um estudante de graduação da University of Minnesota chamado Henry Morris, cujo nome viria aparecer com bastante freqüência  mais tarde na história criacionista.

Para prevenir o tipo de lutas internas que destruíram a RSA, A Deluge Geology Society somente admitia como membros geólogos comprometidos com o Dilúvio. Entretanto e não obstante esta precaução, sugiram hostilidades internas de todas as formas a respeito da questão da idade do sistema solar. Os criacionistas da Terra antiga argumentavam que a evidência científica que indicava um sistema solar muito antigo não estava em conflito com o Gênesis, uma posição que os criacionistas da Terra jovem consideravam herética. A organização entrou em colapso em 1948. 

Durante esta época, apareceu uma nova organização criacionista, a qual se tornou muito mais influente que a freqüentemente ignorada DGS. Esta era a American Scientific Affiliation (ASA), que foi formada em 1941 para explicar como a ciência respaldava a Bíblia. Diferente da RSA e da DGS, que estavam mais preocupadas com a teologia do que com a ciência, a ASA exigia que todos os seus membros tivessem credenciais científicas legítimas. Também exigia a todos os seus membros que assinassem um acordo para entrar na sociedade, jurando:

"Creio que a totalidade da Bíblia, como foi dada originalmente, seja a Palavra Inspirada de Deus e o único guia correto de fé e conduta. Visto que Deus é o Autor deste Livro, assim como o Criador e o que sustenta o mundo físico ao  nosso redor, não posso conceber discrepâncias entre afirmações da Bíblia e os feitos reais da ciência." (citado em Numbers, 1992, p.159) 

Esta tática de limitar a entrada de cientistas como membros que de antemão estavam de acordo com a verdade literal do Gênesis se repetiria mais tarde. Na prática, ao usar o conhecimento científico como uma apologia da verdade bíblica, a ASA se converteu na primeira organização da "ciência da criação".

Ainda que a ASA não tivesse conexões com a Deluge Geology Society quando foi formada, a DGS aproximou-se rapidamente pois desejava publicar de forma conjunta um periódico anti-evolução. A direção da ASA os expulsou, desconfiada do "forte tempero a Adventistas do Sétimo Dia" da Deluge Society (citado em Numbers, 1992, p.161).

No fim, entretanto, foi a insistência da ASA em ter uma aparência de respeitabilidade científica, que provou ser sua ruína. Mais uma vez, a geologia do Dilúvio estava no centro da disputa. O Dr. J. Laurence Kulp, um químico e geólogo, repeliu radicalmente a geologia do Dilúvio e assinalou que era demonstravelmente falsa, e que insistir nela como biblicamente-inspirada faria do criacionismo um alvo de risos. "Esta teoria anti-científica da Geologia do Dilúvio," escreveu Kulp, "tem feito e fará um dano considerável à firme propagação do Evangelho entre as pessoas educadas." (citado em Numbers, 1992, p. 167). Kulp logo foi acompanhado pelo biólogo J.Frank Cassell, que apresentou um ensaio à ASA em 1951 afirmando abertamente que, "A evolução tem sido definida como 'a mudança gradual ou súbita em animais e plantas através de gerações sucessivas' . . . Tais mudanças são demonstráveis. Por conseguinte, a evolução é um fato." (citado em Numbers, 1992, p.174-175) Cassell argumentou que a totalidade da atitude da ASA a respeito da evolução teria que ser mudada se quisesse manter qualquer respeitabilidade científica e exigiu que a ASA adotasse uma atitude de evolução teísta. (Este esforço foi parcialmente bem sucedido. Hoje, a ASA não toma nenhuma posição oficial sobre a questão da "ciência" da criação, e a maioria de seus membros são evolucionistas teístas -- porém o grupo publicou um panfleto intitulado Teaching Science in a Climate of  Controversy (Ensinando Ciência num Clima de Controvérsia), que defendia o  criacionismo da Terra antiga.

