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   A grande dor das coisas que passaram

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Erros meus, má fortuna, amor ardente Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram, Que para mim bastava amor somente.

                      
               Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.
Errei todo o discurso dos meus anos; Dei causa a que a fortuna castigasse As minhas mais fundadas esperanças.                     
                    De amor não vi se não breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Gênio de vinganças!
Camões
"A grande dor das coisas que passaram".
Rubem Braga dizia que esse verso era a coisa
mais linda que ele lera.
                     
                    O soneto me lembra Bandeira:
"A vida que poderia ter sido e não foi."
Sempre pensamos nas coisas que fizemos,
e que não deveríamos ter feito.
Coisas que não fizemos, e que deveríamos ter feito.
Adianta olhar para o passado?
                    
                    Se, parodiando aquele velho clichê, fosse possível
"desenhar a vida com borracha", tudo seria mais fácil.
Mas ela é vivida ao vivo.
Sem ensaios. E sem borracha.
Somos responsáveis pelas nossas decisões.
Sábias ou estúpidas.
E temos de lidar com as consequências.
                    
                    Além do mais, a vida é toda impermanência.
Tudo flui e nada é o mesmo, já dizia Heráclito.
Então me ocorre uma fábula oriental.
Um rei procura um sábio e pede que ele lhe escreva alguma coisa para ler num momento de aflição.
                    

  
O sábio escreve e o rei guarda o papelzinho.
O reino é atacado, o rei perde tudo,
e então lê o que o sábio escrevera.
“Nem sempre vai ser assim”.
                     Mais tarde, o rei recupera o reino perdido.
Encontra o sábio e este lhe diz que agora, num momento de júbilo, deve ler de novo a mensagem.
Nem sempre vai ser assim.
Sêneca, meu filósofo favorito, escreveu que a vida é um eterno vai-e-vem de elevações e quedas.                       
                A diferença toda está em como nos portamos nas quedas.
Nonada
 
 

 


 

 


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