Página Inicial » Medicina para Leigos




|03|

 
Saiba mais sobre Epilepsia

 O que é, como tratar e como evitar o preconceito
A epilepsia é um distúrbio neurológico crônico, sobre o qual há muito desconhecimento e muitos preconceitos.
Historicamente, as pessoas com essa doença enfrentam um estigma que ignora o que é realmente a epilepsia.

O que é epilepsia?

Epilepsia é um distúrbio neurológico caracterizado por crises espontâneas e recorrentes.

Os sintomas das crises epilépticas variam. E há vários tipos de crises epilépticas, entre as quais a convulsão. Algumas pessoas com epilepsia simplesmente mantêm um olhar fixo e vago por alguns segundos, durante uma crise. Outras perdem a consciência ou contorcem seus braços e pernas repetidamente.

Na maioria dos casos, a crise epiléptica é indolor.

A epilepsia é um distúrbio neurológico, no qual a atividade das células nervosas no cérebro é alterada, causando a crise.

Quais são as falácias e mitos sobre a epilepsia?

Algumas pessoas pensam, erroneamente, que é uma doença contagiosa ou infecciosa. Outro mito é o de que a pessoa pode engolir sua língua durante um ataque. Algumas pessoas pensam que todos os pacientes com epilepsia sofrem de deficiência mental.

A epilepsia pode ser causada por um dano cerebral?

Pode, especialmente em crianças. Há várias causas da epilepsia. Dois grupos etários comumente afetados pela epilepsia são as crianças muito novas, com menos de 1 ano de idade, e a população idosa.

Os bebês podem ser afetados por traumas de nascimento e vários defeitos metabólicos ou por malformações congênitas do cérebro. Entre os idosos, problemas como acidente vascular cerebral, demência e doença de Alzheimer são causas significativas de epilepsia.


Quais são as principais causas da epilepsia?

As causas variam desde infecções, tais como meningite e encefalite, a trauma pré-natal, trauma causado por acidentes, fatores genéticos, tumores cerebrais ou acidente vascular cerebral. Em pessoas com mais de 65 anos, acidente vascular cerebral e problemas vasculares são as principais causas.

A causa pode ser uma lesão no cérebro, decorrente de uma forte pancada na cabeça, uma infecção (meningite, por exemplo), neurocisticercose ("ovos de solitária" no cérebro), tumores cerebrais, condições genéticas (esclerose tuberosa, por exemplo), problemas circulatórios no cérebro, abuso de bebidas alcoólicas, de drogas, etc.
Todavia, em aproximadamente 70% dos casos, não é possível conhecer a causa específica da epilepsia.

Quais São os Sintomas?
  
Os sintomas da epilepsia variam conforme as áreas do cérebro que são afetadas, sendo divididas em crises generalizadas e crises parciais.
A crise convulsiva é a forma mais conhecida pelas pessoas e é identificada como "ataque epiléptico". É uma crise generalizada porque envolve todas as áreas do cérebro. Nesse tipo de crise a pessoa pode cair ao chão, apresentar contrações musculares em todo o corpo, morder a língua, ter salivação intensa, respiração ofegante e, às vezes, até urinar.
A crise do tipo "ausência" é conhecida como "desligamentos". A pessoa fica com o olhar fixo, perde contato com o meio por alguns segundos. Por ser de curtíssima duração (questão de segundos), muitas vezes não é percebida pelos familiares e/ou professores. Também é considerada uma crise generalizada e, geralmente, se inicia na infância ou na puberdade.
Há um tipo de crise que se manifesta como se a pessoa estivesse "alerta" mas sem o controle de seus atos, fazendo movimentos automaticamente. Durante esses movimentos automáticos involuntários, a pessoa pode ficar mastigando, falando de modo incompreensível ou andando sem direção definida. A crise se inicia em uma área do cérebro. Em geral, a pessoa não se recorda do que aconteceu quando a crise termina. Esta é a chamada crise parcial complexa. Porém, se a atividade elétrica se espalhar para outras áreas do cérebro, ela pode se tornar uma crise generalizada.

Na condição chamada status epilepticus (SE), a pessoa tem uma crise epiléptica generalizada que dura de 20 a 30 minutos, ou mais; ou a pessoa tem uma série de crises nas quais não consegue recobrar completamente a consciência. Essa é uma emergência médica que pode ser fatal.
Existem outros tipos de crises que podem provocar quedas ao solo sem nenhum movimento ou contrações ou então, ter percepções visuais ou auditivas estranhas ou ainda, alterações transitórias da memória.
Como Proceder Durante as Crises Epilépticas?
Coloque a pessoa deitada de costas, em lugar confortável, retirando de perto objetos com que ela possa se machucar, como pulseiras, relógios, óculos;
Introduza um pedaço de pano ou um lenço entre os dentes para evitar mordidas na língua;
Levante o queixo para facilitar a passagem de ar;
Afrouxe as roupas;
Caso a pessoa esteja salivando muito, mantenha-a deitada com a cabeça voltada para o lado, evitando que ela se sufoque com a própria saliva;
Quando a crise passar, deixe a pessoa descansar;
Verifique se existe pulseira ou outra identificação médica de emergência que possa sugerir a causa da convulsão;
Nunca segure a pessoa (deixe-a debater-se);
Não dê tapas;
Não jogue água sobre ela.