Os criacionistas da Terra jovem defenderam sua "ciência" contra os ataques de Kulp e Casell. Durante a convenção anual da ASA em 1953, Henry Morris apresentou um ensaio intitulado "The Biblical Evidence for a Recent Creation and Univeral Deluge" (A Evidência Bíblica de uma Criação Recente e um Dilúvio Universal). Morris, um literalista bíblico e criacionista da Terra jovem radical, havia deliberadamente escolhido especializar-se em engenharia hidráulica e em segundo lugar em geologia para poder estudar os efeitos que as águas do dilúvio haviam causado na Terra. Em 1946, ano em que entrou na escola de graduação da University of Minnesota, publicou um panfleto chamado "That You Might Believe" (Para Que Você Creia), o qual defendia a geologia do Dilúvio. Morris se uniu à Deluge Geology Society enquanto ainda era um estudante da graduação. 

Na convenção de 1953 da ASA, Morris encontrou pela primeira vez John C. Whitcomb, Jr., um teólogo com um interesse na geologia do Dilúvio e do criacionismo da Terra jovem. Em 1957, Whitcomb terminou sua dissertação de Th.D. (Doutorado em Teologia) intitulada "The Genesis Flood" (O Dilúvio do Gênesis), que apresentava uma defesa detalhada da historicidade e efeitos geológicos do Dilúvio Universal de Noé. Pouco depois decidiu publicar as teses em um livro, mas pensou que teria mais impacto se um geólogo escrevesse as seções que tratavam da geologia do Dilúvio. Whitcomb se aproximou de vários geólogos criacionistas em busca de ajuda para o livro, mas foi repelido por todos eles, que rejeitavam a geologia do Dilúvio por diversas razões. Finalmente, ele abordou o engenheiro hidráulico Henry Morris, que após uma hesitação inicial, concordou em ser co-autor do livro. The Genesis Flood foi financiado por um grande número de religiosos fundamentalistas (incluindo Rouas J. Rushdooney, que viria a ser o iniciador do movimento "Reconstrucionista" Cristão). O livro foi publicado em fevereiro de 1961.

Para os geólogos, The Genesis Flood foi de dar sono, meramente uma repetição atualizada do New Geology de McCready Price. O livro também recebeu críticas dos criacionistas da Terra antiga, que argumentavam que a simples idéia de uma Inundação Global não era sustentada por nenhuma das evidências geológicas. Em resposta, Whitcomb e Morris simplesmente replicaram que o Gênesis narra que ocorreu uma Inundação Global e que por conseguinte deve ter havido uma: "A questão real não é a exatidão da interpretação dos variados detalhes dos dados geológicos, mas simplesmente o que Deus revelou em Sua Palavra a respeito deste tema." (Whitcomb and Morris, 1961, p.xxvii) Para o ASA Journal, que foi forte em suas críticas ao livro, Morris escreveu, "O ponto verdadeiramente decisivo da questão é 'O que diz a Escritura?' " (citado em Numbers, 1992, p.208)

A Southern Baptist Church onde Morris lecionava aparentemente divergiu, e Morris a deixou por diferenças teológicas a respeito do Dilúvio. Pouco depois, Morris formou sua própria escola a College Baptist Church, e um de seus pastores convidados era Jerry Falwell, esse então um obscuro ministro das vizinhanças de Lynchburg, Virginia. Desde então, Falwell e Morris têm sido sócios comanditários -- a Moral Majority Inc. de Falwell tem dado suporte financeiro às instituições criacionistas de Morris, e Falwell tem promovido insistentemente os livros criacionistas de Morris entre seu grande público da televisão.

