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Mal de Alzheimer

A ciência ainda procura muitas respostas para a doença

O mal de Alzheimer (lê-se al-zai-mer) é uma doença progressiva e irreversível que afeta o cérebro. Ela atinge primeiramente a memória e, progressivamente, as outras funções mentais, tirando toda a autonomia da pessoa, que passa a depender completamente de outras pessoas.
É uma doença muito relacionada com a idade, afetando as pessoas com mais de 50 anos. A estimativa de vida para os pacientes varia de 2 a 15 anos.
  
Qual é a Causa do Mal de Alzheimer?
Ainda não se sabe qual é a causa do mal de Alzheimer. No entanto, há um consenso entre os especialistas de que o mal de Alzheimer é uma doença genética, embora não seja necessariamente hereditária. Isto é, nem todos os casos são transmitidos entre familiares, principalmente dos pais para os filhos.

 
Como é Feito o Diagnóstico?
Não existe nenhum exame que permita diagnosticar, de modo inquestionável, o mal de Alzheimer. A única forma de fazer o diagnóstico é examinando o tecido cerebral obtido por uma biópsia ou necrópsia.
Dessa forma, o diagnóstico do mal de Alzheimer é feito pela exclusão de outras causas de demência, pela análise do histórico do paciente, por exames de sangue, tomografia ou ressonância, entre outros exames.
Exames de sangue também podem indicar quais são as probabilidades de uma pessoa desenvolver o mal de Alzheimer.
  
Quais São os Sintomas do Mal de Alzheimer?
A princípio, observam-se pequenos esquecimentos e perdas de memória que vão se agravando progressivamente. Os pacientes tornam-se confusos e, às vezes, agressivos, passando a apresentar alterações de personalidade, com distúrbios de conduta. Acabam por não reconhecer os próprios familiares e nem a si mesmos quando colocados de frente a um espelho.
À medida que a doença evolui, tornam-se cada vez mais dependentes de terceiros, até mesmo para as atividades elementares do dia-a-dia como alimentação, higiene, vestuário, etc.

Como é o Tratamento?
O mal de Alzheimer não tem cura e o tratamento consiste de duas variáveis:
Aspectos comportamentais. Nesta vertente, além da medicação, convém também contar com a orientação de diferentes profissionais de saúde;
Desequilíbrios químicos que ocorrem no cérebro. Existem remédios que ajudam a corrigir esses desequilíbrios e que são mais eficazes na fase inicial da doença. Todavia, tais remédios, infelizmente, têm efeito temporário. Por enquanto, não existem medicamentos que impeçam a progressão da doença.

Alzheimer não é doença só do cérebro

Alzheimer detectado no sangue

Cientistas da USP (Universidade de São Paulo) identificaram três substâncias encontradas no sangue que podem ajudar a entender o processo de envelhecimento do cérebro.

Ao estudar os compostos envolvidos no chamado estresse oxidativo, que desequilibra a presença de radicais livres no organismo, os pesquisadores perceberam que essa desregulação ocorre de forma mais intensa em pacientes com Alzheimer.

Os resultados abrem caminho para que, no futuro, possa ser feita a identificação precoce de doenças neurodegenerativas por meio de exames de sangue.

Atualmente, o diagnóstico definitivo do Alzheimer é feito somente após a morte do paciente com a análise de partes do cérebro.

"Fomos atrás de marcadores [da doença] no sangue, porque trabalhos científicos recentes já consideram o Alzheimer como uma doença sistêmica e não exclusiva do cérebro. Então a gente acreditava que, se esse mecanismo de estresse oxidativo estivesse presente na doença, talvez a gente pudesse verificar ela perifericamente [no exame de sangue]", explicou a professora Tania Marcourakis.

Alzheimer sistêmico

Foram estudados três compostos presentes no sangue, cujos níveis variam de acordo com o envelhecimento: monofosfato cíclico de guanosina (GMP cíclico), óxido nítrico sintase (NOS) e substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico (Tbars).

Os estudos mostraram que, com o avanço da idade, aumenta a presença da NOS e da Tbars e ocorre uma diminuição do GMP cíclico.

"Com a doença, a gente viu que a Tbars aumenta mais ainda. Vimos uma escadinha: no envelhecimento ela sobe e com a doença de Alzheimer, sobe mais ainda. E a mesma coisa ocorre com o NOS, mostrando que são processos contínuos. Já o GMP cíclico, uma vez que ele diminui no envelhecimento, continuava diminuindo na doença", expôs Marcourakis.

Esse desequilíbrio leva a uma formação maior de radicais livres.

Marcourakis destacou que os resultados ainda não podem ser utilizados como diagnóstico de doenças neurodegenerativas, mas avançam na compreensão fisiopatológicas delas.

"A gente entende melhor a doença. Veja o Alzheimer, por exemplo, ele não está só no cérebro, está no corpo inteiro, a análise do sangue mostrou isso", declarou.

Exercite o cérebro para livrar-se do Alzheimer

Rastro biológico

Hábitos que estimulam o cérebro, cultivados ao longo da vida, estão associados com um nível mais baixo de uma proteína-chave no Mal de Alzheimer.

As tomografias (PET-Scan) do cérebro de pessoas sem sintomas de Alzheimer, que tinham hábitos cognitivamente estimulantes, mostraram menores depósitos de beta-amiloide, uma proteína associada com a doença neurodegenerativa.

Embora pesquisas anteriores já houvessem demonstrado que atividades como ler, escrever ou participar de jogos ajudam a retardar o aparecimento do Alzheimer, este estudo mostrou o rastro biológico dessas modificações.

Terapias cognitivas

Os pesquisadores afirmam que os resultados podem ajudar a estruturar novas estratégias de prevenção da doença, que apresenta uma prevalência crescente no mundo ocidental.

"Estas descobertas apontam para uma nova forma de pensar sobre como o engajamento em atividades cognitivas ao longo da vida afeta o cérebro," afirmou William Jagust, da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA).

"Mais do que simplesmente oferecer resistência ao Alzheimer, as atividades estimuladoras do cérebro podem afetar um processo patogênico primário da doença.

"Isto sugere que terapias cognitivas podem ter benefícios significantes, alterando o curso da doença, se aplicadas cedo o bastante, antes que os sintomas apareçam," propõe Jagust.

Associação independente

Os pesquisadores identificaram uma associação significativa entre elevados níveis de atividade cognitiva e baixos níveis de beta-amiloide.

Entre essas atividades cognitivas estão incluídas ler livros e jornais e escrever cartas ou e-mails, além de jogos e passatempos, como quebra-cabeças.

Eles analisaram o impacto de outros fatores, como memória, atividades físicas, nível educacional e gênero, e constataram que as atividades cognitivas têm uma associação independente com a deposição da proteína beta-amiloide.

 

 


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