A epilepsia é mais comum em homens ou mulheres?

A epilepsia afeta homens e mulheres da mesma forma.

Como a doença pode afetar a vida de uma pessoa? Quem sofre de epilepsia pode, por exemplo, dirigir um carro?

Normalmente, não é permitido a uma pessoa, com crises frequentes de epilepsia, dirigir um carro. Por causa da imprevisibilidade das crises, o risco é alto de acidente de carro, queda ou afogamento. Pessoas com epilepsia têm permissão para dirigir quando a situação está sob controle. Mas a duração do tempo considerado sem crises varia de estado para estado, de país para país.

Por que as pessoas têm vergonha dessa doença?

Os pacientes não sentem vergonha, no sentido estrito da palavra, mas podem ficar constrangidos se uma crise é observada por outras pessoas. Um paciente que sofre crises epilépticas nunca sabe realmente quando o próximo momento constrangedor vai acontecer ou onde. Ele pode estar participando de um evento público ou de uma reunião familiar e, de repente, acordar e ver muitas pessoas em torno dele, perguntado se está tudo bem. Isso pode ser embaraçoso para ele e pode levá-lo a se afastar de situações sociais e reduzir sua qualidade de vida.

Devido aos estigmas associados à falta de entendimento da epilepsia como um problema médico, as crises epilépticas podem provocar fortes reações emocionais em observadores.

Todos sabem que existem celebridades que se tornam defensoras de pacientes com algumas doenças. Por exemplo, Jerry Lewis defendeu os pacientes com distrofia muscular. Michael J. Fox defende os pacientes com doença de Parkinson.

No caso da epilepsia é um pouco diferente, por causa do medo gerado pelo desconhecido nos outros e o estigma associado à doença. É preciso promover mais a conscientização sobre a epilepsia, porque, afinal, ela é o terceiro distúrbio mais comum que vemos em neurologia.

Existem bons tratamentos disponíveis, novas opções com medicamentos e novos tipos de cirurgia, que podem melhorar a vida dos pacientes, quando os tratamentos contra as crises epilépticas se mostram ineficazes.

Como é o Tratamento da Epilepsia?
 

O tratamento da epilepsia é feito através de medicamentos que evitam as descargas elétricas cerebrais anormais, que são a origem das crises epilépticas. Entre esses medicamentos estão a carbamazepina, clonazepam, ethosuximida, felbamato, gabapentina, lamotrigina, fenobarbital, fenitoína, primidona, topiramato e valproato. O tipo de medicamento depende do tipo de crise epiléptica a ser tratada.
Acredita-se que pelo menos 25% dos pacientes com epilepsia no Brasil são portadores de estágios mais graves, ou seja, com necessidade do uso de medicamentos por toda a vida, sendo as crises frequentemente incontroláveis e, portanto, candidatos a intervenção cirúrgica.
No Brasil já existem centros de tratamento cirúrgico aprovados pelo Ministério da Saúde.

Quais são os novos tratamentos para epilepsia?

Os novos tratamentos incluem um número crescente de novos medicamentos, cirurgia do cérebro, incluindo cirurgia a laser, estimuladores neurológicos que detectam a atividade do cérebro e usam a atividade elétrica para interromper as crises, quando elas ocorrem, e dietas especiais que ajudam no tratamento da epilepsia.

A ablação a laser é o método cirúrgico menos invasivo para pacientes em que os medicamentos ou estimulação neurológica já não produzem efeitos ou para aqueles que estão prontos para a transição de um estimulador para maior independência. A ablação a laser pode ser vantajosa para pacientes que não tem outra opção. Ou para aqueles que já tentaram medicamentos diferentes e para os quais a cirurgia seria o próximo passo, mas não querem fazer uma cirurgia aberta da cabeça.

Na ablação a laser, um pequeno orifício é aberto na parte posterior da cabeça e uma sonda a laser é inserida através do cérebro, até atingir a área que foi identificada como a fonte das crises epilépticas. A terapia por ablação é realizada em minutos e a sonda é removida. A alternativa é a cirurgia aberta da cabeça, que resulta em um longo período de recuperação. Com a cirurgia a laser, a maioria dos pacientes podem retornar a casa no dia seguinte. É quase uma cirurgia do cérebro ambulatorial.

 

 


Conheça os Cursos On-Line
Portal do Conhecimento