A disputa dentro da American Scientific Affiliation sobre a geologia do Dilúvio logo convenceu os criacionistas da Terra jovem que a ASA estava se "suavizando à respeito à evolução". No final de 1961, o agricultor Walter Lammerts, que há muito tempo já estava afiliado à organizações criacionistas, uniu-se a Henry Morris e Duane Gish para formar uma "comissão anti-evolução" dentro da ASA. Lammerts era um extremista mesmo para um criacionista -- diferente da maioria dos criacionistas da Terra jovem, que aceitavam uma forma limitada de evolução dentro de "raças criadas", Lammerts rejeitava inclusive isto e afirmava não ser possível qualquer tipo de especiação. Gish, um Batista Regular e fundamentalista, uniu-se à ASA no final dos anos cinqüenta, após conseguir seu Ph.D. em bioquímica em Berkeley. Trabalhou como pesquisador de proteínas para a Upjohn Company. Juntos, os três formaram uma organização criacionista dissidente chamada Creation Research Committee em 1963. O Comitê mudou posteriormente seu nome para Creation Research Society (CRS), denominação que sustenta até hoje.

A CRS foi o primeiro grupo nacional a ser liderado por Henry Morris, o "Pai do Criacionismo Moderno" e rapidamente passou a refletir os pontos de vista de seu líder. O propósito da CRS, segundo declara, é "publicar evidências de pesquisas respaldando a tese de que o universo material, incluindo plantas, animais e o homem, são o resultado de atos criativos diretos de um Deus pessoal." (Creation Research Society, Articles of Incorporation, Lansing, Michigan, citado em Nelkin, 1982, p.78). Por esta época, Morris havia decidido que os dados científicos podiam ser usados como uma ferramenta eficaz para trazer as pessoas a Cristo e começou a apontar seu modelo de geologia do Dilúvio como uma "ciência alternativa", a que provava a exatidão literal da Bíblia. Também começou a explorar a possibilidade de usar a legislação estadual para ter aprovada a lei de "Tratamento Balanceado", exigindo tratamento igual da "ciência da evolução" e da "ciência da criação" nas aulas de biologia.

Para ajudar a legitimar este ponto de vista, a CRS manteve a antiga tática da ASA de admitir como membros somente cientistas com credenciais. E, num esforço para evitar a luta de facções e a disputa ideológica que havia marcado às primeiras organizações criacionistas, a CRS também adotou um longo e detalhado voto que todos os seus membros teriam que jurar e que os obrigava estritamente a uma interpretação literal do Gênesis, uma perspectiva de uma Terra jovem e a uma aceitação do modelo de geologia do Dilúvio:

"(1) A Bíblia é a Palavra de Deus Escrita e como todas e cada uma de suas partes são inspiradas, todas as suas afirmações são historicamente e cientificamente verdadeiras em todos os escritos originais. Para o estudioso da natureza isto significa que o relato das origens no Gênesis é uma apresentação concreta de simples verdades históricas.

(2) Todos os tipos básicos de seres vivos, incluindo o homem, foram feitos por atos criativos diretos de Deus durante a Semana da Criação descrita no Gênesis. Quaisquer que sejam as mudanças biológicas que tenham ocorrido desde a Semana da Criação somente tiveram êxito as variações dentro das raças criadas originais.

(3) A grande Inundação descrita no Gênesis, comumente conhecida como o Dilúvio de Noé, foi um evento histórico mundial em sua extensão e efeito.

(4) Somos uma organização de cientistas cristãos que aceita Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador. O relato da criação especial de Adão e Eva como homem e mulher e sua subseqüente queda no pecado é a base para nossa crença na necessidade de um Salvador para toda a humanidade. Por conseguinte, a salvação somente pode vir por meio da aceitação de Jesus Cristo como nosso Salvador." (Estatutos da Creation Research Society, citado em Numbers, 1992, p.230-231)

