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O projeto, conhecido como Grande Inga, usará a água em vários pontos do Rio Congo, sem precisar fazer represas.[Imagem: Wikipedia/Sémhur]

Usina africana, que será a maior do mundo,
será
uma Hidrelétrica sem barragem
28/05/2013

A maior hidrelétrica do mundo será construída no Rio Congo, o maior rio do mundo depois do Amazonas.

A hidrelétrica Inga, que será construída na República Democrática do Congo, terá uma capacidade de geração de eletricidade duas vezes maior do que a maior hidrelétrica do mundo atualmente, a usina de Três de Gargantas, na China.

Hidrelétrica sem barragem

Mas, além da potência, ela terá uma vantagem imbatível: a hidrelétrica será construída sem a necessidade de construir uma represa.

Isso será possível porque, nas chamadas Cataratas Inga, cerca de 42.000 metros cúbicos de água por segundo descem uma sucessão de corredeiras única na Terra.

Assim, as turbinas da usina de 40 GW serão acionadas pelo próprio fluxo normal do rio Congo, sem represa, sem terras inundadas e sem desalojamento da população.



Aliás, assim que foi anunciado, o projeto já recebeu inúmeras críticas porque, segundo algumas organizações não-governamentais, não irá beneficiar a população do Congo: metade da energia será usada nas minas de cobre do país, cujo metal é exportado para o primeiro mundo, e a outra metade será comprada pela África do Sul.

Segundo seus defensores, com a instalação da infraestrutura adequada de transmissão, a energia gerada na usina de Inga poderá abastecer a Nigéria, o Egito e até a Europa.

O Banco Mundial, que está financiando o projeto, não vê sentido na polêmica, afirmando em nota que a usina vai "catalisar benefícios de larga escala para melhorar o acesso aos serviços de infraestrutura na África.

Segundo o Banco, a usina de Inga terá um dos custos de energia mais baixos do mundo, de cerca de US$0,02/kWh.

As obras deverão começar em 2015.

Uma comitiva formada por autoridades da República Democrática do Congo (RDC) visitou a Itaipu Binacional  com o objetivo de conhecer as experiências que possibilitaram a construção da hidrelétrica brasileiro-paraguaia. Essas experiências servirão como referência para viabilizar o maior aproveitamento hidrelétrico do mundo, Grand Inga, no Rio Congo, que tem potencial estimado em 49 mil megawatts, o dobro da usina chinesa de Três Gargantas.

Conforme Alberto Tchomba , conselheiro sênior do Primeiro Ministro e encarregado de Minas e Energia da RDC, um dos principais interesses está nos acordos que foram firmados na Bacia do Prata e que garantem as vazões do Rio Paraná. “O Rio Congo, onde a usina será construída, é alimentado por cinco grandes rios que vêm de cinco países. Então, queremos fazer acordos que garantam as vazões mínimas para a operação da usina, caso outros empreendimentos venham a ser construídos nesses rios”, explicou.
   
Grand Inga irá se somar às já existentes Inga 1 e 2 e deverá ser construída em sete fases. Atualmente, o projeto ainda está em seus estágios iniciais, de seleção do consórcio que será responsável pela obra. Três grupos de empresas disputam o processo (um europeu, um chinês e outro do Canadá/Coreia do Sul).
    
A primeira fase é de aproximadamente 5 mil megawatts e deverá estar concluída em 2021. Para isso, serão necessários investimentos de US$ 8,5 bilhões. O Banco de Desenvolvimento da África já se comprometeu com parte dos recursos, mas o financiamento global do projeto é, na opinião do diretor de gabinete do Ministério de Recursos Hídricos e Eletricidade, Thaddee Nkumbi, outro desafio a ser vencido.

“Outro interesse que temos na Itaipu é entender como a usina foi financiada; como o pagamento dos empréstimos é feito com a venda da energia gerada", disse Nkumbi

Os 5 mil megawatts da fase inicial já têm mercado consumidor garantido: metade na própria RDC e outra metade na África do Sul, especialmente a indústria de beneficiamento de minérios, que é bastante eletroinstensiva. Porém, um estudo do Conselho Mundial de Energia (WEC, em inglês) aponta que Grand Inga tem o potencial de abaster 500 milhões de africanos que hoje não têm acesso à eletricidade.

Nesta segunda-feira (15), a comitiva do país africano teve a oportunidade de conhecer os aspectos jurídicos e econômicos dos documentos que regulam o funcionamento da Itaipu, como o Tratado Itaipu e o Acordo Tripartite firmado entre o Brasil, Paraguai e Argentina em 19 de outubro de 1979 e que garante as vazões mínimas e máximas do Rio Paraná.

O encontro prosseguiu na manhã desta terça-feira (16), com uma palestra do diretor-geral brasileiro, Jorge Miguel Samek, que abordou o cenário atual da usina, tanto na parte de geração de energia, como nas ações de responsabilidade socioambiental, desenvolvimento tecnológico e turismo.

“Estamos abertos a todo tipo de parceria que possa beneficiar o aproveitamento hidrelétrico do Congo, seja na parte de estudos de viabilidade, projeto, tratados. Enfim, temos o maior interesse em ajudar a concretizar essa iniciativa”, garantiu Samek.

A visita da comitiva da RDC foi realizada com o apoio do Ministério das Relações Exteriores e da Eletrobras e partiu de um pedido do diretor-geral da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), Kandeh Yumkella.

“Queríamos mostrar às autoridades da República Democrática do Congo o potencial enorme de desenvolvimento regional e benefícios que podem ser gerados por uma hidrelétrica, como é o caso da Itaipu”, afirmou o representante da Onudi no Brasil, Gustavo Aishemberg. “A África tem um grande potencial de desenvolvimento energético, como o petróleo e o gás no Norte. Mas no Sul, a vocação é hidrelétrica”, completou.

A visita prossegue até o dia 18 (quinta-feira). Os congoleses ainda terão a oportunidade de conhecer aspectos técnicos da operação da usina, o Parque Tecnológico Itaipu, programa Cultivando Água Boa e a Plataforma Itaipu de Energias Renováveis.

 

 

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