Pode parecer estranho para uma instituição que tentava se apresentar como "científica", exigir que todos os seus membros jurem um voto afirmando sua crença em certas conclusões específicas, independente da evidência científica, mas claramente o propósito da Creation Research Society tem menos a haver com a investigação científica do que tem em converter pessoas para o literalismo bíblico fundamentalista. Na verdade, um grande número de criacionistas se opõem totalmente ao uso da ciência, argumentando que a mensagem religiosa era enfraquecida e desvalorizada ao se tentar usar dados científicos para "provar" o ato da criação. Um dos mais enérgicos opositores foi o co-autor de Morris, John C. Whitcomb, que se queixou de que "Até aonde chega este modelo, poderia ser um cientista criacionista judeu ou mesmo um muçulmano." (Whitcomb, Grace, Theological Journal, 1983, citado em Numbers, 1992, p.246)

"Ao evitar qualquer menção da Bíblia, ou de Cristo como o Criador, poderíamos ganhar uma igualdade de tempo em algumas escolas. Mas o custo poderia ser extremamente alto, porque se perde a certeza absoluta e o impacto espiritual, que somente a Palavra de Deus poderosa e viva pode dar, é enfraquecido." (Whitcomb, Grace Theological Journal, 1983, citado em Numbers, 1992, p.246)

Entretanto, Lammerts continuou atacando a nova "ciência da criação" de Morris puramente no terreno das evidências. Um dos novos argumentos favoritos de Morris era que a evolução era fisicamente impossível devido a uma das leis mais básicas da física, a Segunda Lei da Termodinâmica, a qual, Morris argumentava, declara que um sistema nunca poderia mover-se de um estado de desordem para um estado de maior ordem. Uma vez que, afirmava Morris, os evolucionistas postulam que a mudança de fato varia de um estado de organização menor (organismos unicelulares simples) para um estado de organização maior (animais vertebrados terrestres), a própria base da teoria evolutiva violava a Segunda Lei. Lammerts rejeitou este argumento (e de fato, o argumento de Morris está baseado numa interpretação completamente errônea da segunda lei), argumentando que era um "lixo termodinâmico confuso". (Numbers, 1992, p.235) O criacionista britânico A.E.Wilder-Smith também declarou que Morris obviamente "não tem a menor idéia a respeito da termodinâmica". (citado em Numbers, 1992, p.408)

Em 1978, Walter Lang, o editor da revista criacionista Bible Science Newsletter,  difundiu os sentimentos de muitos criacionistas que sentiam que a justificativa científica para a criação era desnecessária e destituída de mensagem espiritual: "Apenas cerca de cinco por cento dos evolucionistas convertidos ao criacionismo o fez na base da esmagadora evidência da criação no mundo natural." (Lang, Bible Science Newsletter, June 1978, citado em Numbers, 1992, p.233) De fato, Lammerts, Gish e Morris já eram todos criacionistas comprometidos antes de haverem ganho qualquer experiência científica.

No entanto, Morris estava completamente comprometido com sua estratégia de usar a "ciência da criação" para conquistar um lugar para o Gênesis nas aulas de ciências na América e tomou providências para apresentar o criacionismo em uma perspectiva científica, não religiosa. "Assim," explicava Morris, "o criacionismo está  de volta, desta vez não primariamente como uma crença religiosa, e sim como uma explicação científica alternativa do mundo em que vivemos." (Morris, Troubled Waters of Evolution, 1974, p.16) O livro de Morris, Scientific Creationism foi concebido para ser o livro definitivo sobre a "ciência" do criacionismo, adequado para o uso nas disciplinas de biologia nas escolas públicas.

Em 1970, Morris e o pregador cristão fundamentalista Tim LaHaye (da Moral Majority Inc), trabalhando com a Scott Memorial Baptist Church, conseguiram dinheiro e fundaram o Christian Heritage College em San Diego, uma escola bíblica não credenciada. Em seu catálogo acadêmico de 1981, a escola oferecia vários cursos de ciência todos ensinados, segundo dizia, em uma "estrutura criacionista e bíblica consistente". Acerca da teoria evolutiva, o catálogo estabelecia que, " o critério bíblico exige sua rejeição como verdade possível." (1981-1982 General Catalogue, Christian Heritage College, p. 10, citado em La Follette, 1983, p.107) O próprio Morris lecionava uma disciplina de "ciência da criação" na faculdade.

Trabalhando com seus colegas criacionistas Kelly e Nell Segraves, que haviam ajudado a estabelecer uma sede local da Bible Science Association -- uma organização criacionista de linha dura -- Morris ajudou a estabelecer o Creation Science Research Center (CSRC), com o propósito específico de produzir materiais sobre a "ciência da criação" que pudessem ser usados nas salas de aulas públicas uma vez que os criacionistas tivessem êxito em introduzir nas escolas a "ciência" da criação. Morris também fundou o Institute for Creation Research (ICR) como um laboratório científico para o Christian Heritage College, com o propósito declarado de tentar "provar" cientificamente a validade literal do Gênesis.

Entretanto, pouco depois explodiu uma luta pelo poder no CSRC entre Morris e os Segraves. Os Segraves lutaram pelo controle do Centro, e rapidamente o desfiliaram do Christian Heritage College e do ICR. O CSRC e a CRS ainda existem, mas a estrela mais brilhante no movimento criacionista desde 1970 tem sido Morris e o Institute for Creation Research.

O ICR permaneceu filiado ao Christian Heritage College até o início dos anos oitenta, quando tornou-se adequado para os criacionistas diminuir a importância das conexões religiosas do ICR e tentar pintar sua investigação da ciência bíblica como uma instituição científica e puramente secular. O ICR, ainda hoje tenta manter a ficção de que é um instituto científico sem nenhuma filiação religiosa, mas a maioria dos dirigentes do ICR, incluindo Henry Morris e Duane Gish, ainda são professores adjuntos no Christian Heritage College. O ICR não executa nenhuma pesquisa de campo em nenhuma das ciências biológicas e não obstante sua afirmação de ser puramente científico, mantém seu status de isenção de impostos junto ao IRS com a base de que é uma instituição religiosa levando a cabo "investigação não científica".

Também existe um certo número de pequenas organizações criacionistas. O antigo Geoscience Research Institute (GRI) ainda está ativo. Está baseado na Loma Linda University, uma universidade Adventista de Sétimo Dia. Em sua maior parte, o GRI evita o trabalho legislativo ou político, e ao invés se dedica ao fornecimento de materiais de referência criacionista para professores de biologia e geologia. O GRI adere ao criacionismo da Terra antiga.

Outra pequena organização que consegue ocasionalmente alguma menção da imprensa é o Creation Evidences Museum (Museu de Evidências da Criação) perto de Glen Rose, Texas. O museu é dirigido pelo Reverendo Carl Baugh, que tem PhD em antropologia do College of Advanced Education, uma escola bíblica não credenciada localizada no terreno da Sherwood Park Baptist Church. As atrações mais importantes do Museu são as supostas "pegadas humanas" das vizinhanças do Dinosaur Valley State Park, ao longo do rio Paluxy. De acordo com os criacionistas, o parque estadual contém pegadas de dinossauro ao lado de pegadas de humanos modernos, provando que os dois foram contemporâneos. Baugh também afirma ter encontrado um dente fóssil humano cravado entre ossos de dinossauros. Uma vez que suas alegações mais importantes (incluindo as pegadas e o "dente humano") já foram desmascaradas, Baugh é visto pelos maiores grupos criacionistas como um tipo de excêntrico.

Outra organização criacionista ativa é a Foundation for Thought and Ethics (FTE), que adota uma interpretação do criacionismo da Terra antiga. A FTE produziu uma sugestão de livro-texto criacionista de biologia, Of Pandas and People (Sobre os Pandas e as Pessoas), que não havia sido aprovado por qualquer comissão de educação estadual dos EUA, mas que ocasionalmente aparece em distritos escolares locais. Ainda que a FTE alegue ser um grupo científico, nas formas de isenção de impostos se alinha com o IRS, ao afirmar que o propósito da organização é "proclamar, publicar e pregar . . . o evangelho de Cristo e o entendimento da Bíblia" (citado em Eve and Harrold, 1991, p.131).

Talvez alguma menção deva ser feita aos grupos criacionistas marginais, os quais inclusive o ICR e o CSRC reconhecem como um pouco lunáticos. O mais conhecido destes é a Flat Earth Society (Sociedade da Terra Plana), que argumenta tanto em terreno científico como religioso que a Terra é verdadeiramente plana, e que os dados astronômicos e geológicos, se adequadamente interpretados, provam que isto é verdade. (Os membros da Flat Earth foram recentemente apresentados num especial do canal a cabo Discovery Channel.) Outro grupo marginal a Tychonian Society, a qual, diferente da Flat Earth Society, aceita que a Terra é redonda, mas argumenta, em terreno científico e religioso, que a Terra está no centro do universo e que o sol gira ao redor dela.

Um dos mais recentes grupos criacionistas é o Center for Creation Research (CCR) que foi fundado em 1988 como parte da Liberty University da Moral Majority Inc. Há muito tempo, Falwell e a Moral Majority tem fortalecido seus laços com o ICR e outros criacionistas -- o próprio Henry Morris foi agraciado com um título de doutor honorário pela Liberty University em 1989. O Center for Creation Research, que orgulhosamente declara ter o maior museu da Criação em todo o mundo, foi dirigido pelo ex-membro da junta diretiva do ICR, Dr. Lane Lester. Este fechou suas portas por falta de fundos.

A influência do CCR veio diretamente através de seus laços com a Liberty University. Todos os alunos da Liberty devem cursar uma disciplina de um semestre de biologia criacionista, intitulada "A History of Life" ("Uma História da Vida"). Além disso, o Programa de Educação em Biologia da universidade enfatiza fortemente um ponto de vista criacionista -- e este programa é reconhecido pelo estado da Virginia para o treinamento de professores. Isto significa que em poucos anos, poderão se candidatar para cargos de ensino na Virginia e em qualquer outro lugar, professores que tenham sido treinados na "ciência" da criação -- uma conquista que nenhuma outra organização criacionista tem sido capaz de igualar. (O ICR também tem uma "escola de graduação" para estudantes, mas não está credenciada para treinar professores.)

Entretanto, no momento o ICR é a estrela mais brilhante do movimento criacionista e, é responsável pela maior parte da literatura criacionista que está disponível hoje em dia (o ICR também produz filmes criacionistas em conjunto com a Films for Christ). O ICR faz bastante alvoroço se promovendo em torno de suas "credenciais científicas". Os membros do ICR, orgulhosamente declaram, que é exigido que se tenha um título acadêmico avançado em pelo menos uma das ciências. Entretanto, normalmente deixam de mencionar que, a exemplo do que acontece na CRS, todos os seus membros devem assinar um voto afirmando sua crença numa interpretação literal do Gênesis e sua aceitação de Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador. (Aos mulçumanos, judeus, budistas, e qualquer outro tipo de criacionista não fundamentalista não lhes é permitida a entrada no ICR, a menos que renunciem à sua crenças e assinem o voto do ICR de infalibilidade bíblica.

Um dos panfletos favoritos do ICR se intitula "Twenty-One Scientists Who Believe in Creation" ("Vinte e Um Cientistas que Acreditam na Criação"), o qual faz uma lista de vários possuidores de títulos de doutor e de mestre em várias disciplinas científicas que afirmam a exatidão literal do Gênesis. Entretanto, dos 21 listados pelo ICR, apenas um pequeno número possui um título em qualquer uma das ciências da vida. Três dos 21 têm doutorado em educação, dois são teólogos, cinco são engenheiros. O restante inclui um físico, um químico, um psicolingüista e um "cientista de alimentos".

Alguns "cientistas" da criação, todavia, têm sido menos notórios em suas conquistas acadêmicas e alguns têm sido completamente desonestos. Daqueles que afirmam ter títulos em biologia ou geologia (áreas que são relevantes na avaliação da evidência científica para o modelo da evolução), pelo menos alguns parecem ter títulos que no melhor dos casos são questionáveis e no pior, distorções ou fraudes deliberadas. O "Dr." Harold Slusher, um dos co-fundadores da CRS, obteve um título de doutor em geofísica de algo chamado  Columbia Pacific University na Califórnia. O Sr. Slusher foi obrigado pela própria CRS a retirar o título de "Dr." de seu nome quando foi descoberto que esta "universidade" não é nada mais que uma escola por correspondência não reconhecida, do tipo das que fazem sua publicidade na parte traseira de carteirinhas de fósforos. (Numbers, 1992, p. 288). De uma maneira semelhante, o "Dr." Clifford Burdick da Creation Research Society foi expulso por incompetência de dois programas distintos antes de obter um título de doutor em Geologia da "Arizona University of Physical Sciences", que na realidade consistia unicamente de uma caixa de correio numa universidade de fundo de quintal não credenciada. (Numbers, 1992, pp. 262-263)

O movimento criacionista tampouco gosta de falar a respeito dos cientistas que o abandonam logo que lhes é dada uma oportunidade de fazer uma verdadeira pesquisa de campo. Em 1957, o Geoscience Research Institute foi formado com a finalidade de buscar evidências do Dilúvio de Noé no registro geológico. O projeto entrou em ruínas quando os dois criacionistas envolvidos no intento, P. Edgar Hare e Richard Ritland, completaram seu trabalho de campo com a conclusão de que os fósseis eram muito mais antigos do que afirmado pelos criacionistas e que não poderia ser encontrada nenhuma evidência geológica ou paleontológica de qualquer tipo que indicasse a ocorrência de uma inundação global. (Numbers, 1992, pp 291-293) Hare concluiu, "Temos sido ensinados por anos que quase tudo no registro geológico é resultado do Dilúvio. Tenho visto o suficiente no campo para me dar conta de que proporções bastante substanciais do registro geológico não são o resultado direto do Dilúvio. Também nos levaram a acreditar . . . que a evidência para a enorme idade da Terra era extremamente tênue e realmente nem um pouco digna de crédito. Tenho tentado fazer um estudo mais cuidadoso desta evidência durante os últimos anos e penso que ela não é ambígua mas que é exatamente tão clara quanto a evidência de que a Terra é redonda." (citado em Numbers, 1992 p. 294.) Ritland, por sua parte, apontou que o livro de Morris, The Genesis Flood, contêm "erros flagrantes os quais as pessoas leigas no assunto dificilmente serão capazes de detectar". (citado em Numbers, 1992, p. 294.) Ritland concluiu que tentativas posteriores para justificar a geologia do Dilúvio "somente traria embaraços e descrédito para a causa de Deus". (citado em Numbers, 1992, p.293) nota 2*

Alguns anos depois, os biólogos criacionistas Carl Krekeler e William Bloom, que ensinavam biologia criacionista na Valparaiso University da Igreja Luterana, em Indiana, abandonaram o movimento após concluírem que uma interpretação literal do Gênesis não estava respaldada por nenhuma das evidências científicas disponíveis. Krekeler concluiu, "A documentação, não apenas das mudanças dentro de uma linhagem como a dos cavalos, mas da transição entre as classes de vertebrados -- particularmente os detalhes da transição entre répteis e mamíferos -- forçaram-me a abandonar a idéia de uma  evolução ocorrendo somente dentro das 'raças'." (citado em Numbers, 1992, p.302.) Krekeler também criticou o movimento criacionista pelas "dezenas de lugares onde se dizem meias verdades, onde as citações que sustentam o ponto de vista do autor são extraídas fora de seu contexto de livros que representam pontos de vista contrários, e onde há interpretações incorretas." (citado em Numbers, 1992, p.303.) Os dois se tornaram evolucionistas teístas e posteriormente escreveram um livro-texto de biologia que aceitava a teoria evolutiva.

Talvez como resultado destas deserções, o movimento criacionista não financia mais, nem leva a cabo nenhuma pesquisa de campo de qualquer tipo. Seu único método de "investigação científica" consiste em investigar dentro dos trabalhos publicados por teóricos dos mecanismos evolutivos para buscar citações que possam ser tiradas do contexto e serem usadas para exaltar as crenças criacionistas. 

Indubitavelmente, existem cientistas com títulos legítimos de universidades legítimas que crêem no criacionismo e numa verdade literal do Gênesis, tal como há cientistas com títulos legítimos de universidades legítimas que crêem na Percepção Extrassensorial, nos discos voadores, fantasmas, Pé Grande ou no Monstro do Lago Ness. Mesmo a Flat Earth Society tem seu contingente de membros cientistas. O simples fato de que certo número de cientistas resolvam professar uma crença ou outra, não é uma indicação de que essa crença seja válida. A validade na ciência é decidida pela evidência e pelos dados, não por uma disputa de popularidade ou por uma votação. Apesar dos 25 anos de esforço, nenhum dos cientistas da ICR mostrou qualquer evidência conclusiva (ou mesmo digna de crédito) que refute o modelo evolutivo do desenvolvimento biológico.

Nem todos os criacionistas são cientistas. Uma das testemunhas criacionistas na audiência do Arkansas foi o Dr. Norman Geisler, um teólogo fundamentalista do Dallas Theological Seminary. Durante seu depoimento de pré-audiência, Geisler foi indagado se acreditava  num Diabo real. Sim, ele replicou, fez isto e citou alguns versos bíblicos como confirmação. O diálogo então prosseguiu:

Pergunta: "Existem, senhor, quaisquer outras evidências para essa crença além de certas passagens da Escritura?"

GEISLER: "Ah, sim. Conheci pessoalmente pelo menos 12 pessoas que foram claramente possuídas pelo Demônio. E também existem OVNIs."

P: "Os OVNIs? Por que eles são relevantes para a existência do Demônio?"

GEISLER: "Bom, veja, eles representam o maior, na verdade o ataque final do Demônio sobre a Terra."

P: "Ah. E senhor, posso lhe perguntar como o senhor sabe, ao menos é isso que parece, que existem OVNIs?"

GEISLER: "Li sobre isto no Readers' Digest." (Trial Transcript, US District Court, McLean vs Arizona, 1981, citado em Gilkey, 1985, p. 76)

Na audiência, Geisler testemunhou sob juramento (aparentemente com toda seriedade) que os discos voadores eram "manifestações satânicas com o propósito de enganar". (Trial Transcript, US District Court, McLean vs Arkansas, 1981, citado em Gilkey, 1985, p.77; LaFollette, 1983, p.114 e Nelkin, 1982, p.142)

Geisler também testemunhou que a proposta criacionista do Arkansas não introduziu religião nas escolas pela simples razão de que Deus não é um conceito religioso. "É possível", entoou Geisler, "crer que Deus existe sem necessariamente crer em Deus". Para respaldar esta idéia, Geisler argumentou que o Diabo reconhecia a existência de Deus mas não O adorava e que por conseguinte tratava a Deus como um conceito não religioso. (Trial transcript, McLean vs Arkansas, 1981, citado em Berra, 1990, p. 134.) O Juiz Overton concluiu de forma bem mais cortês que a noção de Geisler "é contrária ao senso comum". (Overton Opinion, McLean vs Arkansas, 1981)
 

 


 


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